Conteúdo publicado há 23 dias

Promotor e advogado batem boca e ameaçam agressões em tribunal no PR; veja

Um promotor de justiça do Paraná e um advogado brigaram durante uma sessão de julgamento no Tribunal de Cascavel. Vídeo do momento circula nas redes sociais.

O que aconteceu

''Safado, inventando informação. Você é um bosta, o senhor é frouxo'', disse o promotor Thiago Trevizoli Justo. O alvo das ofensas foi o advogado Renan Pacheco Canto, que defendia dois dos oito acusados em um julgamento na terça-feira (23), ao lado dos demais advogados da banca de defesa.

''Quando o senhor tiver nome no escritório, você fala comigo'', continuou o promotor nos ataques. ''Usou esse argumento infantil de que eu não tinha nome na placa, depois começou a me chamar de estagiário, menosprezando minha condição de advogado'', contou Pacheco Canto ao UOL.

A sessão julgava a morte de Ricardo Mauss, que seria um traficante conforme a denúncia do Ministério Público. ''Segundo a denúncia do Ministério, ele era um traficante rival dos nossos clientes, acusados de participação em uma organização criminosa. Esses dois grupos rivalizavam entre si de acordo com o órgão de Justiça'', explicou o advogado.

O promotor afirmou que os honorários advocatícios do defensor eram recebidos "do tráfico", e que a advocacia havia sido criminalizada. A discussão começou depois que o advogado fez uma pergunta à primeira testemunha que estava sendo ouvida. Em seguida, as ofensas verbais viraram ameaças de agressão: ''Bate na minha cara'', disse Trevizoli.

O juiz Marcelo Carneval decidiu encerrar a sessão. Após agentes da Polícia Militar precisarem intervir na situação, o magistrado afirmou que não havia como continuar com um julgamento imparcial. ''Não vai ter clima para continuar.''

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) repudiou a atitude do promotor: ''total destempero''. ''O ocorrido é gravíssimo e atinge a todos os profissionais da área, motivo pelo qual a Ordem dos Advogados do Brasil repudia veementemente todo e qualquer ataque covarde ao exercício da Advocacia.''

O Conselho Nacional do Ministério Público pediu nesta quinta-feira (25) o afastamento do promotor. O pedido também enfatiza que divergências de teses, entendimentos ou interpretação jurídica não podem ensejar ataques pessoais. A petição, feita pelos advogados Rogério Varela e Rodrigo Badaró, afirma que a conduta configura ''grave descumprimento de princípios éticos e morais''.

O UOL tenta contato com o promotor Thiago Trevizoli Justo. O espaço segue aberto para manifestação.

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Entenda o caso julgado

Cinco dois oito homens são acusados de ter matado Ricardo Mauss. Ele foi morto no próprio carro, com mais de 30 tiros, em 2020 no bairro Santa Cruz, onde havia um conflito pelo domínio do tráfico de drogas.

Os denunciados são suspeitos de integrar a organização criminosa ''Cabelos''. A ordem dada pela liderança do grupo foi a de ''eliminar seus rivais'' para dominar a região. Outras mortes foram registradas em seguida.

O Ministério Público entendeu que o crime foi praticado por motivo torpe. Além disso, o órgão disse que a forma como o homicídio foi praticado dificultou a defesa da vítima, pega desprevenida enquanto chegava na casa da sogra para buscar a esposa.

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