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Ação da polícia mata adolescente negro em casa no RJ; mais 2 morreram

Mais de uma tonelada em drogas foi apreendida em operação no Complexo da Penha - Divulgação/Polícia Civil
Mais de uma tonelada em drogas foi apreendida em operação no Complexo da Penha Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, do Rio de Janeiro

18/06/2021 16h22

Um adolescente negro de 16 anos morreu após ser baleado na cabeça, no Morro da Fé, no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, durante uma operação da Polícia Civil. Thiago Santos Conceição estava dentro de casa quando foi atingido. A polícia nega que ele tenha sido baleado durante a ação e informou que não havia mandado contra o rapaz. Além dele, morreram outras duas pessoas que, segundo a Polícia Civil, seriam suspeitas. Uma quarta pessoa ficou ferida e foi encaminhada ao hospital.

A ação de hoje, que contou com o apoio de agentes de São Paulo, Pará e Amazonas, teve ainda a presença de 400 policiais militares. A operação, chamada de "Coalizão pelo Bem" tinha o objetivo de encontrar chefes de organizações criminosas de outros estados que fugiram para a Vila Cruzeiro, na Penha. Os agentes buscaram cumprir 18 mandados de prisão e 35 busca e apreensão.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020 (levantamento mais recente feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados do ano de 2019), 74,4% das vítimas de homicídio no Brasil eram pessoas negras. Entre as pessoas mortas por policiais, 79,1% são pessoas negras. Na esfera do poder público, não existe uma divulgação transparente de dados oficiais nacionais sobre homicídios ou sobre mortes provocadas por policiais em todo o Brasil. O governo brasileiro também não disponibiliza dados nacionais sobre as investigações e punições de homicídios.

Operação prendeu 15 pessoas

Até o momento, 15 pessoas foram presas. Entre eles, um criminoso conhecido como "Marcelão" ou "Jogador", apontado como chefe do tráfico no Amazonas. Foram apreendidos dinheiro, um fuzil, munição e uma granada.

"Com relação específica ao adolescente baleado, a gente não tem todas as informações. Isso será objeto de uma investigação. No local onde ele foi baleado, não havia nenhum policial naquela localidade. Eles perceberam um tumulto à distância, e obtiveram a informação que o adolescente tinha sido baleado", disse o delegado Rodrigo Oliveira.

De acordo com as investigações, a quadrilha de criminosos movimentou R$ 126 milhões, em um ano e meio, da maior facção criminosa do Rio de Janeiro.

"Há cerca de seis meses começou a nos chamar a atenção o fato de detectarmos pessoas de outros estados no Rio de Janeiro. Mais recentemente, fruto de investigações de roubos a joalherias na Zona Sul com criminosos do Pará. Disseram que os traficantes que deram as ordens para os ataques no Amazonas estariam no Rio de Janeiro", acrescentou Oliveira.

"Todo mundo viu", diz amiga de adolescente

Uma amiga de Thiago, que pediu para não ser identificada, estava no trabalho quando soube que o rapaz foi baleado.

"Os moradores disseram que foi o sniper que atirou. Eles atiraram sem saber se ele era bandido, o que que ele era. Eles simplesmente atiraram na cabeça dele. Eles disseram que não foram eles, mas todo mundo viu. Não teve troca de tiros, não tinha bandido"

As quatro pessoas baleadas foram encaminhadas ao HEGV (Hospital Estadual Getúlio Vargas). Segundo a direção da casa de saúde, dois adultos e o adolescente de 16 anos já chegaram em óbito. "O quarto paciente está em atendimento no centro cirúrgico", salientou o hospital em nota à imprensa.

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