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De um lado, Bannon; do outro, Olavo: como foi o jantar de Bolsonaro nos EUA

Luciana Amaral

Do UOL, em Washington

17/03/2019 23h19

Do lado esquerdo, Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump. Do direito, o escritor Olavo de Carvalho. Foi assim que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se sentou à mesa durante jantar hoje com nomes proeminentes da cena conservadora dos Estados Unidos.

A ceia na residência do embaixador do Brasil em Washington, Sergio Amaral, foi o primeiro compromisso oficial do presidente desde que chegou à tarde aos EUA com a comitiva de ministros e assessores.

Do lado direito de Jair Bolsonaro no jantar, esteve o escritor Olavo de Carvalho - Alan Santos/PR
Do lado direito de Jair Bolsonaro no jantar, esteve o escritor Olavo de Carvalho
Imagem: Alan Santos/PR
Na saída do encontro, Steve Bannon disse ter ficado "incrivelmente impressionado" com a equipe de Bolsonaro e classificou a reunião como ótimo ponto de partida para a turnê na capital e a visita oficial ao presidente norte-americano.

Quanto a Olavo, Bannon disse que este amenizou o tom de suas críticas em relação às proferidas ontem à noite em sessão de filme sobre sua vida e seu pensamento. O escritor havia dito não concordar com todas as ideias de Bolsonaro nem achar que o presidente tenha uma ideologia política.

"Acho que tudo foi em um tom muito mais amenizado", falou, aos risos.

O ex-conselheiro de Trump discordou que o jantar tenha sido um encontro apenas entre conservadores. Segundo ele, houve uma intersecção de pensamentos diferentes que debateu problemas e desafios que o Brasil enfrenta.

"As pessoas tiveram um bom entendimento das dificuldades e oportunidades que o Brasil tem", falou. "Foi uma boa e franca conversa."

Já Olavo de Carvalho disse ter se surpreendido: "Me surpreendeu positivamente, porque esses jantares normalmente são muito blá-blá-blá, mas este não. Teve muitas conversas bilaterais e haverá medidas concretas que serão anunciadas em breve".

Jair Bolsonaro afirmou que a democracia e a liberdade são valores que unem o país ao Brasil e que o "antigo comunismo" não pode mais imperar.

"O nosso Brasil caminhava para o socialismo, para o comunismo", disse o presidente aos presentes. Segundo ele, foi a vontade de Deus que ele fosse eleito.

O porta-voz, general Rêgo Barros, disse que o presidente discursou, "levantou ideias" e, depois, conversou com os convidados. Ele negou que o presidente tenha conversado a sós com Olavo, tido como um dos principais mentores da família Bolsonaro, mas confirmou que discussões políticas fizeram parte da mesa.

"As ideias do presidente são de fortalecer nosso comércio reconhecendo que os Estados Unidos são o segundo mercado para os produtos brasileiros; que a diplomacia de fortalecer a democracia neste lado do Ocidente é extremamente importante; reconhecendo que aspectos relativos ao antigo comunismo não podem mais imperar nesse nosso ambiente que vivenciamos", declarou Rêgo Barros.

No Twitter, Eduardo Bolsonaro chamou o encontro de "sensacional encontro" e "grande noite".

Quem esteve no jantar:

  • sete ministros de Estado que integram a comitiva;
  • Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente;
  • Filipe Martins, assessor especial da área internacional da Presidência;
  • Sergio Amaral, embaixador do Brasil em Washington;
  • Olavo de Carvalho, escritor;
  • Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump;
  • Gerald Brant, articulador de Bolsonaro à época da campanha;
  • David Shedd, pesquisador visitante da Fundação Heritage;
  • Chris Buskirk, editor do site American Greatness;
  • Mary Anastasia O'Grady, colunista do Wall Street Journal;
  • Walter Russell Mead, colunista do Wall Street Journal;
  • Matt Schlapp, presidente da União Conservadora Americana;
  • Roger Kimball, editor da revista New Criterion.

Durante o encontro, Bolsonaro publicou uma foto junto a Eduardo Bolsonaro, Olavo de Carvalho, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o assessor especial da área internacional da Presidência, Filipe Martins.

Em discurso, o presidente teria ainda ressaltado a importância de acordos nas áreas militar e tecnológica e lembrado que o Brasil lutou ao lado dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial na Itália.

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