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Presidente argentino Mauricio Macri diz que recebeu ligação de Bolsonaro

Andres Stapff/Reuters
Imagem: Andres Stapff/Reuters

Luciana Taddeo

Colaboração para o UOL, em Buenos Aires

16/10/2018 13h40

O gabinete de imprensa da Presidência argentina disse nesta terça-feira (16) que Maurício Macri, presidente do país vizinho, recebeu nesta manhã uma ligação do candidato à Presidência do Brasil Jair Bolsonaro (PSL).

O comunicado diz que eles mantiveram uma "conversa cordial no marco do processo eleitoral do Brasil", sobre a relação entre os dois países.

O texto não dá mais detalhes sobre o diálogo.

Em 2016, Bolsonaro havia se manifestado favoravelmente a Macri, dizendo que o governo diminuiu a inflação na Argentina. Em 2018, com o peso argentino desvalorizado e a inflação em tendência de alta, o país pediu ajuda ao FMI.

Na segunda-feira passada (8), o chanceler argentino Jorge Faurie disse que um dos assuntos importantes da reunião de gabinete do dia tinha sido o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras.

Ele afirmou que os resultados eram “particularmente significativos”, não somente pela proximidade geográfica e laços históricos, mas principalmente pela vinculação dos processos econômicos de ambos os países.

Na ocasião, o ministro argentino afirmou que a Argentina demonstrou nos “dois ou três últimos anos” ter interesse na consolidação da institucionalidade brasileira em benefício dos brasileiros, dos países da região, e dos vínculos econômicos entre a Argentina e Brasil.

“Foi um resultado claro, nítido, no qual o povo brasileiro se expressou”, afirmou sobre o primeiro turno. “A Argentina quer que o candidato que for o vencedor no dia 28 de outubro seja aquele que permita ao Brasil consolidar sua democracia, sua institucionalidade e sua economia”, expressou. Segundo ele, uma das expressões de voto foi “claramente para uma nova figura, que emerge ou ganha uma notoriedade dentro da vida política brasileira”.

O ministro manifestou ainda que o governo quer “continuar o diálogo com as forças políticas e principalmente com os candidatos representativos”. Faurie afirmou ainda que os brasileiros “fizeram seu exercício democrático com total liberdade e um posicionamento que olha para o futuro e não para o passado”.

Quando questionado por um jornalista argentino sobre se seria mais cômodo ter como interlocutor o segundo colocado do primeiro turno, Fernando Haddad (PT), a quem Macri já conhece [da época em que ambos eram prefeitos, Macri da cidade de Buenos Aires e Haddad, de São Paulo], diante da figura “polêmica” de Bolsonaro, o chanceler argentino afirmou que na relação entre as nações, as eleições não são feitas em função do que é mais fácil ou prazeroso.

“A vida em democracia significa, no mundo das relações internacionais, que aceitamos a vontade do povo que elege o dirigente que eleger, e os países que temos interesses, somos sócios e estamos vinculados temos que trabalhar para estar a favor dos nossos próprios interesses e da identidade dos interesses do povo que elegeu o dirigente em questão, o melhor possível”, concluiu.

Consultada sobre se houve ou haverá ligação de Haddad para Macri, a campanha do petista não fez comentários. 

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