PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Conteúdo publicado há
1 mês

Rússia sobe o tom contra os EUA após Biden chamar Putin de 'assassino'

Putin desejou "boa saúde" ao presidente dos EUA e afirmou que o fato de Biden o ter chamado de "assassino" tem significado "profundo" - Mikhail Klimentyev/TASS via Getty Images
Putin desejou 'boa saúde' ao presidente dos EUA e afirmou que o fato de Biden o ter chamado de 'assassino' tem significado 'profundo' Imagem: Mikhail Klimentyev/TASS via Getty Images

Do UOL, em São Paulo *

18/03/2021 12h14Atualizada em 18/03/2021 13h46

Em reação ao fato de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, ter concordado com a afirmação de que Vladimir Putin, presidente da Rússia, é um "assassino", o país euroasiático optou por subir o tom contra os EUA, com declarações e convocação de embaixador.

Hoje pela manhã, Putin desejou "boa saúde, sem qualquer ironia", ao presidente dos EUA e afirmou que a declaração de Biden tem significado "psicológico", ironizando a adjetivação dada pelo democrata em entrevista transmitida ontem pela rede de TV americana ABC News.

"Não é apenas uma expressão infantil, uma piada. O significado é profundo e psicológico. Sempre vemos no outro as nossas próprias características", afirmou Putin, que disse que seguirá defendendo os interesses russos e trabalhando com os EUA quando for necessário.

Mais cedo, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, criticou Biden, dizendo que as declarações do democrata "são muito ruins". "Claramente não quer melhorar as relações com nosso país", disse. "E vamos partir desse princípio", acrescentou.

A declaração de Biden veio na esteira de um relatório de agências de inteligência dos EUA, divulgado na última terça-feira (16), em que Putin é acusado de ter autorizado esforços para beneficiar a candidatura do hoje ex-presidente Donald Trump nas eleições americanas de 2020.

Ainda na entrevista para a ABC News, além de chamar o presidente russo de "assassino", Biden disse que Putin "pagará um preço" pela suposta interferência. Indagado pelo entrevistador sobre quais seriam as consequências, o democrata respondeu: "Você verá em breve".

Convocação para consultas

Ontem, Moscou convocou o embaixador russo em Washington, Anatoli Antonov, para "analisar o que é preciso fazer ou até aonde é preciso ir", buscando evitar a "degradação irreversível" das relações com os EUA, segundo o ministério das Relações Exteriores da Rússia.

"Para nós, o essencial é determinar quais podem ser os meios de retificar as relações russo-americanas, que se encontram em uma fase difícil e que Washington levou para um beco sem saída nesses últimos anos", afirmou o ministério em nota.

Em entrevista à agência RIA Novosti, porém, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, jogou a culpa da crise diplomática para os EUA, dizendo que é do país ocidental a responsabilidade pela "maior deterioração dos laços russo-americanos".

Além da questão sobre as eleições de novembro, a relação entre os países tem vivido uma crise por conta de Alexei Navalny, opositor de Putin que está detido em uma prisão em um local desconhecido, segundo um advogado do crítico do Kremlin.

No início do mês, os EUA, que, ao lado da UE (União Europeia), acusam a Rússia de ter envenenado Navalny em agosto de 2020, anunciaram sanções contra sete altos funcionários do país euroasiático e, posteriormente, Biden pediu para os russos "não brincarem com o fogo".

* Com informações da AFP, da EFE e da Reuters

Internacional