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Jamaicanos pobres colocam a vida em risco para ficar com a pele mais clara

Moradora de favela em Kingston passa creme caseiro para ficar com a pele mais clara - Caterina Werner/AP
Moradora de favela em Kingston passa creme caseiro para ficar com a pele mais clara Imagem: Caterina Werner/AP

Do UOL Notícias*<br>Em São Paulo

11/04/2011 15h49

Para ficar mais parecida com a elite do país, a população mais pobre da Jamaica está fazendo tratamentos caseiros e perigosos para deixar a pele mais clara. Nas ruas das favelas de Kingston, capital jamaicana, é comum ver mulheres esfregando cremes para tentar deixar o corpo mais branco. 

A prática, porém, é perigosa por causa dos produtos utilizados. A maior parte dos cremes é pirata, contrabandeados do oeste da África, e contém substâncias como a hidroquinona, banida na Europa por causar câncer e doenças como a ocronose. 

Alguns cremes são ainda mais tóxicos porque trazem mercúrio na fórmula. Os mais pobres costumam fazer uma substância caseira que mistura pasta de dente com curry, usado na culinária. 

Os médicos e o Ministério da Saúde do país fazem campanhas para erradicar a prática, muito comum em toda a Jamaica. “Conheci uma mulher que começou a passar esses cremes no bebezinho dela. Mandei parar imediatamente, mas ela não me escutou e saiu do meu consultório”, contou o dermatologista Neil Persadsingh.

Segundo a diretora do departamento de proteção do Ministério da Saúde, Eva Lewis-Fuller, o governo tenta alertar a população predominantemente negra do país sobre os riscos do clareamento de pele. “Essas pessoas querem ser aceitas pela sociedade e ficar mais atraentes. Eles desejam mais oportunidades, mas o clareamento tem riscos altíssimos. Elas podem ficar desfiguradas”, explica.

Apesar de todas as campanhas, os jamaicanos insistem que não há nada de perigoso em clarear a pele. Mikeisha Simpson, de 23 anos, afirma querer apenas um ingresso para uma vida melhor. “Escuto as pessoas falarem que clarear a pele é ruim, mas não ligo. Não vou parar porque eu gosto e sei fazer de uma maneira segura”, garante a jovem, que mora em um bairro pobre de Kingston.

*Com informações da AP.

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