Vídeo do momento da explosão indica que explosivos estavam na mesquita de Mosul

Do UOL, em São Paulo

Um vídeo de câmera de segurança divulgado pelo jornal "The New York Times" nesta sexta-feira (23) mostra o momento em que a histórica mesquita de Al-Nouri é destruída por explosão ocorrida na última quarta-feira (21). As imagens sugerem que os explosivos estariam no interior da construção, o que derrubaria o argumento do Estado Islâmico de que um ataque aéreo teria provocado a destruição.

No momento da explosão, os destroços e fumaça se espalham do minarete para os lados, o que sugere que os explosivos estariam em seu interior. Além disso, os destroços da mesquita são lançados para cima com a explosão. As construções são originalmente do século 12.

Foi na Grande Mesquita de Mosul que o líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou seu "califado" em 2014, em uma rara aparição pública.

Ahmad al-Rubaye/AFP
24.mai.2017 - Vista do minarete inclinado de Hadba e a mesquita de Al-Nouri na Cidade Velha de Mosul

A mesquita é vista como um prêmio simbólico na luta pelo controle da segunda maior cidade iraquiana.

Numa mensagem publicada na agência de notícias Amaq, ligada ao grupo extremista, após o anúncio do ministério iraquiano, o EI acusou à coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, de destruir a mesquita num bombardeio. A coalizão nega a acusação e afirma que não realizou ataques aéreos na região no momento da destruição.

Horas antes da destruição, as forças iraquianas anunciaram que estavam prontas para invadir a mesquita.

"Nossas forças estavam avançando [...] na Cidade Velha quando, após terem chegado a 50 metros da mesquita Al Nuri, o Daesh [acrônimo em árabe do EI] cometeu um novo crime histórico, ao fazer explodir a mesquita de Al Nuri e a 'hadba'", declarou o general Abdulamir Yarallah em um comunicado.

Segundo a ONU, o EI poderia estar usando mais de 100 mil pessoas como escudos humanos na região.

Furqan Media/EPA/EFE
5.jul.2014 - O líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, na Grande Mesquita de Mosul, no Iraque
A bandeira negra do Estado Islâmico estava hasteada no minarete de 45 metros de altura desde junho de 2014, quando combatentes do grupo irromperam por todo o país e ocuparam vastas porções de seu território.

Os terroristas preferiram explodir a mesquita a ver sua bandeira retirada pelas forças apoiadas pelos Estados Unidos que lutam no labirinto de vielas e ruas estreitas da Cidade Velha, o último bairro de Mosul ainda controlado pelo Estado Islâmico.

"De manhã cedo, subi no telhado de minha casa e fiquei chocado de ver que o minarete Hadba havia desaparecido", disse Nashwan, trabalhador diarista que mora no bairro de Khazraj, próximo da mesquita. "Rompi em lágrimas. Senti que tinha perdido um filho."

O departamento de mídia dos militares iraquianos distribuiu uma foto tirada do ar que mostra a mesquita e o minarete praticamente reduzidos a escombros entre as pequenas casas e vielas estreitas da Cidade Velha. Um vídeo publicado em uma rede social mostrou o minarete tombando verticalmente e levantando uma nuvem de areia e poeira.

"As forças de segurança do Iraque continuam a avançar sobre o território ainda em mãos do Estado Islâmico", disse o coronel do Exército norte-americano Ryan Dillon, porta-voz da coalizão internacional liderada pelos EUA que auxilia o esforço iraquiano para derrotar a facção.

"Ainda há dois quilômetros quadrados no oeste de Mosul antes de a cidade inteira ser liberada", disse ele.

Para muitos, a destruição do minarete marcou o colapso definitivo do domínio do Estado Islâmico em Mosul e um presságio de sua derrota em todo o Iraque.

"Explodir o minarete Al-Hadba e a mesquita de Al-Nuri equivale a um reconhecimento oficial da derrota", disse o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, na quinta-feira em seu site.

O governo do Iraque chegou a anunciar a liberação de Mosul em janeiro de 2017, mas a operação persiste até hoje.

Vivo ou morto

A coalizão liderada pelos Estados Unidos que combate o Estado Islâmico disse nesta sexta-feira (23) que não tem nenhuma evidência concreta sobre se o líder máximo do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, está morto ou vivo, mas minimizou qualquer importância que ele possa ter nos campos de batalha no Iraque e na Síria.

"Nós certamente sabemos que se ele ainda está vivo, nós presumimos que ele não esteja sendo capaz de influenciar o que está acontecendo atualmente em Raqqa ou Mosul ou em geral no Estado Islâmico, na medida que eles continuam a perder seu califado físico", disse o porta-voz da coalizão, o coronel do Exército dos EUA Ryan Dillon, durante uma coletiva de imprensa no Pentágono.

"Tendo dito isso, nós também não temos nenhuma evidência concreta sobre se ele está ou não morto." (Com as agências internacionais)

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