Católicos não devem tentar converter judeus, diz Vaticano

Da Reuters, na Cidade do Vaticano

  • Tony Gentile/Reuters

    O cardeal Kurt Koch (dir) e o rabino David Tosen falam sobre documento sobre relações judaico-cristãs, no Vaticano

    O cardeal Kurt Koch (dir) e o rabino David Tosen falam sobre documento sobre relações judaico-cristãs, no Vaticano

Católicos não devem tentar converter judeus e devem trabalhar com eles contra o antissemitismo, disse o Vaticano nesta quinta-feira (10) em um novo documento que representa um avanço nas relações entre as duas religiões monoteístas.

O cristianismo e o judaísmo estão correlacionados, e Deus nunca anulou sua aliança com o povo judaico, diz ainda o documento elaborado pela Comissão de Relações Religiosas com Judeus, do Vaticano.

"A Igreja Católica está assim obrigada a ver a evangelização de judeus, que acreditam no Deus único, de uma maneira diferente daquela de pessoas de outras religiões e visões de mundo", diz o texto. 

O documento afirma ainda que católicos devem ser mais sensíveis ao significado do Holocausto para os judeus e se comprometerem a "fazer todo o possível com nossos amigos judeus para repelir tendências antissemitas".

"Um cristão nunca pode ser antissemita, especialmente por causa das raízes judaicas do cristianismo", diz. 

A divulgação do documento coincide com o 50º aniversário de uma declaração do Vaticano que repudiou o conceito de culpa coletiva dos judeus pela morte de Jesus e lançou um diálogo teológico que tradicionalistas rejeitaram. 

Especialistas em relações judaico-cristãs afirmaram que é a primeira vez que o repúdio à conversão de judeus foi tão claramente exposta em um documento do Vaticano. 

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