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Exército dos EUA cria simulador de tiroteio para ensinar professores a agir durante ataques a escolas

Cole Engineering Services, Inc./AP
Imagem: Cole Engineering Services, Inc./AP

Curt Anderson

Da Associated Press, em Orlando (EUA)

29/12/2017 19h24

Com um fuzil de assalto, o atirador dispara rapidamente pela porta da frente de uma escola primária e sai correndo pelas escadas. Crianças, em prantos, correm para salvar suas vidas ou permanecem estáticas em pânico. Professores tentam decidir rapidamente: erguer uma barricada na porta ou tentar escapar com seus alunos. Policiais chegam com armas em punho e eliminam a ameaça. 

Esse é o cenário de um simulador criado nos Estados Unidos para orientar professores e educadores sobre como agir no caso de ataques a tiros a escolas e instituições de ensino. A ação é reproduzida em um computador por meio de realidade virtual -- como em um jogo de videogame.

O simulador foi desenvolvido pelo exército americano e pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. Eles usaram o que há de mais moderno em tecnologia para jogos eletrônicos e animações. Seus criadores dizem que o objetivo do programa é aumentar a segurança nas escolas.

Instituições de ensino americanas já foram palco de diversos ataques de atiradores, entre eles adolescentes que tiveram acesso a armas de fogo. 

"Os professores não esperavam participar de uma simulação em que houvesse balas voando perto deles. Infelizmente, isso está se tornando uma realidade", diz Tamara Griffith, engenheira-chefe do projeto. "Queremos ensinar os professores a agirem nesses casos como se fossem socorristas."

O programa de US$ 5,6 milhões - chamado de Ambiente de Dinâmica Geosocial Aumentada (EDGE, na sigla em inglês), é similar àqueles usados pelo exército para treinar soldados em táticas de combate e cenários, usando um ambiente virtual. 

Originalmente desenvolvido para treinar policiais e bombeiros, a versão para civis é agora estendida a escolas, de forma a permitir que professores e funcionários estejam preparados em casos de tiroteios. O Departamento de Segurança Interna diz que a versão escolar deve ser lançada até meados de 2018. 

Simulação para tiroteios - Cole Engineering Services, Inc./AP - Cole Engineering Services, Inc./AP
Frame mostra simulação feita para treinar professores em caso de tiroteio
Imagem: Cole Engineering Services, Inc./AP

Ao participar da simulação, é possível escolher entre diversos personagens e ações - é possível, inclusive, ser o atirador, diz o gerente de projetos Bob Walker. Por exemplo, como professor, há sete opções diferentes a se escolher para manter os estudantes a salvo - e pode acontecer de um deles não responder por estar com muito medo, aumentando assim os problemas a serem resolvidos. 

"Quando você escutar as crianças, os gritos, fica muito, muito real", diz Walker. 

O atirador, por sua vez, pode ser um adulto ou uma criança. "Precisamos nos preocupar tanto com adultos quanto com crianças como possíveis suspeitos", acrescenta. 

A pesquisa por trás do simulador

Segundo Griffith, os programadores responsáveis pela simulação assistiram a uma série de vídeos de situações reais para captar a confusão e o caos instalados em episódios tão assustadores. Também conversaram com a mãe de uma criança morta em 2012, no tiroteio em massa da escola primária Sandy Hook, em Newtown, Connecticut. A mãe detalhou tudo o que aconteceu naquele dia trágico. 

"Dá arrepio pensar no que aconteceu quando assistimos aos vídeos", diz Griffith. "É devastador ouvir essa mãe e saber pelo que ela passou."

Mas tudo serve a um objetivo final: treinar educadores para salvarem vidas quando um ataque armado entrar pela porta da escola.

Outro programa EDGE, lançado em junho, teve como cenário um atirador em um hotel de 26 andares, que oferecia ambientes diversos para o treinamento, como um centro de conferências, um restaurante e escritórios. Até 60 pessoas podem treinar ao mesmo tempo usando o simulador, localizadas (virtualmente) em qualquer um desses ambientes. 

"O simulador é também importante por permitir, por exemplo, que policiais e bombeiros treinem juntos", escreveu Milt Nenneman, gerente de programa, em um artigo publicado recentemente pelo Departamento de Justiça. "Raramente eles têm a oportunidade de fazer isso na vida real e é difícil tirá-los da rotina de cada função."

Defensores da segurança nas escolas dizem que treinamentos são empurrados com a barriga até que uma tragédia aconteça. Amanda Klinger, diretora de operações da ONG Educators School Safety Network (Rede de Educadores pela Segurança nas Escolas, em tradução livre), espera que o simulador ajude a mudar esse quadro.

"Espero que as pessoas vejam essa ferramenta como uma forma legal e engajadora de pensar na segurança nas escolas", diz ela. 

*O repórter da AP Joshua Replogle contribuiu para a reportagem

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