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"Se o Irã atingir um alvo dos EUA, acertaremos 52 alvos do Irã", diz Trump

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos - Tom Brenner/Reuters
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos Imagem: Tom Brenner/Reuters

Do UOL, em São Paulo*

04/01/2020 20h25Atualizada em 05/01/2020 09h36

Resumo da notícia

  • Presidente dos Estados Unidos ameaçou Irã e diz ter lista de alvos
  • Líderes do país persa juraram se vingar da morte do general Qassim Suleimani
  • Número de alvos citados por Trump faz referência a 52 reféns americanos feitos pelo Irã no final dos anos 1970

O presidente Donald Trump afirmou hoje no Twitter que se o governo iraniano acertar um alvo americano, em retaliação pela morte do general Qassim Suleimani, os Estados Unidos responderão atingindo 52 alvos de alto nível e importância para o Irã.

"Que isso sirva de alerta que se o Irã atacar qualquer cidadão ou ativo americano temos identificados 52 alvos iranianos (que representam os 52 americanos feitos reféns pelos iranianos há muitos anos), alguns deles de muito alto nível e importantes para o Irã e para a cultura iraniana. Esses alvos, e o próprio Irã, serão atingidos muito rápido e com muita força. Os Estados Unidos não querem mais ameaças".

O número citado por Trump corresponde aos 52 funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Teerã que foram feitos reféns durante a invasão de 1979, ano em que o Irã viveu uma revolução para se tornar uma república islâmica e que também marca o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países.

Em três tuítes postados na noite deste sábado, Trump começa sua declaração dizendo que o "Irã está falando muito ousadamente sobre alvejar certos alvos dos EUA como vingança por livrarmos o mundo de seu líder terrorista [referência a Suleimani] que acabara de matar um americano e ferir gravemente muitos outros, sem mencionar todas as pessoas que ele matou ao longo de sua vida, incluindo recentemente centenas de manifestantes iranianos."

Trump voltou a responsabilizar Suleimani pelo ataque que matou um empreiteiro americano no Iraque no último dia 27 e também disse que o general iraniano orquestrou a invasão da embaixada dos EUA em Bagdá.

Trump se pronunciou ontem pela primeira vez sobre o ataque. Ele afirmou que os Estados Unidos atacaram para "interromper uma guerra, não para começar uma" e acrescentou que a ação foi necessária para "conter o terror".

A Casa Branca argumentou que o motivo para matar Soleimani era impedir um "ataque iminente" que colocaria em perigo a vida de militares e diplomatas americanos no Oriente Médio, mas não apresentou provas que sustentassem a acusação. Estima-se que 70 mil soldados dos EUA estão em bases do país na região.

Irã fala em 'vingança'

Logo após a confirmação da morte de Suleimani, membros do governo iraniano falaram publicamente em vingança contra os Estados Unidos.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, advertiu que o ataque americano foi uma "escalada extremamente perigosa e imprudente".

O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, se comprometeu a "vingar" a morte de Soleimani e decretou três dias de luto nacional no país.

"O martírio é a recompensa por seu trabalho incansável durante todos estes anos (...) Se Deus quiser, sua obra e seu caminho não vão parar aqui e uma vingança implacável espera os criminosos que encheram as mãos com seu sangue e a de outros mártires", afirmou o aiatolá Khamenei em sua conta no Twitter em farsi.

Filha de Suleimani pede vingança

A filha do general iraniano Qassim Suleimani, que liderava a força Al-Quds dos Guardiões da Revolução, pediu ao presidente do Irã que vingue a morte de seu pai.

Durante a visita hoje do presidente iraniano Hassan Rouhani e do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, a filha do general questionou "quem vai vingar a morte" de seu pai. "Todo mundo vai se vingar", Rouhani respondeu a ela.

O presidente afirmou anteriormente que os Estados Unidos vão "enfrentar as consequências desse ato criminoso não apenas hoje, mas também nos próximos anos".

Foto oficial do presidente do Irã, Hassan Rouhani, segundo à esquerda, encontrando a família do general Qasem Soleimani hoje - Presidência do Irã/Reuters
Foto oficial do presidente do Irã, Hassan Rouhani, segundo à esquerda, encontrando a família do general Qasem Soleimani hoje
Imagem: Presidência do Irã/Reuters

Além da visita, o aiatolá Ali Khamenei prestou novas condolências aos familiares de Suleimani. No Twitter, ele agradeceu aos serviços prestados pelo general ao país.

"À filha do mártir Suleimani: todo mundo está de luto e agradecido ao seu pai. Essa gratidão se deve à sua grande sinceridade, já que os corações estão nas mãos de Deus. Sem sinceridade, o coração das pessoas não estaria com ele assim. Que Deus conceda Suas bênçãos a todos nós", escreveu ele.

Na mensagem, ele ainda comenta que muitos protestos contra a morte do general foram vistos. "Ao cumprir seu dever e lutar pela causa de Deus, ele não temia ninguém nem nada. Ele foi martirizado por vilões, o governo dos EUA", completou o líder.

Milhares protestam em cortejo fúnebre

Milhares de pessoas foram às ruas de Bagdá hoje para acompanhar o funeral dos generais Abu Mahdi al-Muhandis, chefe de milícias no Iraque, e Qassim Suleimani, do Irã, ambos mortos em um ataque aéreo comandado pelos EUA na última quinta-feira.

O cortejo saiu do distrito de Al Jadriya e seguiu pela cidade. Manifestantes acompanharam o funeral carregando bandeiras e faixas com as fotos dos generais mortos gritando "Morte a América".

Os caixões de Al-Muhandis e outras vítimas, incluindo vários integrantes do FMP, milícia iraquiana majoritariamente xiita, foram envoltos na bandeira do país, enquanto o de Suleimani recebeu a bandeira do Irã.

As vítimas iraquianas serão enterradas ao final da cerimônia. O corpo de Suleimani segue para o Irã ainda hoje.

Em Teerã, capital do Irã, manifestantes já se aglomeram nas ruas protestando contra o ataque. Os iranianos pedem vingança contra os EUA, agitando bandeiras e carregando retratos do general morto.

(*Com informações da Agência EFE)

Multidão acompanha funeral de comandante iraquiano e de Suleimani em Bagdá

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