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Kiss: grupo tenta juntar R$ 50 mil e levar parentes e sobreviventes a júri

Vigília de um ano da tragédia na boate Kiss em homenagem aos mortos - Juliano Mendes/UOL
Vigília de um ano da tragédia na boate Kiss em homenagem aos mortos Imagem: Juliano Mendes/UOL

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

30/11/2021 04h00Atualizada em 30/11/2021 08h07

Uma entidade tenta arrecadar R$ 50 mil para custear o deslocamento e a permanência de sobreviventes e de familiares de vítimas da Boate Kiss no julgamento dos quatro réus, acusados de serem os responsáveis pelo incêndio na casa noturna, em Santa Maria (RS). O Tribunal do Júri começa amanhã em Porto Alegre, a 289,2 km de onde ocorreu a tragédia.

Organizada pela AVTSM (Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria), a campanha já havia arrecadado R$ 39.626,00 até as 8h de hoje, o que representa 79,2% da meta estabelecida.

Um ônibus com 50 lugares foi disponibilizado pela prefeitura para fazer a viagem entre as duas cidades. Porém, restaram os custos de hospedagem e alimentação, explica o jornalista Marcos Borba, que atua como voluntário na associação. "Se cada pessoa gastar R$ 100 por dia em hospedagem e alimentação, em dez dias vai gastar R$ 1.000", calcula o voluntário.

Para minimizar os custos, foram feitas parcerias. O Exército disponibilizou 36 lugares em hotéis de trânsito da cidade, já o Cpers, sindicato que representa os professores estaduais, ofereceu 25 lugares em seus alojamentos.

"Então já é um custo que diminui. A campanha vai ficar no ar até 30 de dezembro porque como o julgamento vai durar 10 a 20 dias e podem aparecer demandas financeiras ao longo do julgamento. Não temos dimensão do que tudo vai custar, julgamento não tem data para terminar", explica Borba.

boate, kiss, protesto - Gabriel Rovadoschi/ Arquivo pessoal - Gabriel Rovadoschi/ Arquivo pessoal
Familiares das vítimas da boate Kiss fizeram uma caminhada no dia 27 de novembro para protestar contra a tragédia
Imagem: Gabriel Rovadoschi/ Arquivo pessoal

Segundo o voluntário, caso sobre dinheiro, o recurso será utilizado na construção do memorial às vítimas da Kiss. Ao todo, 100 familiares e sobreviventes se cadastraram no TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) para acompanhar o julgamento.

No último sábado (27), familiares das vítimas fizeram uma caminhada para protestar contra a tragédia. O grupo percorreu uma quadra, da praça Saldanha Marinho até a boate Kiss. Ao lado da praça, cruzes brancas foram afixadas num gramado, ao lado do viaduto Evandro Behr.

Relembre o caso

O incêndio na boate Kiss provocou a morte de 242 pessoas e deixou outras 636 feridas em 27 de janeiro de 2013, na cidade de Santa Maria (RS), a 288,6 km de distância de Porto Alegre.

Segundo testemunhas, fogo começou quando o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador contra o teto de espuma inflamável. O produtor musical Luciano Augusto Bonilha Leão foi quem comprou o artefato.

Santos, Bonilha e dois sócios da boate —Elissandro Callegaro Spohr, conhecido por Kiko, e Mauro Londero Hoffmann— são os quatro réus acusados de serem os responsáveis pelo incêndio. Eles serão julgados a partir desta quarta-feira (1), mais de oito anos após a tragédia, no que é considerado o maior julgamento da história do judiciário gaúcho.

De acordo com a investigação da polícia, a casa estava superlotada, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram e a saída de emergência foi insuficiente.

A maioria das mortes foi causada por asfixia causada pelo gás cianeto, liberado pela espuma inflamável. Ao todo, 180 corpos foram encontrados na área do banheiro, por acreditarem que ali seria uma saída de emergência.

Os réus responderão por 242 homicídios simples e por 636 tentativas de assassinato.

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