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Pentágono diz que matou general iraniano para evitar ataque aos EUA

Do UOL, em São Paulo

03/01/2020 09h31Atualizada em 03/01/2020 12h08

Resumo da notícia

  • Comandante da força Quds do Irã, Qasem Soleimani, é um dos oito mortos em ataque no aeroporto de Bagdá, no Iraque
  • Pentágono afirma que ataque foi ordenado pelo presidente dos EUA, Donald Trump
  • Intenção, dizem americanos, é impedir futuros planos iranianos de ataques e proteger cidadãos dos EUA no Oriente Médio
  • Ação é tomada após recentes ataques à embaixada dos EUA em Bagdá e protestos contra americanos no Iraque
  • Segundo Pentágono, Soleimani "orquestrou" ataques em bases de coalizão no Iraque nos últimos meses

O ataque aéreo dos Estados Unidos que matou o comandante da força Quds do Irã, Qasem Soleimani, teve como objetivo impedir futuros planos iranianos de ataques e proteger cidadãos norte-americanos no Oriente Médio, informou o Pentágono hoje.

A ação atingiu um comboio de veículos perto do terminal de cargas do aeroporto de Bagdá e matou ainda Abu Mahdi al-Muhandis, comandante de milícia do Iraque, e Naim Qasem, segundo na linha de comando do Hezbollah no Líbano. Há relatos de outros mortos e feridos, mas informações sobre quem ou quantos seriam não foram divulgadas.

"Sob a ordem do presidente [Donald Trump], as Forças Armadas dos EUA agiram defensivamente para proteger os cidadãos norte-americanos no exterior ao matar Qasem Soleimani. Este ataque teve como objetivo impedir futuros planos iranianos de ataque", diz o comunicado do órgão americano.

De acordo com o Pentágono, Soleimani "orquestrou" ataques em bases de coalizão no Iraque ao longo dos últimos meses e aprovou os "ataques" na embaixada dos EUA e Bagdá, ocorridos no início desta semana.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não comentou sobre a operação. Ele apenas publicou uma imagem com a bandeira do país em sua conta no Twitter.

Uma autoridade norte-americana, que falou na condição de anonimato, disse que o Pentágono estava ciente da possibilidade de uma resposta iraniana, enquanto autoridades militares estavam prontas para se defender.

O senador democrata Chris Murphy disse que, embora Soleimani fosse "um inimigo dos Estados Unidos", o assassinato poderia colocar mais norte-americanos em risco. "Uma das razões pelas quais geralmente não matamos autoridades políticas estrangeiras é a crença de que tal ação matará mais e não menos norte-americanos", tuitou Murphy.

A ex-embaixadora dos EUA na Organização das Nações Unidas (ONU), Nikki Haley, disse que a morte de Soleimani "deve ser aplaudida por todos que buscam paz e justiça".

Foto mostra veículo destruído perto de onde o comboio do general iraniano Qasem Soleimani foi alvo de ataque de drone dos EUA quando deixava o aeroporto de Bagdá, no Iraque - AFP/HO/IRAQI MILITARY
Foto mostra veículo destruído perto de onde o comboio do general iraniano Qasem Soleimani foi alvo de ataque de drone dos EUA quando deixava o aeroporto de Bagdá, no Iraque
Imagem: AFP/HO/IRAQI MILITARY

Antes do ataque, o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, afirmou que havia indícios de que o Irã ou forças que o país apoia poderiam estar planejando ataques adicionais, alertando que o "jogo mudou" e que é possível que os EUA tivessem que tomar medidas preventivas para proteger vidas norte-americanas.

Horas após a confirmação da morte de Soleimani, a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, que na terça-feira foi alvo de um ataque por uma multidão pró-Irã, recomendou a seus cidadãos que deixem o Iraque "imediatamente".

A representação diplomática pediu aos americanos no Iraque que deixem o país "de avião enquanto é possível", já que o bombardeio aconteceu no aeroporto de Bagdá, ou "sigam para outros países por via terrestre".

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O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, advertiu que o ataque por ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, é uma "escalada extremamente perigosa e imprudente".

"Soleimani se uniu a nossos irmãos mártires e nossa vingança sobre a América será terrível", tuitou Mohsen Rezai, um antigo chefe dos Guardiões da Revolução, o exército ideológico da República Islâmica.

O chanceler afirmou ainda que "o Ministério das Relações Exteriores iraniano usará todas as suas capacidades políticas, legais e internacionais para implementar as decisões tomadas pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã de responsabilizar o regime criminoso e terrorista dos Estados Unidos por esse crime flagrante".

O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, se comprometeu a "vingar" a morte de Soleimani e decretou três dias de luto nacional no país.

"O martírio é a recompensa por seu trabalho incansável durante todos estes anos (...) Se Deus quiser, sua obra e seu caminho não vão parar aqui e uma vingança implacável espera os criminosos que encheram as mãos com seu sangue e a de outros mártires", afirmou o aiatolá Khamenei em sua conta no Twitter em farsi.

Khameni nomeou o vice de Qasem Soleimani, o general Esmail Ghaani, como novochefe das Forças Quds. O programa da força "permanecerá inalterado em relação ao período de seu antecessor", afirmou o aiatolá.

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O presidente iraniano, Hassan Rohani, também prometeu vingança."Não há nenhuma dúvida sobre o fato de que a grande nação do Irã e as outras nações livres da região se vingarão por este horrível crime dos Estados Unidos", declarou Rohani em um comunicado.

Já o presidente do Iraque, Barham Salih, condenou o ataque aéreo dos Estados Unidos que matou o chefe militar Abu Mahdi Al Muhandis, mas pediu moderação a todas as partes.

"O Iraque deve colocar seu interesse nacional em primeiro lugar e evitar as tragédias de um conflito armado que afeta o país ao longo de quatro décadas", disse ele em comunicado.

Chefe paramilitar iraquiano Abu Mehdi Al Muhandis, que também foi morto durante um atentado comandado pelos EUA no aeroporto de Bagdá, no Iraque - HAIDAR MOHAMMED ALI/AFP
Chefe paramilitar iraquiano Abu Mehdi Al Muhandis, que também foi morto durante um atentado comandado pelos EUA no aeroporto de Bagdá, no Iraque
Imagem: HAIDAR MOHAMMED ALI/AFP

(Com agências internacionais)

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