Maioria sobrevive a acidente aéreo no Congo, diz companhia

Das agências internacionais*

A maioria das 85 pessoas a bordo de um avião que se acidentou na cidade de Goma, leste da República Democrática do Congo, sobreviveu ao desastre. É o que informam agora o governo local e a Hewa Bora Airways, empresa responsável pelo DC-9 que transportava 79 passageiros e seis tripulantes.

Inicialmente, o governador da localidade onde ocorreu o acidente, Julien Paluku, disse haver apenas seis sobreviventes a bordo, mas depois informou que 19 corpos haviam sido resgatados e que 76 feridos estavam sendo atendidos em hospitais de Goma.

Segundo a companhia aérea, até agora foram confirmadas 21 mortes, mas não se sabe quantas das vítimas estavam no avião ou em solo no momento do acidente, e número total pode passar de 30. A maioria das pessoas a bordo, no entanto, teria conseguido escapar antes que a aeronave pegasse fogo.

Dirk Cramers, diretor de marketing da Hew Bora, disse acreditar que os mortos confirmados fossem comerciantes e clientes do bairro de Birere, vizinho ao aeroporto.

"Foi uma decolagem abortada e o avião bateu no muro. Bem atrás do muro havia algumas lojas. E a maioria das vítimas é de lá", disse Cramers à agência Reuters.

A aeronave iria de Goma para Kisangani, na região central do país, mas segundo testemunhas, o avião não chegou a decolar. Derrapou na pista na hora de decolar, sob forte chuva, e acabou atingindo uma mureta de proteção e, sem seguida, casas, lojas e restaurantes da movimentada zona residencial.

Reações pós-acidente
Frederic Katemo, de 51 anos, contou que estava sentado, com o cinto de segurança apertado, quando ocorreu a batida. "Saltamos e conseguimos sair. Dava para sentir o fogo atrás da gente", contou.

O nariz do avião ficou praticamente intacto, mas o acidente espalhou pedaços de barracas de comércio e entulho de casas por uma rua do bairro de Birere. Pelo menos um prédio foi destruído, e vários ficaram em chamas. Uma enorme coluna de fumaça se ergueu do local.

Policiais congoleses e soldados da ONU tiveram dificuldades para conter a multidão de curiosos.

Histórico de insegurança
A República Democrática do Congo (antigo Zaire), gigantesca ex-colônia belga que ainda se recupera de uma longa guerra civil, tem um dos maiores índices de acidentes aéreos do mundo, inclusive em Goma, cujo aeroporto fica ao pé de um vulcão.

Fontes locais da indústria da aviação afirmam que o aeroporto é um local particularmente difícil para decolagens. Um terço da pista do aeroporto foi afetado pela lava de uma erupção vulcânica que ocorreu no local há seis anos.

Houve oito incidentes aéreos no ano passado no Congo, segundo o Acro, órgão de Genebra que registra esses incidentes. Segundo especialistas, o país, com sua frota de velhos aviões, muitos deles soviéticos, é um dos piores entre os países africanos.

A Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo) diz que a taxa de acidentes na África é seis vezes maior do que no resto do mundo, algo que a entidade considera "constrangedor."

Na semana passada, a União Européia incluiu a Hewa Bora Airways na lista de companhias aéreas proibidas de voar aos 27 países do bloco por razões de segurança.

*Informações das agências Reuters e BBC Brasil

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