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Argentina vai cobrar de manifestantes gastos de R$ 360 mil com a polícia

O governo de Javier Milei, presidente da Argentina, afirmou hoje que vai enviar a fatura com os gastos com segurança na quarta-feira (20) para organizações que seriam responsáveis pelo protesto nas ruas de em Buenos Aires.

O que aconteceu

O porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni, informou que enviará a fatura de 60 milhões de pesos (cerca de R$ 360 mil) às organizações que participaram do ato em 20 de dezembro. O protesto foi o primeiro após o anúncio do novo protocolo do Ministério de Segurança contra piquetes.

Em pronunciamento, Adorni listou 14 organizações que devem receber a conta pela operação de segurança. Disse ainda que o governo apresentou uma denúncia judicial pelos supostos crimes de extorsão e fraude contra os movimentos em relação à gestão dos programas sociais.

Segundo o porta-voz, a denúncia judicial é resultado de chamadas recebidas pelo Disque-Denúncia. As informações foram confirmadas em ofício da ministra da Segurança, Patricia Bullrich. O governo incentivou denúncias com o objetivo de cortar benefícios sociais de pessoas que foram ao protesto.

Entre as organizações citadas, no entanto, está o Movimento Evita, que é peronista e não participou do protesto. O ato foi convocado por organizações de esquerda, sindicatos e direitos humanos.

Outra organização mencionada que diz que não convocou manifestantes foi o Movimento Bairros de Pé. "Não estávamos na marcha", afirmou o assessor de imprensa Javier Nunez. Para ele "(o governo) não sabe usar a inteligência". Nunes relata que a entidade não foi notificada até a tarde desta sexta.

A deputada da Frente de Esquerda Myriam Bregman, que foi candidata a presidente este ano, afirmou que Patricia "montou um operativo tão desnecessário como abusivo". "É irracional que agora as organizações devam pagar seu show macabro", disse.

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Policiamento reforçado e avisos nas estações

No dia dos protestos, o policiamento nas ruas foi reforçado e havia placas e serviço de alto-falante em estações de trem de Buenos Aires que relembravam a campanha de repressão contra manifestações e protestos. Entre as medidas, estão o uso das forças de segurança federais contra quem bloquear ruas e impedir a livre circulação de pessoas e a identificação, por drones, de autores, cúmplices e apoiadores dos eventos.

Milei acompanhou a movimentação na sede do departamento de polícia. Apesar da tensão, não houve registro de ocorrências graves. Logo após a manifestação, o governo anunciou um megadecreto e as pessoas fizeram panelaço e voltaram às ruas.

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