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Facção pró-Irã alerta a soldados do Iraque que se afastem das bases dos EUA

Iraquianos acompanham procissão com o caixão do comandante militar  iraquiano, Abu Mahdi al-Muhandis, em Bagdá. Ele foi morto em um ataque aéreo dos EUA na quinta-feira, na capital do Iraque - SABAH ARAR/AFP
Iraquianos acompanham procissão com o caixão do comandante militar iraquiano, Abu Mahdi al-Muhandis, em Bagdá. Ele foi morto em um ataque aéreo dos EUA na quinta-feira, na capital do Iraque Imagem: SABAH ARAR/AFP

Do UOL, em São Paulo*

04/01/2020 17h58

A facção pró-Irã no Iraque Kataeb Hezbollah recomendou hoje às tropas iraquianas que se afastem "pelo menos 1km" das bases militares americanas a partir deste domingo.

"Pedimos às forças de segurança que se afastem no mínimo 1km das bases americanas a partir das 17h deste domingo", diz o comunicado da facção, que pertence à rede militar das milícias xiitas Hashed al-Shaabi.

Mais cedo, fontes de segurança do Iraque informaram que três foguetes atingiram a Zona Verde, região na cidade de Bagdá, no Iraque, onde ficam prédios do governo do país como o parlamento, ministérios, e também o de algumas representações internacionais, como a embaixada dos Estados Unidos.

O foguete caiu dentro da Praça da Celebração da Zona Verde. A informação foi divulgada pelas agências EFE, AFP e Reuters. Ninguém teria ficado ferido.

Perto da base aérea do Iraque em Balad, que abriga as forças americanas, um outro ataque foi registrado, dessa vez com dois foguetes Katyusah. Fontes de segurança disseram que não houve vítimas.

Hoje, o governo americano já havia decidido suspender os treinamentos militares dos soldados americanos da Otan que estão em Bagdá.

Milhares de pessoas foram às ruas de Bagdá hoje para acompanhar o funeral dos generais Abu Mahdi al-Muhandis, chefe de milícias no Iraque, e Qassim Suleimani, do Irã, ambos mortos em um ataque aéreo comandado pelos EUA na última quinta-feira.

O cortejo saiu do distrito de Al Jadriya e seguiu pela cidade. Manifestantes acompanharam o funeral carregando bandeiras e faixas com as fotos dos generais mortos gritando "Morte a América".

Os caixões de Al-Muhandis e outras vítimas, incluindo vários integrantes do FMP, milícia iraquiana majoritariamente xiita, foram envoltos na bandeira do país, enquanto o de Suleimani recebeu a bandeira do Irã.

As vítimas iraquianas serão enterradas ao final da cerimônia. O corpo de Suleimani segue para o Irã ainda hoje.

Em Teerã, capital do Irã, manifestantes já se aglomeram nas ruas protestando contra o ataque. Os iranianos pedem vingança contra os EUA, agitando bandeiras e carregando retratos do general morto.

Filha de Suleimani pede vingança em encontro com presidente do Irã

A filha do general iraniano Qassim Suleimani, que liderava a força Al-Quds dos Guardiões da Revolução, pediu ao presidente do Irã que vingue a morte de seu pai.

Durante a visita hoje do presidente iraniano Hassan Rouhani e do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, a filha do general questionou "quem vai vingar a morte" de seu pai. "Todo mundo vai se vingar", Rouhani respondeu a ela.

O presidente afirmou anteriormente que os Estados Unidos vão "enfrentar as consequências desse ato criminoso não apenas hoje, mas também nos próximos anos".

Foto oficial do presidente - Presidência do Irã/Reuters - Presidência do Irã/Reuters
Foto oficial do presidente do Irã, Hassan Rouhani, segundo à esquerda, encontrando a família do general Qasem Soleimani hoje
Imagem: Presidência do Irã/Reuters

Além da visita, o aiatolá Ali Khamenei prestou novas condolências aos familiares de Suleimani. No Twitter, ele agradeceu aos serviços prestados pelo general ao país.

"À filha do mártir Suleimani: todo mundo está de luto e agradecido ao seu pai. Essa gratidão se deve à sua grande sinceridade, já que os corações estão nas mãos de Deus. Sem sinceridade, o coração das pessoas não estaria com ele assim. Que Deus conceda Suas bênçãos a todos nós", escreveu ele.

Na mensagem, ele ainda comenta que muitos protestos contra a morte do general foram vistos. "Ao cumprir seu dever e lutar pela causa de Deus, ele não temia ninguém nem nada. Ele foi martirizado por vilões, o governo dos EUA", completou o líder.

*(Com agências internacionais)

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