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"Briga diplomática" por toque de campainha ganha prêmio irônico da paz

Fronteira entre Paquistão e Índia - Jason Burwen/Wikimedia Commons
Fronteira entre Paquistão e Índia Imagem: Jason Burwen/Wikimedia Commons

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

19/09/2020 04h00

Não foram apenas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o norte-americano Donald Trump que estão na lista dos "vencedores" da 30ª edição do prêmio irônico IG Nobel, que anualmente destaca os fatos mais irrelevantes ou inusitados da ciência mundial.

Pela segunda vez, os governos da Índia e Paquistão "ganharam" na categoria paz pela atuação de seus diplomatas que, no meio da noite, tocam secretamente a campainha uns dos outros e, em seguida, fogem do lugar antes que alguém tenha a chance de atender a porta.

O assédio aos diplomatas dos dois países ocorre há anos, segundo reportagem do The Guardian. O incômodo noturno acontece normalmente por volta das 3h da manhã. Além disso, os diplomatas relatam perseguições a carros de funcionários do alto escalão, corte no fornecimento de água e eletricidade e ligações ofensivas.

A situação é resultado de atritos entre Índia e Paquistão. Há décadas, os dois países disputam uma região chamada Caxemira. No final da década de 1990, chegaram a fazer testes nucleares na região.

Em 2018, o Paquistão fez uma queixa oficial sobre a situação incômoda e observou que os diplomatas estavam "lutando" para trabalhar na indiana Nova Delhi.

Do outro lado da fronteira, a Índia também denunciou perseguições em Islamabad, capital do Paquistão. Na época, o diplomata indiano aposentado Vishnu Prakash afirmou que era seguido por espiões paquistaneses e teve sua campainha acionada várias vezes ao longo da noite.

"É o procedimento operacional padrão", disse Prakash na época para o India Times. "Eu tinha um monte de caras do ISI me seguindo. Se eu fosse ao médico, eles ficariam do lado de fora e escutariam."

Em 2018, um relatório elaborado do Paquistão apontou uma série de situações abusivas da Índia. O carro de um conselheiro do alto escalão paquistanes que levava os filhos dele foi perseguido e, após ser parado, os ocupantes foram intimidados. Um conselheiro naval foi "perseguido agressivamente" enquanto um conselheiro político foi "despejado de um táxi e assediado por pessoas desconhecidas, que usaram linguagem abusiva, o ameaçaram e filmaram todo o incidente com impunidade", acrescentou o relatório.

O prêmio

Não é a primeira que os dois países recebem a "honraria" pela promoção da paz. Em 1998, o primeiro-ministro indiano Shri Atal Bihari Vajpayee e o primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif foram "vencedores" pela campanha "agressivamente pacífica" —nas palavras da organização do prêmio— devido à explosão de bombas atômicas promovida por ambos os países. Na época, as duas nações salientaram que foram feitos apenas "testes nucleares."

De acordo com a organização, o objetivo é "celebrar o incomum, homenagear a imaginação e estimular o interesse das pessoas na ciência". No ano passado, o grande vencedor foi um estudo sobre se a pizza feita na Itália ajuda a combater o câncer.

Na edição 2020, os demais prêmios seguiram a linha mais cômica da premiação. Cientistas do Brasil, Itália, Escócia, Polônia, França, Colômbia, Chile e Austrália foram premiados na categoria "Economia" por tentarem fazer relação entre o tamanho do Produto Interno Bruto de um país e a quantidade de beijos na boca registrada nele.

Também com participação de pesquisadores italianos - ao lado de australianos, ucranianos, alemães, franceses, britânicos e sul-africanos - foi dado o prêmio "Física" por um estudo sobre o que acontece com o corpo de uma minhoca se ele for colocado para vibrar em alta frequência.

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