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3 meses

Cão morre após ser deixado pendurado em clínica veterinária; homem é preso

Cão da raça Shih Tzu morreu após ser deixado pendurado em clínica - Arquivo Pessoal
Cão da raça Shih Tzu morreu após ser deixado pendurado em clínica Imagem: Arquivo Pessoal

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL, em Salvador

21/01/2022 04h00

Um funcionário de um hospital veterinário em Maceió (AL) foi preso ontem por suspeita de enforcar e matar um cão da raça Shih Tzu que havia sido deixado no local para banho e tosa.

O crime foi registrado por uma câmera de segurança do estabelecimento, cujas imagens mostram o homem prendendo a coleira do animal na parte alta da parede. O suspeito, que não teve o nome divulgado, ajusta o equipamento até deixar o cachorro suspenso pelo pescoço.

Enquanto o bicho agoniza, o funcionário se afasta. Em seguida, ele se aproxima e dá dois tapas na cabeça do cãozinho, que a essa altura parece estar desacordado. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do suspeito.

Ao UOL, o delegado Leonam Pinheiro disse que, inicialmente, o funcionário negou ter intenção de matar o animal. Ao ser informado que as cenas de violência foram registradas em vídeo, contudo, ele acabou por confessar o crime. Questionado sobre o que levou a cometer o ato, o homem alegou que o cão o "estressou" por estar se levantando durante o atendimento.

Coordenador da Delegacia de Roubos e Crimes Ambientais, Pinheiro rechaçou a versão. "Tratava-se de um animal totalmente inofensivo, que não dava um latido. No vídeo está claro que animal se manteve inerte a todo momento", diz.

De acordo com o delegado, ao retornarem para pegar o pet, o casal de tutores foi comunicado a respeito da morte do animal, mas sem saber a causa do óbito. "A iniciativa de analisar as câmeras de segurança foi da própria clínica", afirmou Pinheiro.

Depois de tomaram conhecimento do episódio, os donos do cachorro ficaram abalados com tamanha "atrocidade". O animal convivia com eles havia oito anos, mesmo tempo que tinha de vida.

Condenado por homicídio

De acordo com o delegado Leonam Pinheiro, o autor do crime já havia sido condenado por homicídio e trabalhava no hospital veterinário há três meses. "Talvez, antes de admiti-lo, se a clínica tivesse analisado a folha de antecedentes dele, isso não teria acontecido", lamentou.

O funcionário deverá passar por uma audiência de custódia na manhã de hoje. O homem vai responder pelo crime de maus-tratos qualificado com resultado morte. Se julgado e condenado, terá de cumprir pena de dois a cinco anos de reclusão, conforme a Lei de Crimes Ambientais.

Hospital lamenta "ato revoltante"

Em um comunicado publicado em uma rede social, o hospital veterinário lamentou a morte de cãozinho e disse jamais compactuar com maus-tratos aos animais. De acordo com o estabelecimento, que se apresenta como grupo 'É O Bicho', o responsável pelo "ato revoltante" cumpria período de experiência.

"Em 10 anos de existência, o grupo É O Bicho nunca compactuou com os maus-tratos aos animais. Lamentamos profundamente o fato criminoso ocorrido em uma de nossas unidades. Assim que soubemos do incidente, entramos em contato com as autoridades policiais", diz o texto.

O hospital diz ainda que todas as providências estão sendo tomadas, dentre as quais a assistência aos tutores do cachorro. "Somos um hospital veterinário sério e reconhecidos por nossa causa maior: a saúde e o bem-estar animal. Jamais fugiremos às responsabilidades", conclui a nota.

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