General Bósnio-croata morreu de ataque cardíaco causado por cianureto

Do UOL, em São Paulo

O militar bósnio-croata Slobodan Praljak, que se suicidou na quarta-feira (29) diante dos juízes do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) em Haia, morreu de um ataque cardíaco provocado por cianureto, anunciou nesta sexta-feira a Promotoria holandesa.

"Os resultados preliminares das análises toxicológicas mostraram que Praljak tinha uma grande concentração de cianureto no sangue", explicou a Promotoria em comunicado. "Isso provocou uma insuficiência cardíaca, o que se observa como possível causa de sua morte".

O TPII abriu nesta sexta-feira uma investigação interna sobre a morte do militar. "Para completar a investigação holandesa em curso sobre a morte de Slobodan Praljak, o secretário judicial do TPII abriu uma investigação independente centrada das operações interna do TPII", anunciou o tribunal em um comunicado.

ICTY via AP
29.nov.2017 - Slobodan Praljak coloca uma pequena garrafa em sua boca durante julgamento em tribunal de Haia, na Holanda

O ex-oficial do Exército croata, de 72 anos, morreu após ingerir veneno na sala de audiências do TPII, em Haia, quando o tribunal se dispunha a emitir sua última sentença antes do encerramento de suas atividades em dezembro. O réu gritou "Praljak não é um criminoso" e "Rejeito seu veredicto", declarou ele ao tribunal, que confirmou sua sentença de 20 anos de prisão. Em seguida, ele tirou um frasco do bolso, tragando seu conteúdo diante das câmeras.

Funcionários do tribunal correram para atender Praljak, e o presidente da corte, Carmel Agius, ordenou a suspensão da audiência. Minutos depois, chegava uma ambulância, e um helicóptero sobrevoava a área. Slobodan Praljak não resistiu e morreu em um hospital de Haia.

A sala de audiência onde aconteceu o incidente foi declarada "cena de crime" e "uma investigação foi aberta pela polícia holandesa".

Pralijak foi comandante do Estado-Maior das forças de Defesa croatas de Bósnia (HVO). Ele foi considerado culpado por ter sido informado de que fiéis muçulmanos estavam sendo detidos por soldados e levados para a cidade de Prozor no verão de 1993 e por não ter feito nada para impedir isso. Também não agiu ao saber que havia planos de matá-los, assim como por saber de ataques a membros de organizações internacionais e a locais no leste de Mostar, como mesquitas.

O Tribunal Penal Internacional da Guerra da Bósnia foi instaurado em 1993, quando o conflito ainda estava em curso, para julgar atrocidades cometidas durante esse período. Os julgamentos se concentraram em grande parte no papel da Sérvia no conflito, mas mostraram que a Croácia também promoveu uma limpeza étnica para assumir o controle de territórios bósnios.

Ao longo de 24 anos, foram indiciados 161 suspeitos, dos quais 90 foram condenados. A sessão desta quarta-feira era parte do último caso a ser julgado antes da corte especial ser encerrada no próximo mês. (Com as agências internacionais)

 

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