PUBLICIDADE
Topo

Na ONU, líder de Cuba defende Maduro e diz que Lula é preso político

26.set.2018 - Na ONU, Díaz-Canel defendeu Lula e criticou Trump e o capitalismo - Richard Drew/AP
26.set.2018 - Na ONU, Díaz-Canel defendeu Lula e criticou Trump e o capitalismo Imagem: Richard Drew/AP

Do UOL

Em São Paulo

26/09/2018 14h16

Em sua estreia à frente da Assembleia Geral da ONU, o líder de Cuba Miguel Díaz-Canel citou o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso nesta quarta-feira (26).

Denunciamos o encarceramento com fins políticos do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva, e a decisão de impedir ao povo votar e eleger para a Presidência o Iíder mais popular do Brasil

O ex-presidente está preso desde abril, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

A menção ao petista fez parte da lista do que Díaz-Canel vê como tentativas exteriores de desestabilizar governos nacionais, e incluiu a Nicarágua nesse rol. O país centro-americano vive uma onda de assassinatos e protestos desde abril, com estudantes e opositores pedindo a saída de Daniel Ortega do poder.

Apoio a Maduro

O líder cubano também reiterou seu respaldo ao governo venezuelano e rechaçou as declarações feitas por Trump na sessão de terça-feira.

Cuba brinda seu absoluto respaldo a Venezuela e ao governo conduzido por Nicolás Maduro

O presidente dos EUA havia dito que 'o mundo deveria resistir ao socialismo', e que o sistema era culpado pela 'bancarrota' em que vive a Venezuela. Em crise econômica, a Venezuela produz uma das maiores ondas migratórias da América Latina, com milhares de venezuelanos procurando trabalho em países vizinhos -- incluindo o Brasil.

"A fome, a pobreza, o analfabetismo não são frutos do socialismo. São consequências do capitalismo, do neoliberalismo e do colonialismo", disse o cubano.

Cuba pede fim ao bloqueio

Díaz-Canel também aproveitou o tempo na tribuna para pedir fim ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há décadas.

"Vamos seguir pedindo, sem descanso, o fim do bloqueio cruel dos EUA a Cuba", disse o representante da ilha, ao afirmar que este é o principal obstáculo ao desenvolvimento do país.

O líder cubano citou a nova Constituição que está sendo preparada na ilha, mas diminuiu o peso das mudanças.

"Somos a continuidade, não a ruptura. A Cuba em nome da qual falo hoje é orgulhosa continuadora dessa politica independente, soberana, fraternal e solidária com os pobres da terra, produtores de toda a riqueza do planeta, embora a injusta ordem global os castigue com a miséria, em nome de palavras como democracia, liberdade e direitos humanos, que os poderosos, na realidade, tem esvaziado de conteúdo", disse.

"O povo cubano jamais voltará ao passado. O caráter socialista de nossa revolução é, e sempre será, irrevogável”, completou.

Entre outros pontos que ele citou rapidamente, ele condenou a "barbárie" das forças israelenses e disse apoiar uma solução pacífica na Síria. Também pediu o cumprimento do acordo nuclear com o Irã e criticou as sanções à Coreia do Norte

Esta é a sexta vez que um líder cubano discursa na Assembleia Geral da ONU desde a revolução de 1969. Fidel foi o primeiro a falar em uma sessão do maior fórum das Nações Unidas em 1960, ato que se repetiu em 1979, 1995 e 2000.

Já Raúl Castro, que comandou o país de 2008 até 2018, foi à ONU apenas em 2015, pouco depois do anúncio da reaproximação diplomática entre Cuba e EUA.