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Com 87% dos registros, direita domina candidaturas de policiais e militares

A partir do alto, os pré-candidatos Major Denice (PT), Patrícia Domingos (Podemos) e Capitão Wagner (PROS) - Arte/UOL
A partir do alto, os pré-candidatos Major Denice (PT), Patrícia Domingos (Podemos) e Capitão Wagner (PROS) Imagem: Arte/UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

20/10/2020 04h00

O país terá em 2020 um recorde de candidatos policiais e militares em disputas para prefeito, vice-prefeito e vereador.

Ao todo, são 7.258 postulantes a cargos públicos, com 87% deles concorrendo por partidos de direita ou centro-direita, segundo dados do Anuário da Segurança Pública, publicado no domingo pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O levantamento leva em conta policiais militares, civis, federais e rodoviários federais, além de integrantes das Forças Armadas.

O partido com mais candidatos nessa categoria é o PSL, que elegeu Jair Bolsonaro em 2018 e conta com 683 postulantes policiais e militares. O Republicanos vem atrás com 457, seguido de perto pelo PSD, que lançou 455.

A participação militar e policial pelos partidos mais à direita cresceu em comparação às eleições municipais de 2016, quando 80,4% dos postulantes eram ligados a partidos de direita e centro-direita. Em 2012, esse percentual era ainda menor: 74,4%.

No anuário, o presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, destaca o crescimento, em comparação a eleições anteriores, de candidatos alinhados à centro-direita.

"Se, em 2018, houve uma explosão de candidaturas por partidos de direita, neste pleito há o crescimento de candidaturas de centro-direita, o que pode ser lido como a volta do protagonismo de 'centrão'", diz ele. "A escolha do desembargador Kássio Nunes Marques para o STF, pelo presidente Jair Bolsonaro, seria mais uma evidência da volta deste protagonismo. De uma forma ou de outra, a Lava Jato perdeu apelo e os policiais candidatos parecem se realinhar à lógica da 'realpolitik' conservadora vigente até 2016."

Disputas por prefeituras no Nordeste

São muitos os nomes de candidatos à direita. Um deles é o deputado federal Capitão Wagner (PROS), histórico líder de policiais militares no Ceará, que tenta ser prefeito da capital cearense e conta com o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Em Manaus, o presidente também sinaliza apoio ao Coronel Menezes.

Em Aracaju, três delegados disputam o cargo, todos por partidos de direita ou centro-direta: Paulo Márcio (DC), Danielle Garcia (Cidadania) e Georlize Teles (DEM). No Recife, a delegada Patrícia Domingos (Podemos) é quem representa a direita policial na disputa pela prefeitura.

Uma das poucas exceções em partidos de esquerda, a Major Denice disputa a Prefeitura de Salvador pelo PT. Em sabatina do UOL e da Folha, no dia 15, ela afirmou não ver antagonismo entre militarismo e políticas de esquerda. "Em algum momento na nossa história alguém disse que o militarismo, as polícias militares estariam afastadas da esquerda, eu não vejo assim. A história talvez criou uma lenda", afirmou.

Ainda na capital baiana, o Pastor Sargento Isidório (Avante) representa a direita. Pelo levantamento, a lenda parece bem real.