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Brasil dispensa vistos para cidadãos de EUA, Canadá, Austrália e Japão

A medida anunciada pelo governo é unilateral, ou seja, cidadãos brasileiros continuam precisando de visto para entrar nos países citados - Getty Images
A medida anunciada pelo governo é unilateral, ou seja, cidadãos brasileiros continuam precisando de visto para entrar nos países citados Imagem: Getty Images

Alex Tajra e Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

18/03/2019 16h06Atualizada em 18/03/2019 18h59

Resumo da notícia

  • Brasil deixa de pedir visto para cidadãos de Austrália, Canadá, EUA e Japão
  • Turistas poderão ficar no Brasil até 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias
  • Meta é chegar a 12 milhões de turistas por ano até 2022; hoje, são 6,6 milhões
  • Medida é unilateral: os países não precisarão facilitar a entrada de brasileiros
  • Medida passa a valer em junho

Em decreto publicado em edição extra do Diário Oficial de hoje, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) determinou que australianos, canadenses, norte-americanos e japoneses não precisam mais de visto para entrarem no Brasil. As novas normas entram em vigor a partir do dia 17 de junho.

"Fica dispensado, de forma unilateral, visto de visita (...) para os solicitantes nacionais da Comunidade da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos da América e do Japão", diz o decreto nº 9.731 de 2019.

A dispensa "unilateral" significa que os brasileiros continuam precisando de visto para entrar nos países citados.

Até então, a tradição diplomática do Itamaraty era fazer as mesmas exigências que são impostas aos brasileiros pelos demais países.

Segundo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, a medida trará "mudança no patamar do Brasil entre os grande destinos turísticos mundiais".

Ao UOL, a pasta disse que, apesar de não precisarem mais de visto, os cidadãos desses países terão que fazer normalmente trâmites imigratórios e alfandegários -- de maneira similar ao que acontece com brasileiros na Europa.

Ao chegar nos postos de controle -- nas fronteiras ou nos portos e aeroportos --, o turista terá de apresentar passaporte válido e comprovantes de meios financeiros para o período que passará no Brasil.

Alinhamento com os EUA

A isenção de visto já vinha sendo ventilada pelo governo nas últimas semanas, tendo em vista a visita oficial de Bolsonaro aos Estados Unidos.

Segundo o texto publicado pelo governo, a dispensa de visto refere-se para "turismo, negócios, trânsito, realização de atividades artísticas ou desportivas ou em situações excepcionais por interesse nacional".

A estada dos estrangeiros dessas nacionalidades sem visto será de 90 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90.

Além do presidente Jair Bolsonaro, assinam o decreto o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, o do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e o titular do Itamaraty, Ernesto Araújo.

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No começo do ano, o ministro Ernesto Araújo já havia defendido a facilitação da entrada de turistas de EUA e Canadá. Japão e Austrália entraram na lista porque, na visão do governo, podem trazer mais receitas na área do turismo.

Desde que o Brasil adotou o processo de visto eletrônico, no começo do ano passado, a emissão para os quatro países aumentou mais de 35%, conforme informações do Ministério do Turismo.

De acordo com a pasta, outro objetivo da medida é "equilibrar a balança", posto que, de acordo com dados do ministério, brasileiros gastaram US$ 19 bilhões (R$ 72 bilhões) no exterior em 2017. Em contrapartida, turistas de outros países gastaram US$ 6 bilhões (R$ 22 bilhões) no Brasil.

Flexibilização

O decreto flexibiliza ainda o poder dos ministros da Justiça e das Relações Exteriores, Sergio Moro e Ernesto Araújo, respectivamente, para a dispensa de vistos.

"Ato conjunto dos Ministros de Estado da Justiça e Segurança Pública e das Relações Exteriores poderá, excepcionalmente, dispensar a exigência do visto de visita, para nacionalidades determinadas, observado o interesse nacional", diz o texto do decreto.

Trump deixou vistos mais rigorosos para brasileiros

Em 2017, o presidente norte-americano Donald Trump deixou mais complicada a situação dos brasileiros que querem viajar aos Estados Unidos. Trump alterou os procedimentos para solicitantes, ampliando o número de pessoas que são obrigadas a passar pela entrevista. Quem pede a renovação de seus vistos na mesma categoria desde 2017 passa por entrevista --antes, era dispensado se o pedido fosse feito até 48 meses após o vencimento.

As regras para a isenção da entrevista também mudaram: somente quem tem menos de 14 anos ou mais de 79 está dispensado. Antes, jovens entre 14 e 15 anos e solicitantes acima de 66 anos que pediam o visto pela primeira vez não precisavam realizar a entrevista no consulado.

Países foram beneficiados nas Olimpíadas

Durante a realização dos Jogos Olímpicos no país, em 2016, a então presidente Dilma Rousseff (PT) beneficiou as mesmas quatro nações com a dispensa de visto para os turistas. À época, a isenção durou pouco mais de três meses, e a permanência era limitada a 90 dias.

Durante os jogos, houve uma discussão dentro do Ministério das Relações Exteriores, ocupado por José Serra (PSDB), e da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) para prorrogar por pelo menos um ano a isenção de visto para esses países, sempre levando em consideração os ganhos com o turismo. A ideia, no entanto, acabou não se consolidando.

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