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Bezerros de búfalas que sofriam maus-tratos em Brotas recebem nome

Bezerros de búfalas que sofriam maus-tratos em fazenda de Brotas recebem nome: Aurora e Martin - Divulgação
Bezerros de búfalas que sofriam maus-tratos em fazenda de Brotas recebem nome: Aurora e Martin Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

08/01/2022 10h14Atualizada em 08/01/2022 10h18

Os dois bezerros que nasceram nesta semana em uma fazenda de Brotas, onde búfalos foram resgatados de maus-tratos, tiveram seus nomes escolhidos por voluntários e seguidores da ONG ARA (Amor e Respeito Animal), que acolheu os animais.

A fêmea, batizada de Aurora, nasceu na segunda-feira (3). Já o macho, que nasceu no dia seguinte, recebeu o nome Martin, em homenagem ao ativista norte-americano Martin Luther King, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1964.

Segundo a ONG Ara, Aurora foi escolhido por representar "claridade que aponta o início da manhã". Em post nas redes sociais, a ONG escreveu: "Ela chegou e fez nascer a esperança de dias melhores".

Nesta semana, o relatório final da perícia ambiental feito por peritos da USP (Universidade de São Paulo) e da Unesp (Universidade Estadual Paulista) sobre os maus-tratos praticados na fazenda concluiu que os demais animais do rebanho, que ainda estão vivos, em sua maioria, não terão recuperação total ou que esta será demorada, já que os búfalos perderam papilas que são imprescindíveis para a correta absorção dos alimentos.

O laudo pede a abertura de novo inquérito policial para apurar eventual crime contra a saúde pública durante a produção de derivados de leite na propriedade.'

Proprietário foi multado em R$ 2 milhões; defesa sustenta inocência

O caso das búfalas teve início no dia 6 de novembro de 2021, quando a Polícia Ambiental foi à fazenda, após denúncia anônima, e localizou mais de mil animais em situação de abandono, além de 22 carcaças enterradas em uma vala. Ainda foram encontradas 335 vacas do gênero Bubalus e 332 bezerros "todos confinados em um local pequeno e inadequado comparado ao número de animais no local", segundo relatório da PM.

O proprietário, Luiz Augusto Pinheiro de Souza, foi multado em mais de R$ 2 milhões e chegou a ser preso, mas foi libertado após pagar fiança. Com a repercussão do caso, ativistas e ONGs de defesa animal se mobilizaram para cuidar e tratar dos animais.

No final de novembro, a Justiça tornou a ONG ARA depositária dos 1.056 búfalos e 72 cavalos encontrados na fazenda. Em meados de dezembro, o MP denunciou o dono da fazenda por crime de maus-tratos contra 991 bubalinos e cavalos vivos, além de 137 animais encontrados mortos. Ele também foi denunciado por ameaça, falsidade ideológica e falsificação de documentos. A promotoria pediu sua prisão preventiva, que não chegou a ser decretada pelo juízo local, mas foi determinada pelo TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

Sobre a denúncia, a defesa informou que ela é improcedente, pois não houve maus-tratos, e que também não há elementos para a prisão do pecuarista. Já sobre o laudo da perícia, a defesa informou que se pronunciará em momento oportuno, após ter acesso à íntegra do documento.

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