Conferência internacional reforça a proteção de elefantes, tubarões e pangolins

De Joanesburgo

  • Reprodução

    Pangolim estáo ameaçado de extinção

    Pangolim estáo ameaçado de extinção

A conferência mundial de proteção da fauna, que terminou na terça-feira (4) em Johannesburgo, reforçou a proteção das espécies em risco de extinção, como os elefantes, tubarões e pangolins.

As decisões da conferência trienal da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites) "mudaram a situação" de várias espécies, afirmaram organizações de defesa dos animais.

O secretário-geral da organização, John Scanlon, descreveu o encontro como "um divisor de águas para as plantas e os animais selvagens mais vulneráveis do planeta".

No entanto, as decisões dos 182 membros foram adotadas ao final de debates acalorados que evidenciaram as profundas divisões sobre a melhor forma de lutar contra a caça selvagem e os tráficos gerados por esta atividade, avaliados em cerca de 20 bilhões de dólares por ano.

Os 3.500 participantes da conferência não ofereceram uma resposta definitiva à questão de se a proibição total do comércio internacional de marfim de elefantes ou do chifre de rinoceronte reforça a proteção ou contribui para a caça ilegal.

"Houve negociações intensas", disse Theressa Frantz, da organização de defesa da natureza WWF.

Mas no final, "os governos concordaram em uma série de decisões fortes destinadas a proteger melhor as numerosas espécies ameaçadas e a reforçar a luta contra a caça clandestina", acrescentou.

"As decisões adotadas beneficiam as espécies selvagens", afirmou Susan Lieberman, da Wildlife Conservation Society (WCS).

"Venceu a ciência da proteção da fauna e da flora", acrescentou Lieberman.

Outras organizações, porém, se mostraram menos otimistas, como a Fundação Brigitte Bardot, que denunciou uma "sensação de trabalho inacabado". A Cites se "contentou em colocar um curativo no sangramento" dos elefantes, disse.

Nos últimos dez anos, 110 mil elefantes africanos foram mortos em função do tráfico de marfim, o que corresponde a um quarto da população atual.

O Fundo Internacional para o Bem-estar Animal (Ifaw) manifestou sua decepção em relação à proteção do leão na África, uma das maiores vítimas dos troféus de caça, que não foi incluída no Anexo I da Cites, que protege estritamente o comércio de espécies ameaçadas de extinção.

Estas são as principais decisões adotadas pela conferência da Cites, que foi realizada entre 24 de setembro e 4 de outubro:

- Elefantes: A Cites negou o pedido da Namíbia e do Zimbábue de autorizar a venda dos seus estoques de marfim confiscado ou proveniente de elefantes mortos por causas naturais. Os países alegavam que o dinheiro arrecadado com essa venda seria utilizado na proteção do meio ambiente.

Ao mesmo tempo, a Cites rejeitou passar os elefantes do Anexo II (comércio regulamentado) ao Anexo I (comércio proibido). Um fracasso para os países da África Ocidental e Oriental que apoiavam essa proposta.

- Rinocerontes: A Cites rejeitou a demanda apresentada pela Suazilândia de exportação de um estoque de 330 kg de chifres de rinoceronte utilizados com fins médicos na Ásia. O pedido contava com o apoio dos criadores de rinocerontes que afirmavam que podiam responder à demanda e contribuir assim para uma redução da caça clandestina que mata três rinocerontes por dia.

- Tubarões: O tubarão seda e o tubarão raposa ganharam uma maior proteção ao serem incluídos ao Anexo II da Cites, o que significa que só poderão ser comercializados sob condições estritas, para frear a pesca excessiva atual.

Um estudo de 2013 estimou que 100 milhões de tubarões são mortos a cada ano - duas vezes a taxa que os conservacionistas dizem que é sustentável.

- Pangolins: As oito espécies de pangolins foram incluídas de forma unânime na maior categoria de proteção da Cites, o Anexo I, banindo seu comércio na África e na Ásia, para salvá-los da extinção.

A Cites revelou ao mundo a trágica situação dos pangolins, pequenos e pouco conhecidos mamíferos com escamas.

Em dez anos, mais de um milhão de exemplares foram mortos, e os pangolins se tornaram o mamífero mais traficado do mundo.

A carne delicada dos pangolins, assim como seus ossos e órgãos, são muito demandados por chineses e vietnamitas, principalmente. Os curandeiros atribuem virtudes terapêuticas às suas escamas, feitas de queratina - da qual também é formado o chifre dos rinocerontes.

- Papagaio cinzento: A Cites proibiu o comércio internacional do papagaio-cinzento africano, uma das aves que mais se trafica.

Após uma votação favorável, a convenção outorgou à espécie o "nível mais alto de proteção", ao inclui-lo no Anexo 1, no qual constam todos os animais cujo comércio é proibido por estarem em perigo de extinção.

Apreciado pela suavidade das suas penas e por sua habilidade para imitar a linguagem dos humanos, é um dos animais de companhia mais demandados. Sua população se viu dizimada nos últimos anos devido à destruição de seus habitats naturais.

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