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'Estou feliz por sair', celebra mineiro resgatado em mina da Vale no Canadá

Mina da Vale em Sudbury, Canadá - Julie Gordon/Reuters
Mina da Vale em Sudbury, Canadá Imagem: Julie Gordon/Reuters

Do UOL, em São Paulo*

28/09/2021 22h45Atualizada em 28/09/2021 22h46

Até hoje de noite, haviam sido resgatados 35 dos 39 mineiros presos em uma mina da Vale em Ontário, no Canadá. Sem ferimentos, eles comemoraram o sucesso de dois dias de trabalhos de salvamento.

"Estou feliz por sair e estar de volta, na superfície", disse Henry Bertrand em entrevista à rede de televisão canadense CTV News.

No domingo, 39 funcionários mineiros ficaram entre 900 e 1.200 metros de profundidade na mina Totten, após uma pá escavadeira ter se desprendido, bloqueando um acesso e indisponibilizando o elevador utilizado como meio de transporte dos empregados.

Os funcionários começaram a ser retirados em uma escalada cansativa e arriscada. Durante todo o tempo em que estiveram lá embaixo, Bertrand conta que ele e os colegas se divertiam para passar o tempo.

"Há muitos caras legais lá, então fazíamos piadas, falávamos de várias coisas", diz. Ele ficou preso a cerca de 650 metros abaixo do solo com mais três colegas. Por estar mais perto da superfície, foi um dos primeiros resgatados. Sua retirada levou duas horas.

Alguns caras [da equipe de resgate] desciam e subiam o tempo todo. Era inacreditável o que eles estavam fazendo. Sou tão grato a eles."

Bertrand conta que eles receberam todo o auxílio das equipes de resgate, inclusive com envio de comidas e medicamentos.

Henry Bertrand, um dos primeiros mineiros resgatados da mina da Vale em Sudbury, Canadá - Reprodução/CTV News - Reprodução/CTV News
Henry Bertrand, um dos primeiros mineiros resgatados da mina da Vale em Sudbury, Canadá
Imagem: Reprodução/CTV News

Ele e os outros três conseguiram compartilhar a comida que tinham até que o resgate levou mais suprimentos. "Finalmente as equipes desceram e nos trouxeram algumas barras de chocolate e essas coisas para que tivéssemos algo diferente. Mas não era tão ruim", afirmou.

A parte mais complicada, segundo ele, foi a subida. Todos saíram da mina por meio de um sistema de escada de saída secundária, devido a danos no eixo da saída primária, que a tornaram inoperante.

O cansaço obrigou os trabalhadores a pararem para descansar diversas vezes. "A cada 20 pés (cerca de 6 metros) havia um local onde poderíamos parar para descansar e recuperar o fôlego."

Assim que souberam o que havia acontecido, os trabalhadores buscaram se reunir em locais seguros da mina, onde tinham acesso a comida, água, iluminação e até telefones.

"Não foi um desmoronamento ou algo parecido, ninguém estava em perigo", esclareceu Bertrand à Canadian Press.

"Estávamos num lugar de refúgio e é basicamente como um espaço normal, tinha um telefone e coisas desse tipo. A comunicação era muito fácil", contou Remi Larose, outro mineiro entrevistado pela CTV News.

Eu me comunicava o tempo todo com outros mineiros para ver como eles estavam. Por sorte ninguém estava ferido."

"Éramos quatro no refúgio e falávamos com nossas famílias, dávamos atualizações a cada algumas horas. Por sorte conseguimos fazer isso."

Os mineiros são unânimes em dizer que não ficaram traumatizados pelo episódio e estão prontos para voltar ao trabalho assim que forem liberados.

"Há perigo em tudo o que você faz, só tem que fazer da forma mais segura possível", completa Larose.

* Com Estadão Conteúdo

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