Resultados de Toronto aumentam a expectativa para Rio 2016

Carlos Arthur Nuzman

Carlos Arthur Nuzman

Especial para o UOL

Há poucos dias, o torcedor brasileiro pôde acompanhar o desempenho do Time Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015. Foram 20 dias intensos de competições que aumentaram a expectativa natural do torcedor brasileiro em relação aos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Voltamos felizes porque atingimos as metas estabelecidas: classificamos mais atletas (590) do que em Guadalajara-2011 (515) e ficamos em terceiro lugar pelo quadro geral de medalhas, com 141 conquistas, igualando o número obtido há quatro anos no México. Além disso, obtivemos mais medalhas de ouro do que Cuba, algo que não acontecia há 48 anos.

Esse é um resultado que deve ser valorizado, sobretudo pelo aumento do nível técnico dos Jogos. Em Toronto, mais de 50 recordes pan-americanos foram batidos ao longo da competição.

Tão importante quanto os números alcançados, o perfil da delegação aponta para a renovação do esporte brasileiro. No Canadá, metade de nossos atletas tinha entre 15 e 25 anos, e 70% competiam em um Pan pela primeira vez. São dados extraordinários que demonstram, desde já, o legado que a Olimpíada do Rio deixará para a formação e desenvolvimento dos futuros atletas.

Outro fato importante é que a delegação brasileira contou, em Toronto, com 75 atletas oriundos dos Jogos Escolares da Juventude, nas 14 modalidades que integram o programa do Pan e da competição estudantil.  Além disso, dentre os 16 jovens atletas que foram a Londres participar do Programa Vivência Olímpica, 8 estiveram em Toronto e 7 conquistaram medalha.

Conseguimos também aumentar o número de esportes em condições de lutar por pódios nos Jogos do Rio e nas competições subsequentes. Várias modalidades melhoraram significativamente os resultados obtidos no Pan de Guadalajara-2011 e outras conquistaram medalhas inéditas, inclusive de ouro.

Experimentamos processos e sistemas, à mesma altura dos melhores do mundo, que serão utilizados pelos atletas do Brasil nos Jogos Olímpicos do ano que vem – os serviços ligados às ciências do esporte, o monitoramento de potenciais adversários, o gerenciamento da operação e treinamento dos chefes de equipe, entre outros.

Esses avanços são frutos de um trabalho estratégico do Comitê Olímpico do Brasil em parceria com as Confederações Brasileiras Olímpicas, com suas federações e seus clubes e com os Ministérios do Esporte, da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Em Toronto, o Time Brasil contou ainda com diversos campeões, medalhistas olímpicos e técnicos brasileiros e estrangeiros com currículos repletos de títulos importantes. Entre eles, o nadador Thiago Pereira, que atingiu a incrível marca de 23 medalhas conquistadas, tornando-se o maior recordista da história dos Pans.

Esses jogos têm importância fundamental na vida de um atleta. Antes de subir ao pódio dos Jogos Olímpicos ou dos Campeonatos Mundiais, ele passa pela conquista de medalhas e resultados importantes, como nos Jogos Sul-Americanos e nos Pan-Americanos.

Muitos atletas experimentam no Pan, pela primeira vez, o ambiente de uma vila multiesportiva. Isso é muito interessante por conta da oportunidade de conviver no mesmo local com centenas de atletas de várias nacionalidades e modalidades. Vale também pela chance de identificar suas armadilhas, como a possibilidade de desconcentração e a perda do foco na competição. 

No entanto, sempre devemos frisar as principais diferenças entre os Jogos Pan-Americanos e os Jogos Olímpicos. Em Toronto, participaram 41 países das Américas, enquanto que no Rio serão 205 países dos cinco continentes. 

No Pan, de 4 a 5 países disputam a maioria das primeiras colocações. Nos Jogos Olímpicos, multiplicam-se os candidatos por medalhas. Portanto, são competições diferentes, com realidades e dinâmicas próprias e que se complementam na carreira esportiva de um atleta.

Enfim, deixamos Toronto-2015 na certeza de que estamos oferecendo aos nossos atletas as melhores condições possíveis de treinamento e de preparo para a Olimpíada do Rio. Seguiremos trabalhando arduamente para permitir que cada atleta brasileiro alcance em 2016, perante a torcida brasileira, os amigos e os familiares, a melhor performance de sua carreira.

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Carlos Arthur Nuzman

73 anos, é presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil)

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