Pagar impostos não isenta cidadãos de ajudar na limpeza urbana

Ariovaldo Caodaglio

Ariovaldo Caodaglio

Especial para o UOL

É preocupante e lamentável observar o resultado do levantamento que foi realizado pelo Selur (Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo). Em 2015 foram depredadas, quebradas ou queimadas mais de 36 mil lixeiras na capital paulista. O número representa 25% das 145 mil unidades instaladas na cidade, no ano passado. 

As lixeiras, construídas e estrategicamente distribuídas pelos bairros para propiciar o descarte racional do lixo, não só são consumidas pelo vandalismo, como também por bizarra diversão de algumas pessoas e nas manifestações, que deveriam ser pacíficas nas democracias.

Depredar o patrimônio público, principalmente equipamentos importantes para a qualidade da vida, é um típico ato de violência contra a sociedade. Aliás, é um crime previsto em lei, passível de multa e detenção.

O problema da depredação das lixeiras é uma boa oportunidade para aprofundarmos a discussão nacional sobre a atitude das pessoas no tocante à limpeza urbana e à coleta dos resíduos sólidos. A maioria da população brasileira, pacífica e ordeira, não destrói o patrimônio público, porém pode avançar muito no sentido de contribuir com o meio ambiente urbano.

Para tanto, é importante que todos entendam a necessidade de, por um lado, não sujar os logradouros e, por outro, de dispor o lixo produzido de modo ambientalmente correto. Essa postura, já arraigada em numerosas nações, implica em uma mudança de hábito em casa, na escola, no trabalho e nas ruas. Trata-se de um comportamento decisivo para que as cidades de nosso país fiquem mais limpas.

É necessário rever o anacrônico conceito de que as pessoas têm o direito de sujar ou a prerrogativa de não contribuir para que seu próprio ambiente urbano seja melhor para todos. Afinal, pagar impostos não isenta ninguém das obrigações inerentes à cidadania. A propósito, a maioria dos municípios brasileiros não cobra taxa específica para a limpeza e varrição das ruas, nem para coleta e destino final dos resíduos sólidos.

Precisamos avançar para um conceito mais contemporâneo de que salubridade urbana é responsabilidade de todos. Do mesmo modo, efetuar corretamente a deposição do lixo para a coleta é um compromisso de cada residência, condomínio, empresa, escola e instituição pública ou privada.

Todo cidadão deve ser um agente proativo do processo e não mais um usuário passivo do trabalho dos serviços de limpeza, de varrição e da coleta do lixo produzido pela sociedade. Esse exercício mais amplo e consciente de civismo ajudaria muito a população brasileira a viver em cidades mais limpas e saudáveis, sem lixo nas ruas e com menos doenças –como a dengue, a zika e a chikungunya, transmitidas pelo mosquito criado nas águas empoçadas nas lacunas da cidadania. 

Estamos diante de uma questão de educação ambiental. Já passou da hora de progredirmos para um conceito mais contemporâneo de que é responsabilidade de cada um não sujar as ruas em que transita nem a cidade em que vive. Precisamos de um avanço que implique em mudança de atitude de todas as pessoas. A valorização do civismo é decisiva para que nossas cidades fiquem mais limpas e para que as lixeiras não sejam mais destruídas.

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Ariovaldo Caodaglio

é presidente do Selur (Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo), cientista social, biólogo, estatístico e pós-graduado em meio ambiente

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