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Em represália à votação da ONU, Israel anuncia a construção de 3.000 novas casas em colônias

Do UOL, em São Paulo

30/11/2012 16h39

O governo de Israel anunciou nesta sexta-feira (30) que irá autorizar a construção de 3.000 novas casas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, em aparente represália à decisão da ONU (Organização das Nações Unidas) de reconhecer a Palestina como Estado observador.

A autoridade israelense, que falou sob condição de anonimato, disse que o governo conservador do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, autorizou a construção das moradias e ordenou o "zoneamento preliminar e planejamento de (outras) milhares".

Diante da ameaça à construção do Estado da Palestina, o presidente palestino, Mahmud Abbas, pediu a retomada das negociações com Israel e o fim da colonização. "Disse mil vezes que queremos retomar as negociações e estamos dispostos a fazê-lo (...)", disse ele.

Tensão entre palestinos e israelenses
Tensão entre palestinos e israelenses
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"Não impomos condições, mas existem não menos que 15 resoluções da ONU que consideram que a colonização é ilegal e um obstáculo para a paz (...) Por que (os israelenses) não suspendem a colonização?".

O integrante do governo israelense não deu mais informações sobre a proposta, mas a imprensa local disse que o país busca reforçar domesticamente sua rejeição à aprovação na Assembleia Geral da ONU da elevação do status palestino na entidade para "Estado observador não-membro" --uma resolução a que Israel e Washington se opuseram.

"Netanyahu decidiu construir 3.000 novos alojamentos em Jerusalém Oriental e nas colônias da Cisjordânia, em resposta à iniciativa palestina na ONU", postou Barak Ravid, em hebraico, em sua conta no Twitter @BarakRavid, citando "um líder político".

Ravid afirmou ainda que "apesar da promessa que fez ao presidente americano, Barack Obama, o primeiro-ministro Netanyahu deu uma ordem para que sejam mantidas as construções na zona E1 entre Maalé Adumim e Jerusalém, o que vai isolar a parte norte da Cisjordânia de sua região meridional."

Paralisado há anos sob pressão americana, este polêmico projeto visa criar uma ligação territorial entre Maalé Adumim (35 mil habitantes) e as colônias de Jerusalém Oriental, ocupada e anexada desde 1967. Ambas as regiões estão a cerca de 10 km de distância uma da outra.

Israel considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital indivisível e quer manter faixas de assentamentos na Cisjordânia sob qualquer eventual tratado de paz com palestinos. Mas a maioria das potências mundiais consideram os assentamentos ilegais por serem em terras capturadas pelo país na Guerra dos Seis Dias (1967).

A proposta também foi denunciada com veemência pelos palestinos por praticamente dividir em duas a Cisjordânia, além de comprometer a viabilidade de um Estado da Palestina. A nação quer que seu Estado inclua a Faixa de Gaza, que Israel desocupou em 2005 e agora é governada por islâmicos do grupo extremista Hamas.

Em entrevista à AFP, Hanane Ashraui, membro do Comitê Executivo da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), disse que a decisão de Israel "trata-se de uma agressão israelense a um Estado, e o mundo deve assumir suas responsabilidades". "O que foi anunciado hoje faz parte de um plano de colonização global", completou ele.

Decisão da ONU

Ontem (29), dos Estados membros com direito a voto no plenário, 138 concordaram com a proposta de dar à Palestina o status de Estado observador e apenas nove foram contrários à decisão (EUA, Israel, Canadá, República Tcheca, Palau, Nauru, Micronésia, Ilhas Marshall e Panamá). Outros 41 países se abstiveram.

Depois da votação, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que após um dia que qualificou de "histórico" é "urgente" que palestinos e israelenses retomem "negociações" diretas. "Acho que os palestinos têm seu legítimo direito a ter seu próprio Estado independente e Israel tem direito a viver com segurança dentro de suas fronteiras", ressaltou Ban, que reiterou que "não pode haver substitutos às negociações diretas".

Os EUA, por sua vez, criticaram o novo status concedido à Palestina. "É uma resolução infeliz e por isso votamos contra", afirmou a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Susan Rice, que classificou a decisão de "contraproducente".

No discurso que precedeu o pleito, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmou que a Palestina "acredita na paz" e que a comunidade internacional está diante da "última oportunidade" para a solução dos conflitos entre os dois Estados.

Divergência entre Israel e palestinos

A decisão da ONU, segundo Netanyahu, não provocaria "nenhuma mudança no terreno". "Não haverá Estado palestino sem acordos garantindo a segurança dos cidadãos de Israel."

O primeiro-ministro, que denunciou a votação da Assembleia Geral e rejeitou o discurso do presidente palestino Mahmud Abbas, criticando-o por "não se expressar como um homem que ama a paz", foi acusado pela oposição de seu país de não dissuadir os palestinos de seu projeto.

Embora nos últimos dias alguns altos funcionários israelenses tenham dado a entender que Israel não adotaria medidas de retaliação nem questionaria os acordos firmados com os palestinos, o vice-primeiro-ministro, Sylvan Shalom, já vinha fazendo ameaças.

Shalom, um "falcão" que ocupa o terceiro lugar na lista do partido de Netanyahu, o Likud (direita), para as próximas eleições de 22 de janeiro, acusou o presidente palestino de "uma iniciativa unilateral contrária aos Acordos de Oslo". "A violação desses acordos (...) significa que Israel pode também tomar iniciativas unilaterais como a aplicação de soberania israelense nos territórios e conectar Ma'aleh Adumim a Jerusalém", disse ele.

Israel poderia ainda bloquear os impostos que coleta para a Autoridade Palestina ou reduzir o número de autorizações de trabalho para palestinos. "Vamos responder em tempo hábil, porque nós realmente assistimos a uma violação dos acordos", acrescentou o ministro de Assuntos Estratégicos, Moshe Yaalon.

"Israel perdeu hoje, com o reconhecimento na ONU, todas as conquistas que obtivemos através da negociação", lamentou o ex-ministro das Relações Exteriores, Tzipi Livni, que lançou esta semana um partido centrista. "Este é o resultado de uma política equivocada, de quatro anos de impasse político, de discursos e acusações do governo de Netanyahu (...) que minaram Israel e nossos interesses de segurança", argumentou Livni.

* Com informação das agências internacionais.

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