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Conteúdo publicado há
4 meses

Com ruas alagadas, Petrópolis emite alerta para alto risco de deslizamentos

Do UOL, em São Paulo*

20/03/2022 16h06Atualizada em 21/03/2022 08h01

As chuvas voltaram a aumentar no início da noite deste domingo (20) em Petrópolis (RJ). No começo da madrugada de segunda-feira (21), o prefeito da cidade, Rubens Bomtempo (PSB), informou em transmissão pelas redes sociais que "o dia foi difícil, ainda mais depois das 15h, quando" o município "foi novamente vítima de grandes chuvas".

Ainda de acordo com Rubens Bomtempo, o acumulado de água superou os "300 mm de chuva e mais de 80 ocorrências" foram registradas até o momento.

A Defesa Civil alertou, por volta das 21h30, para o alto risco de deslizamento nas regiões do primeiro distrito. Mais cedo, um rio transbordou inundando a Rua do Imperador, no centro da cidade. O prédio do Cefet de Petrópolis, localizado na via, foi invadido por uma água barrenta. Vídeos nas redes sociais mostram o nível que chegou a água.

A Rua Coronel Veiga, no bairro de Valparaíso, teve o tráfego interrompido devido a enchente. A Defesa Civil orienta motoristas e pedestres para que evitem circular na região.

Segundo comunicado enviado à imprensa, a recomendação é que a população que vive em áreas de risco se desloque para locais seguros. Apesar dos alagamentos e deslizamentos, não há registros de vítimas até o fim desta tarde.

Por volta das 21h30, algumas áreas já haviam ultrapassado o volume esperado de chuva para todo mês, que é de 250 milímetros. São elas:

  • São Sebastião com 371.2 milímetros;
  • Dr. Thouzet, com 314,8; e
  • Vila Felipe, com 307 milímetros nas últimas 12 horas.

A cidade apresentou outros trechos com alagamentos nas vias, como nas ruas da Imperatriz, Teresa, Saldanha Marinho, Gonçalves Dias, e nas avenidas Barão do Rio Branco e Piabanha — que foram interditadas. A recomendação é que a população não tente atravessas as áreas alagadas e busque local seguro.

"A gente aproveita para solicitar à população que não se desloque nesse momento, que permaneça em local abrigado. É importante que se mantenha em local seguro, não tente se deslocar nesse momento, porque a condição de risco em áreas de alagamento é muito grande", disse o secretário da Defesa Civil de Petrópolis, Gil Kempers, em entrevista à GloboNews.

Por conta da possibilidade de novas chuvas hoje, a Prefeitura decidiu suspender as aulas em todo o município. A medida vale para as escolas públicas e particulares.

A operação de ônibus na cidade também foi suspensa em áreas de alagamentos e possíveis deslizamentos. "As empresas Petro Ita e Cidade Real, inclusive, tiveram suas respectivas garagens alagadas", informou o Setranspetro (Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Petrópolis).

Um deslizamento de terra, segundo o sindicato, isolou a garagem da Cidade Real e impede a entrada e saída dos ônibus.

Além disso, a Defesa Civil informou a manutenção da interdição das casas localizadas na Rua Nova, na 24 de Maio, "em função de risco de deslocamento de rocha". Um sensor instalado no local mostrou a movimentação.

"As equipes da Defesa Civil já se deslocaram para a região para alertar sobre o risco. Equipes do Centro Integrado de Monitoramento e Operações de Petrópolis seguem no acompanhamento das emissões dos sinais do sensor", diz o comunicado.

Um morador da cidade mostrou surpresa com a velocidade com que a água subiu e fez os rios transbordarem. À GloboNews, Marcílio Brito, mostrou a situação da rua na região central da cidade, nas proximidades do Museu Imperial.

"A força da água é muito abundante. Cerca de 15 minutos após o início da tempestade, o rio encheu e transbordou, causando esse alagamento. Os últimos dias foram de intenso calor, uma temperatura que a gente não está acostumado. O que me impressionou dessa vez foi realmente a velocidade que a rua encheu, cerca de 15 minutos após a chuva começar", disse.

Além disso, Marcílio disse considerar que a situação, dessa vez, parece menos grave do que em fevereiro. Apesar da correnteza que passa pela rua, ele acredita que "a força da água agora é menor, diria 30% a menos [em relação a janeiro]. É grave aqui, mas com menor intensidade que o que aconteceu em janeiro".

A cidade ainda se recupera do temporal do dia 15 de fevereiro que provocou a morte de 233 pessoas, que conforme a equipe Técnica e Científica da Polícia Civil, são 138 mulheres e 95 homens e 44 menores.

Segundo a Defesa Civil municipal, a maior parte das ocorrências que atingiram áreas de mais de 40 localidades foi por deslizamentos, totalizando mais de 5,2 mil casos. O Corpo de Bombeiros continua com o trabalho de buscas a uma vítima no Morro da Oficina e outras três pelo Rio Quitandinha.

*Com Agência Brasil

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