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Passageiro assedia mulher que dormia em ônibus e é expulso a chutes no RJ

Laryssa estava cochilando num ônibus, voltando para casa, quando um passageiro começou a passar a mão em sua coxa - Arquivo Pessoal
Laryssa estava cochilando num ônibus, voltando para casa, quando um passageiro começou a passar a mão em sua coxa Imagem: Arquivo Pessoal

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

22/06/2022 21h00

Uma professora denunciou que sofreu abuso de um homem dentro de um ônibus em Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O caso aconteceu na noite de segunda-feira (20), quando a jovem acordou e viu a mão do homem na coxa dela. O homem acabou expulso a chutes do veículo por outro passageiro.

"Eu estava voltando para casa, o senhor subiu no ônibus e sentou do meu lado, sendo que tinha muito espaço vago. Como ele era idoso, carregando um pneu, eu relevei, pela idade dele, pensando que, por isso, ele não faria nada. Eu sempre durmo no ônibus, porque a viagem de onde trabalho para onde moro é longe. E eu acabei cochilando", contou Laryssa Costa, em entrevista ao UOL.

A jovem disse que levou um susto quando viu a mão do homem na sua perna. "Eu achei que ele pudesse estar arrumando a posição do pneu, a primeira coisa que pensei foi: 'Isso é coisa da minha cabeça'. Eu me mexi, ele levou um susto e tirou a mão. Eu fingi que tinha voltado a dormir e vi ele nitidamente fazendo a mesma coisa. Eu fiquei tão nervosa; fiquei com um misto de nojo e raiva'.

A jovem chegou a trocar mensagens com a mãe no WhatsApp, contando o que estava acontecendo - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
A jovem chegou a trocar mensagens com a mãe no WhatsApp, contando o que estava acontecendo
Imagem: Arquivo Pessoal

Laryssa falou ficou assustada e contou o que houve e um dos passageiros a ajudou, questionou o que tinha ocorrido e, logo depois, o idoso foi expulso do coletivo a chutes.

"Esse moço pegou ele, puxou ele, tirou o pneu e começou a gritar para o motorista parar. Ele foi e jogou as coisas do idoso para fora. Ele ainda questionou por que ninguém tinha feito nada para ajudar, me perguntou se eu estava bem. Eu só tremia. Ele ainda ficou uns dois minutos comigo até eu me acalmar".

Procurada pelo UOL, a empresa Viação Montes Brancos, responsável pela linha, informou que foi notificada e "efetuou todo o protocolo exigido pela legislação vigente". A empresa informou ainda que "lamenta profundamente o ocorrido" e repudia toda e qualquer forma de assédio, importunação ou desrespeito à mulher e que "as imagens de monitoramento do veículo estão à disposição da vítima e das autoridades".

Dupla vulnerabilidade

Após o ocorrido, a jovem foi para a Delegacia da Mulher de Araruama para registrar a ocorrência. Lá, a professora encontrou um novo problema.

"Não havia nenhuma mulher, só homens. Eu fui tratada como um nada. Eu tinha o vídeo que foi feito no ônibus, uma foto que mandei para minha família mostrando que o homem estava colado no meu corpo e o policial falou que, se eu não fosse na rua comprar um pendrive para botar aquelas fotos, ele não iria anexar. Eu estava com pouco dinheiro e paguei R$ 45 em um pendrive só para colocar um vídeo de cinco segundos e uma imagem na delegacia".

A professora acredita que o registro não surtirá efeito. "Eu ainda mostrei a imagem, ele disse que não significa nada. Ele perguntou o nome dele, mas eu disse que não tinha como eu saber. Aí ele falou que assim seria mais fácil. Fui destratada no ônibus e até na delegacia".

Procurada por Universa para tratar da dificuldade enfrentada pela vítima durante atendimento numa delegacia da mulher, a Polícia Civil do Rio de Janeiro ainda não se pronunciou.

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