Mãe de atleta olímpica diz que segurança explodiu sua mala por engano

John Branch

No Rio de Janeiro

  • Doug Mills/The New York Times

    Cindy Lloyd (dir.), mãe da atleta Carli Lloyd, acompanha partida de vôlei

    Cindy Lloyd (dir.), mãe da atleta Carli Lloyd, acompanha partida de vôlei

Atrasada ao chegar para a Olimpíada na semana passada, a mãe da jogadora de vôlei dos EUA Carli Lloyd deixou sua mala no navio de cruzeiro onde se hospedaria durante os Jogos. Ela e sua família correram então para assistir à primeira partida de sua filha.

Quando o grupo voltou, algumas horas depois, a mãe, Cindy Lloyd, foi levada a uma sala de interrogatório onde lhe mostraram os restos carbonizados e irreconhecíveis de sua mala. Ela foi explodida porque as autoridades suspeitaram que contivesse uma bomba.

"A alça tinha desaparecido", disse Lloyd, que está viajando com seu irmão e dois filhos adultos. "Estava totalmente explodida. Havia algumas roupas. Eles usaram algum tipo de bomba úmida, eu acho, porque tudo estava molhado. Algumas roupas podiam ser salvas, mas outras tinham derretido. Algumas apresentavam buracos. Minha bandeira americana derreteu. E todos os cosméticos com tampas tiveram as tampas explodidas."

Cindy Lloyd tinha reservas para ficar em um navio de cruzeiro norueguês ancorado no Rio ao lado do navio de luxo que hospeda a seleção americana de basquete. Uma série de voos perdidos e cancelados desde o sul da Califórnia levou a família ao Peru e ao Chile --e todos os postos de segurança nesse trajeto -- a caminho do Brasil.

Finalmente no Rio, eles pegaram um táxi até o terminal marinho para fazer o check-in. Deram seus nomes, tiveram os passaportes verificados e entregaram suas bagagens, como todos os outros na fila. Eles acreditaram que as malas estariam em sua cabine quando voltassem.

Mas ao chegar os outros foram registrados rapidamente. Lloyd foi detida.

"Eles me levaram para uma sala nos fundos e havia pessoas muito assustadoras", disse ela. "Começaram a me interrogar. Não sei quem eram, mas havia cinco ou seis pessoas, todas de uniforme. E depois de uns dez minutos eles me contaram que tinham explodido minha mala."

Lloyd disse que lhe contaram, em inglês com sotaque, que dois cães farejadores tinham parado em sua mala. Mostraram-lhe uma foto do conteúdo, supostamente de uma máquina de raio-X. Solicitada a explicar o que eram diversas coisas, ela apontou para algo que parecia o celular extra que tinha levado, um carregador de bateria e um frasco de xampu.

"Talvez eles tenham pensado que fosse algo conectado a um recipiente, suponho", disse Lloyd.

O que ela não conseguiu entender foi por que as autoridades lhe entregaram o telefone. Eles tinham aberto a mala e retirado o telefone, mas mesmo assim explodiram a bagagem. E ela não conseguia entender como uma bagagem que tinha passado por várias cidades em diferentes companhias aéreas sem qualquer suspeita estava de repente em pedaços na sua frente.

"Olhando para trás, foi realmente bizarro", disse Lloyd.

A companhia Norwegian Cruise Line, segundo ela, pediu muitas desculpas e foi bastante útil. Trouxeram-lhe vinho espumante, ofereceram refeições grátis e disseram a Lloyd que a reembolsariam pelos artigos estragados. A empresa também disse que lhe daria uma nova mala para a viagem de volta.

As autoridades brasileiras explodiram várias bagagens suspeitas desde o início dos Jogos Olímpicos, incluindo uma deixada desacompanhada perto da linha de chegada de uma prova de ciclismo.

Lloyd continuou bem humorada sobre o episódio. Enquanto falava, usava uma camisa esburacada porque não havia tido tempo de fazer compras. Pelo menos terá uma história interessante para contar quando voltar para casa.

"Mas eu não queria essa história", disse ela. "Ver sua filha na Olimpíada já é uma história suficientemente boa para mim."

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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