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Sargento do Exército é preso suspeito de matar ex-namorada, no Pará

Édrica Moreira, de 19 anos, já tinha conseguido medida protetiva contra o militar, que não aceitava fim do relacionamento - Arquivo pessoal
Édrica Moreira, de 19 anos, já tinha conseguido medida protetiva contra o militar, que não aceitava fim do relacionamento Imagem: Arquivo pessoal

Luciana Cavalcante

Colaboração para o UOL, em Belém

23/11/2021 20h35Atualizada em 24/11/2021 11h17

A polícia civil prendeu o 3º sargento do exército Edisandro de Jesus da Silva, de 32 anos, suspeito de assassinar a ex-namorada, Édrica Moreira, de 19 anos, em Belém. Ela e uma amiga foram atingidas por tiros vindos de dentro de um carro, no último dia 11 de novembro, vindo a falecer no hospital, quatro dias depois. A mulher que a acompanhava, cujo nome não foi divulgado, sobreviveu ao ataque.

O militar já tinha uma medida protetiva em favor da jovem contra ele. A prisão preventiva dele já havia sido decretada, quando ele foi localizado por policiais. No esconderijo em que estava, foram apreendidas uma arma e embalagens de munição. Ele estava de férias quando o crime aconteceu. Ontem, logo após se apresentar para retornar ao trabalho, acabou preso.

Na delegacia, Edisandro optou por não responder às perguntas do delegado. Por ser militar, ficou detido em uma unidade prisional do Exército, e à disposição da Justiça.

O relacionamento de Édrica e Edisandro durou apenas 3 meses e tinha terminado há cerca de um mês. A jovem conseguiu uma medida protetiva contra ele no dia 28 de outubro.

"Ele foi informado da medida protetiva, mas em nenhum momento obedeceu. Infelizmente, esses agressores agem motivados pela falsa percepção de posse e dominação", afirmou o delegado Francisco Adriano Costa, diretor da Seccional de Polícia da Cabanagem, onde o inquérito está sendo conduzido.

Edisandro não aceitava o final do namoro e chegou a oferecer uma quantia em dinheiro para a amiga ajudá-lo a convencer Édrica a reatar. "Ele chegou a oferecer R$ 500 para a amiga convencê-la de voltar com ele, mas ela não aceitou", contou o policial.

No dia 11 de novembro, por volta das 22h, as duas voltavam para casa, no bairro do Sideral, quando um carro preto, modelo HB20, se aproximou e os disparos tiveram início. "A amiga foi atingida com uma bala na coxa, com certeza com objetivo de imobilizá-la. Já Édrica, recebeu quatro tiros, sendo no braço, na perna e dois no abdômen".

As vítimas disseram que reconheceram o integrante do exército como autor do crime. "Édrica ficou o tempo todo consciente até a chegada ao hospital e disse para a irmã que foi Edisandro que atirou nela. A amiga ferida também o reconheceu", completou o delegado.

A investigação descobriu que o veículo utilizado no crime era locado e estava em poder do sargento dias antes. "E pelas características, não havia só uma pessoa no carro. A pessoa que atirou não é a mesma que estava dirigindo", avaliou Costa. O veículo foi apreendido e será periciado. A polícia ainda não tem nomes de suspeitos de estarem no carro durante o crime.

O Comando Militar do Norte divulgou nota reforçando que a instituição não compactua com quaisquer atos de violência, repudia todo o tipo de desvio de conduta e irá acompanhar as investigações dos órgãos competentes.

Outro crime

Durante as investigações, a polícia descobriu que o sargento também é suspeito de fazer parte de uma quadrilha de estelionatários que atua na capital e em municípios do interior do Pará. O carro que ele teria usado para praticar o feminicídio, mesmo sendo alugado, já havia sido vendido para outra pessoa em Abaetetuba (PA).

"Identificamos que ele usa laranjas para alugar os carros e depois os vende para terceiros", contou o delegado Francisco Adriano Costa. O policial conta que o veículo foi vendido para um ex-militar das forças armadas, que possuía uma arma. O armamento dele foi apreendido e também será periciado.

Outros envolvidos nessa quadrilha já foram identificados. "São pelo menos quatro pessoas, que devem fazer parte desse esquema que funciona há alguns anos". Um novo inquérito vai ser instaurado para investigar os casos de estelionato.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, o sargento não é do grupo dos oficiais do Exército, mas dos praças. O conteúdo foi corrigido.

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