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Cotidiano

Quem são os agressores do congolês assassinado em quiosque no Rio

Marcela Lemos e Lola Ferreira

Colaboração para o UOL e do UOL, no Rio

02/02/2022 19h49

Os três homens envolvidos no espancamento que terminou com a morte do congolês Moïse Kabagambe, 24, no último dia 24, trabalhavam de forma informal em quiosques e barracas localizados na altura do posto 8 na orla da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro.

24.jan.2022 - Fábio Pirineus da Silva, Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca e Brendon Alexander Luz da Silva foram identificados como agressores de Moïse Kabagambe - Reprodução - Reprodução
24.jan.2022 - Fábio Pirineus da Silva, Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca e Brendon Alexander Luz da Silva foram identificados como agressores de Moïse Kabagambe
Imagem: Reprodução

Eles tiveram a prisão temporária decretada hoje pela Justiça por suspeita de homicídio duplamente qualificado (impossibilidade de defesa e meio cruel). Os homens, identificados a partir das imagens de câmera de segurança do quiosque onde aconteceu o crime e de depoimentos de testemunhas, não respondiam até então por processos criminais no Rio.

Os três relataram que conheciam o congolês, que também trabalhou nos quiosques e, segundo a família dele, tinha ido ao local para cobrar R$ 200 em diárias devidas. Todos descreveram a vítima como uma pessoa problemática na região.

O UOL não localizou as defesas dos três presos.

Veja a seguir o que se sabe dos suspeitos e o que eles relataram à polícia:

Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca

Nascido no Rio de Janeiro, Fonseca tem 27 anos, e é conhecido como Dezenove por não ter um dos dedos —segundo ele relata, foi arrancado por uma companheira.

Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca bate no congolês Moïse Kabagambe - Reprodução - Reprodução
Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca bate no congolês Moïse Kabagambe
Imagem: Reprodução

Ele se apresentou na delegacia de Bangu, na zona oeste, admitindo participação nas agressões que resultaram na morte do congolês. Ao SBT Rio, o suspeito afirmou pouco antes de se entregar ontem: "A gente não queria tirar a vida de ninguém, nem porque ele era negro ou de outro país".

Em depoimento à polícia, Fonseca disse que, nos últimos dois meses, trabalhou entre 9h e 16h como cozinheiro e garçom no quiosque Biruta, vizinho ao Tropicálica, onde Moïse foi morto.

A informação foi contudo contestada por Viviane Faria, uma das responsáveis pelo quiosque Biruta. Segundo ela, Fonseca trabalhou por um mês no local e apenas como garçom. Ela é irmã do policial militar Alauir Mattos de Faria, apontado pelos suspeitos como um dos donos do Biruta.

"Eles ganham por comissão, por vendas feitas. Isso é uma prática muito comum nos quiosques, conhecida como 'cardapear'. Muitos deles acabam dormindo na praia, pois moram muito longe e não querem gastar com passagem e combustível", afirmou Viviane.

Dezenove também trabalhava como caixa em uma hamburgueria na Beira-Rio, comunidade do Recreio dos Bandeirantes, bairro vizinho à Barra da Tijuca. No local, ele dava expediente entre 18h e 2h.

Segundo relatou à polícia, no dia em que Moïse foi assassinado, ele estava de folga na hamburgueria e, por isso, estendeu seu horário de trabalho no Biruta.

Assim como outros colaboradores, Fonseca trabalhava de forma informal e recebia R$ 10 por porção vendida.

Ele admitiu à polícia que desferiu socos contra Moïse, além de ter tomado um taco de beisebol da mão de outro agressor para agredir o congolês. Ele afirmou o congolês estava "perturbando há alguns dias, e por isso, resolveu extravasar a raiva que estava sentindo".

Mesmo imobilizado, Moïse é agredido por Fonseca, que aparece no vídeo gravado pela câmera de segurança do quiosque de camisa vermelha e preta e desfere mais golpes contra o rapaz.

Brendon Alexander Luz da Silva

Nascido em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Brendon tem 21 anos e, à polícia, disse ser estudante. Conhecido como Tota, ele trabalhava de forma informal na Barraca do Juninho, que fica na areia da praia e também pertence à família de Viviane e do PM Alauir.

Brendon Alexander Luz da Silva (no chão, ao fundo) dá chave de perna no congolês - Reprodução - Reprodução
Brendon Alexander Luz da Silva (no chão, ao fundo) dá chave de perna no congolês
Imagem: Reprodução

Brendon era responsável por servir bebidas e comidas na areia, além de cadeiras e guarda-sóis. Ele prestava serviço para a barraca havia cinco meses e trabalhava a partir das 7h até o último cliente.

Praticante de jiu-jitsu, foi ele quem derrubou Moïse e o imobilizou com uma "chave de perna". Ele ainda o amarrou com uma espécie de corda.

O agressor disse à polícia estar com a "consciência tranquila" por "apenas" ter imobilizado Moïse, sem estrangulá-lo. As imagens mostram contudo que os outros dois continuaram batendo no congolês apesar de ele estar imobilizado.

Após as agressões, os homens —entre eles, Brendon— tentam reanimar Moïse, sem sucesso. Com uma garrafa de água tirada do freezer, Brendon molha os pulsos e o pescoço do congolês. Moïse não reage.

Brendon afirmou na delegacia ser "candomblecista", alegando "não ter o menor preconceito contra negros e/ou estrangeiros".

Fábio Pirineus da Silva

Nascido no Rio de Janeiro, Fábio tem 41 anos e se identifica como camelô. Conhecido como Belo, ele disse trabalhar na barraca Jean Bola de Ouro, mas não especificou o período.

Fábio Pirineus da Silva - Reprodução - Reprodução
Fábio Pirineus da Silva
Imagem: Reprodução

Fábio é ambulante há quatro anos e, para complementar a renda, vende produtos no trem da Supervia que liga a Baixada Fluminense a bairros da zona norte e região central do Rio.

No vídeo, Belo golpeia ao menos 14 vezes o congolês com um pedaço de madeira.

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