Nada é tão admirável na política quanto a combinação da boa memória com a memória curta. Lula lembra do erro cometido sob Dilma como se a coisa tivesse ocorrido ontem. Há dez anos, o PT peitou Eduardo Cunha na Câmara. Viveu um pesadelo que terminou em impeachment e cadeia. Para evitar um replay, Lula autorizou o PT a apoiar a candidatura de Hugo Motta, um "Cunha's boy", à presidência da Câmara. O garoto do Cunha chega à condição de favorito a integrar a linha sucessória de Lula, uma posição atrás do vice Geraldo Alckmin, com uma mochila carregada de uma simbologia antipetista. É impulsionado por Arthur Lira. Tem diálogo fácil com Bolsonaro. Está próximo de Ciro Nogueira como a unha da cutícula. É filiado ao Republicanos, partido de Tarcísio de Freitas. |