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Presidente do Equador atribui prisão de Assange a violação de acordo

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

11/04/2019 10h00

O presidente do Equador, Lenín Moren, afirmou hoje que a revogação do asilo diplomático dado ao fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, 47, se deu porque ele violou o protocolo de convivência estabelecido por Moreno quando este assumiu a presidência do país em 2017. O Equador concedeu asilo diplomático ao australiano em 2012, no governo de Rafael Correa, e desde então ele vivia na embaixada equatoriana, em Londres.

Na sua conta no Twitter, Moreno publicou um vídeo em que explica as razões pelas quais o governo decidiu retirar o asilo diplomático de Assange.

"Concedê-lo [o asilo diplomático] ou retirá-lo é uma escolha soberana do estado equatoriano", disse Moreno.

Ele afirmou que "a conduta desrespeitosa e agressiva" de Assange e as "declarações descorteses e ameaçadoras de sua organização" fizeram com que a "paciência do Equador chegasse ao limite". Moreno alegou que Assange teria instalado equipamentos eletrônicos não permitidos, bloqueado as câmeras de segurança da Missão Equatoriana em Londres, e até agredido e maltratado os seguranças da sede diplomática.

"Ele teve acesso sem permissão a arquivos de segurança da nossa embaixada. Mesmo tendo pedido para ficar incomunicável e isolado, rejeitando a conexão de internet oferecida pela embaixada, tem um celular com o qual se comunica com o mundo exterior", disse.

O presidente do Equador defendeu o protocolo de convivência afirmando que ele "é o mínimo que alguém exige de um hóspede que recebe em sua casa". Moreno afirmou ainda que Assange violou as disposições expressas nas convenções sobre asilo diplomático de Havana e Caracas - convenções realizadas em 1928 e 1954, respectivamente, cujos países signatários estabeleceram regras para o asilo diplomático.

"Violou particularmente a norma de não intervir nos assuntos internos de outros estados. O mais recente alerta nesse sentido aconteceu em 2019, quando o WikiLeaks vazou documentos do Vaticano. Claramente, membros dessa organização visitaram o senhor Assange antes e depois da dita violação", afirmou Moreno.

O presidente do Equador disse ainda que, ao revogar o asilo diplomático, pediu que Assange não fosse extraditado para algum país em que pudesse sofrer torturas ou pena de morte, e que o governo britânico confirmou por escrito que assim o fará.

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, é preso na embaixada do Equador em Londres - Reprodução/Ruptly
Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, é preso na embaixada do Equador em Londres
Imagem: Reprodução/Ruptly

WikiLeaks ventilou expulsão no início do mês

No começo do mês, o WikiLeaks já havia denunciado que Assange seria expulso da embaixada devido a um acordo em curso com as autoridades do Reino Unido para prendê-lo. A expulsão seria uma reação a denúncias de corrupção envolvendo o presidente Lenín Moreno.

Na época, o ministro das Relações Exteriores e Mobilidade Humana do Equador, José Valencia, havia dito que essas informações eram "rumores infundados".

"Rumores da 'iminente' saída de Assange vêm de meses atrás. O governo não vai comentar os rumores atuais e infundados, que além disso são insultantes", afirmara o titular da diplomacia equatoriana em seu perfil no Twitter.

As acusações

Segundo a polícia britânica, o fundador do WikiLeakes foi preso em virtude de um pedido feito pelas autoridades dos Estados Unidos, assim como por ter violado as condições de liberdade condicional em 2012. "Assange foi preso (...) em nome das autoridades americanas", afirmou a polícia britânica em um comunicado.

Os EUA afirmam que Assange violou leis norte-americanas ao publicar documentos secretos pertencentes ao governo americano. O australiano alega que as acusações de crimes sexuais contra ele são uma investida dos EUA em uma "caça às bruxas" contra o WikiLeaks.

Ele foi preso após passar seis anos e 10 meses asilado na embaixada do Equador, em Londres, onde estava refugiado para evitar uma extradição à Suécia.

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