O regime militar brasileiro (1964-1985) temeu ser alvo de uma denúncia internacional de genocídio contra os povos indígenas e se preparou para enfrentar a crise diplomática em uma conferência da ONU. O caso acabou não entrando na agenda da reunião, em 1968. Mas uma pesquisa realizada a partir dos arquivos do Itamaraty revela a preocupação dos generais e a estratégia que estavam dispostos a implementar para blindar o governo. Os documentos foram obtidos por João Roriz e Renata Nagamine, da UFG (Universidade Federal de Goiás) e da USP (Universidade de São Paulo). De acordo com a pesquisa, houve uma mobilização por parte do Itamaraty para defender o regime, inclusive com o argumento de que o tema de direitos humanos não deveria ocupar a agenda ONU. |