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"Quero que tragam meu filho para mim", diz pai de um dos tripulantes do ARA San Juan

Luciana Rosa

Colaboração para o UOL, em Buenos Aires

17/11/2018 17h55

Luis Antonio Niz, pai do cabo principal Luis Alberto, um dos tripulantes do submarino argentino ARA San Juan, encontrado na madrugada deste sábado (17) depois de um ano desaparecido, disse em entrevista ao UOL que a luta dos familiares das vítimas deve seguir, só que agora com o objetivo de que os corpos dos tripulantes sejam devolvidos a seus familiares.

Luis Antonio Niz, pai de um dos tripulantes do submarino ARA San Juan, em protesto em Buenos Aires  - Luciana Rosa/UOL
Luis Antonio Niz, pai de um dos tripulantes do submarino ARA San Juan, em protesto em Buenos Aires
Imagem: Luciana Rosa/UOL
 "Quero que tragam meu filho para mim. Eles os mandaram, agora devem trazê-los de volta". E desabafa: "A gente vai levar a dor para sempre. Uma dor que somente um pai ou uma mãe podem entender".

Os demais familiares seguem reunidos em Mar del Plata à espera de novas informações. Luis Antonio, que está a caminho da cidade argentina, afirmou ter ficado "contente por saber que os encontraram e triste por ter a confirmação de que estão no fundo do mar." "É muito duro, muito difícil, mas é a realidade", afirma o pai do jovem.

"Vou seguir adiante, querendo saber o que aconteceu. E quero principalmente que os retirem do fundo do mar", diz Luis Antonio Niz.

"A única coisa que importa é que finalmente os encontramos, e não consigo parar de chorar". É assim que Luís Tagliapietra, pai de um dos tripulantes do submarino Ara San Juan, descreve o que sentiu ao saber que a embarcação foi encontrada. Ele está a bordo do navio americano Seabed Constructor, que atuou nas buscas que localizou a embarcação neste sábado (17).

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Pai do tenente de corveta Alejandro Damián Tagliapietra, 27, Luís é um dos parentes que integra a equipe de buscas há 57 dias. Embarcou, em setembro, com José Luis Castillo, Silvina Krawczyc e Fernando Arjona no navio com a missão de acompanhar e fiscalizar as buscas feitas ao submarino, encontrado nas proximidades de Comodoro Rivadavia.

Luís Tagliapietra diz que sente "uma mistura enorme de tristeza com a batalha vencida". "Nós os encontramos!", festeja e desabafa. "Quando todos davam por perdido, nós aqui nunca baixamos a guarda".

Para Luis Antonio, os tripulantes do Ara San Juan estavam preparados para a morte, mas disse que seu filho sempre lhe dizia que as chances de um acidente acontecer eram mínimas. "Ele me dizia que estava preparado e que isso poderia acontecer", relembra.

No entanto, o pai do cabo principal lembra que, em 2016, o submarino havia apresentado problemas técnicos. "A embarcação tinha que ter sido retirada da frota, já sabiam que ela tinha problemas de entrada de água". E lamenta: "Se eu soubesse das condições do submarino, teria dito ao meu filho para não embarcar".

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