Você saberia reconhecer um integrante da Yakuza?

Do UOL, em São Paulo

  • AFP PHOTO / THAI ROYAL POLICE

A origem da Yakuza, a famosa máfia japonesa, remonta ao século 17, com os samurais que ficaram desempregados e passaram a roubar e ofertar proteção. A polícia japonesa estima que, até 2016, a organização teria 39.100 integrantes.

Um de seus integrantes antigos, Shineharu Shirai, 74, foi preso na Tailândia depois que suas tatuagens foram fotografadas e postadas nas redes sociais, facilitando a sua identificação. 

Reuters

Como você pode dizer que um integrante é da Yakuza?

Os integrantes da máfia japonesa são conhecidos por terem o corpo coberto de tatuagens, principalmente peito, braços e costas. Está é uma das razões pelas quais tatuagens são tão estigmatizadas no Japão. Muitas piscinas públicas proíbem pessoas tatuadas de frequentar os locais. Alguns integrantes costumam tatuar o emblema de suas facções no peito.

Antes da criação da agulha elétrica, eles eram tatuados em um processo doloroso chamado "tebori", que é algo como "esculpir com as mãos". Quanto mais tatuado era um yakuza, mais ele demonstrava que poderia suportar uma grande dor.

Além disso, o grupo é tradicionalmente conhecido por amputar o dedo --ou parte dele-- em um ritual chamado "yubitsume" (uma forma de ser punido ou demonstrar remorso e desculpas sinceras). O ritual é feito ainda como pagamento de dívidas. O mais comum é que o dedo mindinho seja cortado parcialmente ou inteiro. É possível ainda perder o dedo por causa de outra pessoa.

Tanto as tatuagens como os dedos cortados são mais comuns entre os integrantes mais antigos. Os mais novos evitam a tradição para não atrair mais atenção.

O que é a Yakuza hoje?

A Yakuza tem relações com quadrilhas criminosas na Ásia, Europa e América, onde utiliza empresas legítimas dos setores de construção, bens imobiliários e finanças, entre outros, para lavar dinheiro e ocultar os lucros de suas atividades ilegais.

O Japão atualmente tem mais de 22 grupos ligados ao crime organizado. Eles possuem prédios de escritórios, logotipos corporativos, cartões de visita e até mesmo plano de aposentadoria. Os grupos são regulados pela lei japonesa, mas não são banidos.

As facções da yakuza, nascidas em sua maioria do mundo do jogo e que ainda baseiam nele muitos de seus ritos, não são por si sós organizações ilegais. Estão muito integradas à cultura popular japonesa, que exalta alguns de seus valores, como a lealdade e seus rígidos códigos de conduta, e parte de suas atividades é legítima.

Os grupos são estruturados uma família formada somente por homens, com a figura paterna na liderança, e seus "filhos" --os integrantes da facção-- jurando lealdade absoluta ao pai e a seus irmãos mais velhos, mesmo que isto custe a própria vida.

Como outras máfias, a Yakuza japonesa tem negócios de tráfico de pessoas, extorsão contra grandes empresas ou venda de drogas. O faturamento milionário da organização vem ainda dos "pachinko" (jogos de azar). Estima-se que a receita seja muito maior que as das máfias russa e italiana.

Atualmente o grupo possui "centenas de companhias" de primeira linha em Tóquio e Osaka (sul do Japão) dos setores imobiliário, financeiro, de hotelaria e restauração e de entretenimento, assim como "amplas conexões" com a política japonesa.

A palavra "yakuza" continua sendo tabu no Japão, onde muitos cidadãos evitam pronunciá-la em público e preferem manter distância de seus membros. (Com agências internacionais)

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