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Suspeitos de golpes que somam R$ 1 mi relatam agressão policial após prisão

Grupo é suspeito de clonar cartões de crédito de clientes com limite bancário alto - Divulgação/Polícia Civil RJ
Grupo é suspeito de clonar cartões de crédito de clientes com limite bancário alto Imagem: Divulgação/Polícia Civil RJ

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

13/05/2022 19h36

Três dos quatro suspeitos presos no Rio de Janeiro por integrarem uma quadrilha de estelionato de Balneário Camboriú (SC) relataram hoje à Justiça que sofreram agressões por parte de policiais civis envolvidos na prisão em flagrante, como tapas na cabeça, torções no braço e arma apontada.

Os relatos foram feitos em audiência de custódia, na qual a Justiça do Rio converteu a prisão em flagrante de três deles em preventiva (com prazo indeterminado). A quarta suspeita foi hospitalizada após entrar em trabalho de parto e não participou da audiência.

O UOL procurou a Polícia Civil sobre os relatos as denúncias, mas não obteve resposta. Se a instituição se manifestar, o posicionamento será incluído nesta reportagem.

O grupo é suspeito de aplicar golpes —cujo prejuízo chegou a R$ 1 milhão— a partir do uso de dados coletados na chamada deep web —sites e servidores da internet que não aparecem nas ferramentas de buscas.

De acordo com a Polícia Civil, Diego Luís Pereyra Ferreira, apontado como o líder do esquema, Willian Teixeira Chicorsky, Angélica de Jesus Albercht e Fernanda Natalina dos Santos Lima clonavam cartões de crédito com alto limite bancário, geravam links para pagamentos virtuais e transferiam o dinheiro das vítimas para contas de "laranjas".

Eles estavam morando há pouco menos de um mês no Rio quando foram presos ontem, após dois dos quatro integrantes deixarem uma joalheria no Leblon, bairro nobre da zona sul da cidade. Segundo as investigações, eles tentavam vender joias de procedência duvidosa no local.

"A gravidade da conduta é acentuada, já que os custodiados, associados entre si, praticavam crimes graves pelo território nacional, mantendo grupo de WhatsApp para o acerto da prática das condutas", destacou a juíza Rachel Assad na decisão em que decretou as prisões preventivas.

A magistrada determinou que os três suspeitos que relataram agressões fossem submetidos a exame de corpo de delito.

Ao UOL, o advogado do grupo, Fabio da Silva Manoel, disse que eles negam os crimes e explicou que o trio deveria ter sido encaminhado para o exame de corpo de delito pela autoridade policial —o que não ocorreu.

Os relatos de agressão

Diego Ferreira relatou à juíza ter sido agredido dentro da delegacia do Leblon, responsável pela prisão, com uma lista telefônica. Ele disse também que sofreu torções no braço e apresentou na audiência um arranhão no local.

Willian Chicorsky contou que foi agredido com um tapa na cabeça e que teve uma arma apontada para ele. As supostas agressões teriam ocorrido no interior da viatura policial, dentro da delegacia, no caminho até a sua residência e no interior do imóvel. Ele afirmou não ter marcas das agressões.

Angélica Albercht afirmou que foi atingida com um golpe desferido com a porta de sua residência, que a atingiu nas pernas. A suspeita apresentou um arranhão na perna direita.

O trio está no presídio de Benfica, na zona norte, e será encaminhado para a realização dos exames de corpo de delito, conforme decretou a Justiça.

Entenda o caso

O grupo foi preso após a Polícia Civil começar a receber denúncias de pessoas tentando vender joias sem procedência em joalherias do Leblon. Ontem, uma equipe da delegacia do bairro foi acionada por seguranças de um shopping alegando a presença da dupla no local.

Ao ser abordado, Diego ofereceu R$ 150 mil aos agentes para que não fosse encaminhado à delegacia, segundo relataram os policiais.

Na delegacia, ainda de acordo com a polícia, ele disse que poderia dar uma Mercedes, moto e moto aquática. Um dos suspeitos, que é estudante de Direito, dispunha de mais de R$ 493 mil na conta corrente, segundo a polícia.

Já Fernanda e Angélica foram localizadas na residência do grupo, um apartamento alugado na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Segundo as investigações, as duas integravam o referido esquema e contribuíam para a dinâmica.

Com eles, foram apreendidos um carro usado (Audi Q3), dez celulares, R$ 4.600 em espécie, uma pistola com a numeração raspada, dois carregadores e munição. Peças de ouro também foram encontradas.

Os quatro foram autuados em flagrante por estelionato, associação criminosa, corrupção ativa e posse de arma de fogo de uso restrito.

O inquérito aponta que o quarteto ostentava uma vida de luxo com o uso de carros, motos importadas, lanchas e motos aquáticas.

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