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Boulos critica Covas e Russomanno por promessas de auxílio: "Cara de pau"

Guilherme Boulos participa de entrevista ao SBT - Reprodução/SBT
Guilherme Boulos participa de entrevista ao SBT Imagem: Reprodução/SBT

Do UOL, em São Paulo

20/10/2020 18h10

Candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) criticou os rivais Celso Russomanno (Republicanos) e Bruno Covas (PSDB) por prometerem programas de auxílio social a um mês das eleições, durante entrevista ao SBT, realizada na tarde de hoje.

"Por exemplo: Celso Russomano está propondo isso [o auxílio] agora e votou contra a permanência do Auxílio Emergencial federal, votou para baixar de R$ 600 para R$ 300 quando deputado, é hipocrisia, incoerência", protestou Boulos. "Já o Bruno Covas, agora resolveu propor renda mínima. Ele ficou quatro anos lá [na prefeitura] e vem propor a um mês da eleição? É muita cara de pau, eu teria vergonha", completou, em seguida.

Boulos pretende criar o programa de distribuição de renda batizado de "Renda Solidária", para atender cerca de um milhão de famílias carentes ou cerca de três milhões de pessoas na capital paulista. O objetivo é distribuir o valor que deve variar entre R$ 200 e R$ 400.

"A diferença entre minha proposta e a deles [de Russomanno e Bruno Covas] se chama coerência. Eu estou propondo fazer no governo [municipal] aquilo que sempre defendi como militante social, ativista político, que é atender aos mais pobres, quem estão nas periferias", disse o candidato, que também é coordenador Nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

Tarifa zero para ônibus

Sobre propostas na área de transportes, Guilherme Boulos disse que a tarifa zero é uma de suas metas para o programa de governo, caso seja eleito.

"A tarifa zero é uma meta nossa, agora ela é um processo. Vamos começar já em janeiro ampliando as gratuidades, passe livre para o desempregado —como vai procurar emprego se não tem dinheiro para ir atrás. Passe livre para mulheres com crianças de colo e para estudantes", disse.

"Vamos botar lupa nos contratos da 'máfia dos transportes', isso vou fazer. A gente sabe que tem muito esquema. Teve CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] que mostrou. Teve gente presa da 'máfia do transporte' e a prefeitura continua dando mais R$ 4 bilhões de subsídio. Mexendo aí com certeza tem dinheiro para garantir essas gratuidades", concluiu.

Luta no MTST

Ativista social e integrante do MTST, Guilherme Boulos disse que dará continuidade a sua luta e levará propostas de apoio a moradores sem teto também para a Prefeitura de São Paulo.

"Não podemos ficar parados e aceitarmos que temos mais de 25 mil pessoas morando nas ruas de São Paulo, que é uma das cidades com maior população de rua do mundo. E ter 40 mil imóveis abandonados só no centro expandido da cidade. Tem mais casas sem gente do que gente sem casa", lamentou.

"É evidente que numa cidade com 12 milhões de habitantes, e com centenas de milhares de pessoas sem casa, você tem os movimentos de moradia sérios, dos quais faço parte com muito orgulho há vinte anos. Nos meus últimos 20 verões eu estava lutando do lado de pessoas que precisam de casa e essa luta vou levar para prefeitura de São Paulo", afirmou.

Boulos alfineta Bolsonaro

Questionado se é a favor de uma vacina contra a covid-19 obrigatória, Boulos alfinetou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e disse seguir recomendações de autoridades sanitárias

"Nesse ponto, eu sigo as recomendações das autoridades sanitárias, dos médicos. Tem presidente da República que acha que é médico, tem governador que acha que é médico e sai prescrevendo receita. Daqui pouco o CRM pega eles (sic) por exercício ilegal da medicina", ironizou.

"Numa questão como essa da vacina, eu vou seguir o que as autoridades sanitárias recomendam, que é a vacinação geral, inclusive na cidade de São Paulo utilizando toda a rede de agentes comunitários da Saúde, mais de 8 mil agentes que poderiam ter sido utilizados durante a pandemia para fazer testagem máxima, e não foram por omissão da prefeitura", ressaltou.