Conteúdo publicado há 3 meses

PMs acusados da morte de mulher arrastada por viatura no RJ são absolvidos

Seis policiais militares acusados da morte de Claudia Silva Ferreira, arrastada por 350 metros em uma viatura em 2014 no Rio, foram absolvidos.

O que aconteceu

Legítima defesa. A investigação da Polícia Civil concluiu que o tiro que atingiu a vítima foi disparado de um ponto onde estavam os militares, mas a Justiça entendeu que os agentes agiram em legítima defesa, porque trocavam tiros com traficantes.

Decisão é de 22 de fevereiro, mas foi tornada pública nesta segunda-feira (18). "Os acusados agiram em legítima defesa para repelir injusta agressão provocada pelos criminosos, incorrendo em erro na execução, atingindo pessoa diversa da pretendida", segundo o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3º Vara Criminal do Rio de Janeiro.

Vítima foi atingida no pescoço quando ia comprar pão. Após ser baleada, a mulher foi colocada no porta-malas de uma viatura por militares para ser encaminhada a uma unidade de saúde. No trajeto, a porta abriu e ela ficou pendurada ao para-choque do veículo, tendo sido arrastada por cerca de 350 metros.

Policiais não pararam para socorrer Claudia. Os policiais foram alertados por populares que presenciaram a cena, mas não pararam para recolocá-la em segurança no porta-malas. Claudia morava no Morro da Congonha e deixou quatro filhos e o marido.

Para a Justiça, Claudia "saiu de casa e ficou na linha de frente durante o confronto armado". Juiz ainda salientou que os traficantes estavam no alto da comunidade, em um região de mata densa, o que atrapalhou a visibilidade dos policiais. Por isso, os agentes "devem responder como se tivessem atingido a pessoa pretendida, ou seja, os criminosos que atentavam contra suas vidas, sendo amparados pela excludente de ilicitude de legítima defesa".

Suspeito deve ir a julgamento popular. Além de absolver os militares, o juiz também determinou que Ronald Felipe dos Santos, apontado como o traficante que trocou tiros com os agentes no dia da morte de Claudia, vá a júri popular. Ronald é considerado foragido da Justiça.

Quem são os militares absolvidos

  • Capitão Rodrigo Medeiros Boaventura -- era o responsável pelo comando da patrulha; com a absolvição, Boaventura foi promovido para um cargo na vice-governadoria do estado do Rio e vai atuar como superintendente no órgão.
  • Sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno -- ele e Boaventura foram absolvidos da acusação de homicídio.
  • Os subtenentes reformados Adir Serrano e Rodney Archanjo, o sargento Alex Sandro da Silva e o cabo Gustavo Ribeiro Meirelles - foram absolvidos do crime de fraude processual. Para a Justiça, os agentes tentaram socorrer a vítima imediatamente ao disparo, mesmo que populares tenham agido "de modo a impedir o socorro".

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