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4 meses

Cliente processa drogaria por homofobia após cadastro com nome errado

Cliente recebeu promoções e mensagens de drogaria com o nome grafado errado - Reprodução/Instagram
Cliente recebeu promoções e mensagens de drogaria com o nome grafado errado Imagem: Reprodução/Instagram

Do UOL, em São Paulo

29/03/2022 18h53Atualizada em 30/03/2022 12h08

O estrategista de branding Galileu Nogueira compartilhou nas redes sociais um episódio em que ele afirma ter sido vítima de homofobia na Droga Raia em São Paulo. Segundo ele, um funcionário registrou o nome dele como "Gaylileu" e ele passou a ser chamado desta maneira pelos serviços da empresa.

O caso ocorreu no ano passado, mas Galileu compartilhou a história apenas ontem, dias após uma audiência de conciliação, que ocorreu na segunda-feira (21) passada, segundo informações do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). A ação contra a empresa foi aberta em julho.

galileu - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Galileu Nogueira compartilhou a história nas redes sociais
Imagem: Reprodução/Instagram

Segundo Galileu, a história começou quando ele recebeu uma mensagem pelo celular em que era chamado pelo nome incorreto. "Achei estranho ver o meu nome escrito com um Y ali, afinal, poderia ser um erro de digitação. Mas porquê um Y (uma letra tão longe no teclado)? Depois de alguns segundos, entendi o que tinha acontecido. Tinha sofrido homofobia", relatou ele.

Galileu contou que desde sempre recebia mensagens da Droga Raia com promoções e que o nome dele aparecia "para dar um tom mais pessoal a mensagem", afirmou. "Acontece que um funcionário resolveu fazer 'uma graça' com a minha orientação sexual depois do dia 13 de janeiro de 2021, afinal, ser gay é motivo de piada, né?""

O estrategista afirmou que a primeira reação foi pedir para retirar o número da base de dados da empresa. No entanto, segundo ele, todas as vezes que ele ia presencialmente a uma unidade da rede o nome incorreto aparecia outra vez. "Eu recebia uma série de cupons de desconto e o constrangimento estava lá: meu nome escrito em forma de piada em todos os cupons e recebidos."

Ele diz que os funcionários chegaram a parar de chamá-lo pelo nome até que um dia um perguntou, "em tom de constrangimento', se aquele era mesmo o nome dele. "Contei para alguns amigos e todos eles ficaram em choque e falaram: 'amigo, isso é homofobia e você não pode deixar passar'. E só aí eu caí na real o quanto há comunicação violenta no trato da marca para comigo. Só pensava: 'e as travestis? Como será que elas se sentem quando erram seu nome social propositalmente?'."

Galileu afirmou que justamente por trabalhar com marcas decidiu abrir uma denúncia no canal de ética do grupo da drogaria. Ele ainda contou que ficou dois meses sem resposta e então recebeu uma ligação de desculpas. "E meu endereço para enviar alguns produtos como forma de retratação. Nunca recebi", relatou.

O estrategista disse que ainda questionou o motivo de o funcionário ter trocado o nome e foi informado que as decisões eram "confidenciais". Desta forma, Galileu resolveu abrir um processo pedindo indenização por danos morais, um treinamento sobre homofobia para funcionários e uma retratação.

Ainda, segundo ele, durante a audiência de reconciliação, o grupo Raia Drogasil "se posicionou dizendo que já tinha treinamentos sobre o tema e ofereceu R$ 5 mil". Ele ainda informou que a empresa pediu para que ele sugerisse o tipo de treinamento que deveria ser dado. No entanto, ele não aceitou o acordo e decidiu seguir com o processo.

"Coloquei um pedido de dois treinamentos: contra homofobia e a importância do respeito ao nome social do consumidor (ministrado por pessoas trans e travestis). Até hoje, é assim que o processo corre, sem nenhum desfecho."

O UOL entrou em contato com o grupo Raia Drogasil que informou repudiar "veemente" a homofobia.

"Reconhecemos e lamentamos o transtorno que o Sr. Galileu sofreu. Pedimos desculpas pelo o que aconteceu. Enfatizamos que, assim que ficamos sabendo da troca do nome, um ano atrás, corrigimos o cadastro imediatamente e informamos o Sr. Galileu que o nome foi corrigido e revisamos os procedimentos internos. Durante estes doze meses sempre estivemos abertos para o diálogo. Tentamos chegar a um acordo em relação à indenização solicitada, mas não obtivemos êxito e continuamos abertos ao diálogo", disse a empresa em nota.

A drogaria ainda informou que é integrante do Fórum de Empresas e Diretos LGBTI+ e que fazem "questão de divulgar internamente para os nossos 50 mil funcionários que a empresa respeita a comunidade LGBTI+", assim como o compromisso público "de ter um ambiente livre de discriminação presenciada ou vivida nas nossas farmácias, escritório e centros de distribuição, alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis da ONU (ODS) contra a discriminação de Pessoas com Deficiência, LGBTI+, negros, sêniores 60+ e mulheres."

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