Macron e Le Pen devem disputar 2° turno pela presidência da França, apontam pesquisas

Do UOL, em São Paulo

  • Anne Christine Poujolat/AFP

    Fila em centro eleitoral em Marselha, no sul da França

    Fila em centro eleitoral em Marselha, no sul da França

O centrista Emmanuel Macron e a líder de extrema-direita Marine Le Pen estão à frente da eleição presidencial da França e devem passar para o segundo turno, segundo pesquisas de boca de urna. Os institutos Kantar Sofres Onepoint e a Ipsos-Steria divulgaram as estimativas com o fim do horário de votação às 20h (15h de Brasília).

Ambos candidatos contam com 23% dos votos, segundo o jornal Le Figaro que consultou a Sofres Onepoint Kantar. O outro instituto, de acordo com o Le Monde, informou que Macron está com 23,7% e Le Pen, 21,7%. A contagem dos votos continua e deverá anunciar o resultado ainda neste domingo (23). 

Quase 47 milhões de franceses foram às urnas neste domingo para o primeiro turno da eleição presidencial. 

Estas são as eleições de resultado mais imprevisível da história recente da França, com uma disputa muito acirrada entre quatro dos 11 candidatos.

O centrista Emmanuel Macron e a líder de extrema-direita Marine Le Pen lideravam as pesquisas de intenção de voto publicadas na sexta-feira (21), mas o conservador François Fillon e o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon estavam muito próximos.

Após os primeiros resultados, o socialista Benoît Hamon e François Fillon já assumiram sua derrota em primeiro turno. Ambos candidatos declaram apoio a Macron.

Este resultado representa um revés para os partidos tradicionais que se alternaram no poder durante décadas: o socialista, do presidente em fim de mandato François Hollande, e os conservadores, liderados por François Fillon.

Martin Bureau/Pool/Reuters

Novidade à frente da França

Qualquer um dos dois candidatos fará história: Macron como o presidente mais jovem da França e Le Pen como a primeira mulher chefe de Estado no país.

As pesquisas realizadas antes das eleições deste domingo davam a vitória a Macron no segundo turno, em 7 de maio, contra Le Pen.

Caso as estimativas se concretizem, seria um alívio para a União Europeia (UE). Macron, ex-ministro da Economia do presidente socialista François Hollande, fez uma campanha com um programa abertamente europeísta e liberal.

No caso da vitória de Marine Le Pen, se aproximaria um período de grande incerteza para a UE devido a sua defesa da saída da zona do euro, que poderia supor um golpe fatal a um bloco já enfraquecido pelo Brexit.

A ultradireitista se beneficiou da mesma onda populista que impulsionou a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional".

A ida destes dois candidatos para o segundo turno confirma os que as pesquisas vinham anunciando há semanas, embora o suspense tenha se mantido até o último minuto devido à curta distância em relação aos dois principais rivais: François Fillon e Jean-Luc Mélenchon.

Martin Bureau/AFP Photo

País foi às urnas sob ameaça terrorista

Apesar da ameaça de atentados extremistas que pairava sobre estas eleições, os franceses não se amedrontaram e compareceram em massa às urnas. A participação foi uma das mais altas dos últimos 40 anos.

A reta final da campanha foi abalada nesta semana por um atentado na emblemática avenida Champs Elysées de Paris e pela descoberta de um atentado iminente, em um país traumatizado por uma onda de ataques extremistas que deixaram mais de 230 mortos desde 2015.

Neste clima de tensão máxima, as autoridades não pouparam em termos de segurança em todo o território, com o envio de mais de 50.000 policiais e gendarmes, que contaram com a ajuda de 7.000 militares.

A nível interno, estas eleições são consideradas cruciais em um país com uma economia golpeada pelo desemprego e por um crescimento que não avança desde a crise de 2008.

A corrida ao Palácio do Eliseu foi atípica. Enfraquecido por uma impopularidade recorde, Hollande foi obrigado a renunciar de concorrer novamente, algo nunca visto na França em mais de 60 anos.

Seu primeiro-ministro, Manuel Valls, foi eliminado nas primárias socialistas, nas quais venceu um candidato mais à esquerda, Benoît Hamon, o grande derrotado do dia.

A campanha esteve marcada também pelos problemas judiciais de vários candidatos, o que relegou ao segundo plano o debate das questões importantes.

François Fillon perdeu sua condição de favorito depois que a imprensa revelou que sua esposa, Penelope, e dois de seus cinco filhos se beneficiaram de empregos públicos supostamente fictícios, pelos quais receberam centenas de milhares de euros.

Indiciado por desvio de recursos públicos e apropriação indébita de bens sociais, Fillon, que alega inocência, não abriu mão da candidatura.

Mas ele não foi o único com problemas com a Justiça. Marine Le Pen também é objeto de uma investigação por supostos empregos fictícios no Parlamento Europeu, onde ocupa uma cadeira, e por supostas irregularidades no financiamento de campanhas passadas.

Entretanto, ela se nega a ser interrogada pela justiça, invocando sua imunidade parlamentar.

A última surpresa veio da esquerda radical. Mélenchon, um ex-socialista que virou o símbolo do partido "França Insubmissa", subiu nas pesquisas com um discurso combativo contra o que ele considera "a casta" política.

Este admirador do venezuelano Hugo Chávez e do cubano Fidel Castro estava disposto a ignorar a UE caso não colocasse fim à política de austeridade.

Macron e Le Pen disporão agora de 15 dias para convencer os 47 milhões de eleitores de que são a melhor opção para comandar o país.

Aquele que vencer logo terá que criar alianças visando as legislativas de junho, que ocorrem em dois turnos, e que até então favoreceram os partidos tradicionais.

Christian Hartmann/Reuters

Estado de emergência

A França montou um esquema excepcional de segurança para as eleições, as primeiras de sua história realizadas sob estado de emergência, decretado após os atentados de 13 de novembro de 2015.

A ameaça jihadista levou o governo a mobilizar 50 mil agentes e sete mil soldados para trabalhar no esquema de segurança.

O ataque da última quinta-feira (20) na Champs-Élysées, no qual um policial morreu e outros dois ficaram feridos, e a detenção de duas pessoas em Marselha (sul da França) que planejavam um atentado voltaram a evidenciar que o país está na mira dos terroristas.

Apesar de grande, o esquema de segurança para o dia das eleições era insuficiente para designar uma viatura para cada um dos quase 67 mil colégios aos quais estavam convocados a votar quase 47 milhões de franceses.

Muitas cidades contrataram serviços particulares de segurança, e as viaturas policiais faziam rondas pelos diferentes colégios eleitorais.

Em Besançon, 410 km a sudeste de Paris, dois locais de votação foram fechados por um breve período após a Polícia ter descoberto uma carabina em um carro estacionado nas proximidades. No entanto, a Secretaria de Segurança Pública do departamento de Doubs afirmou tratar-se de um caso de "direito comum".  

O veículo foi visto por volta de 10h (horário local), com o motor ligado, enquanto dois homens fugiam. Um caso semelhante ocorreu em Saint-Omer, 260 km ao norte da capital, onde um automóvel suspeito provocou o esvaziamento de dois colégios eleitorais. O carro estava com os vidros abertos, cheio de pessoas e com placa estrangeira. Contudo, a Polícia verificou que não havia nada de anormal. 

(Com agências internacionais)

 

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