PSDB vence nas urnas, mas cisão interna ameaça projeto para 2018

Marco Antonio Carvalho Teixeira

Marco Antonio Carvalho Teixeira

Especial para o UOL

O resultado das eleições municipais de 2016 podem ser analisados por diferentes perspectivas. Dentre elas, estão: qual foi o partido que perdeu e qual teve maior êxito? Qual foi a liderança política que se fortaleceu e qual perdeu força? Assim como também se pode pensar acerca da repercussão desse pleito para as eleições presidenciais de 2018.

Sobre o desempenho dos partidos, o PT, sem dúvida, foi o maior derrotado. Os resultados, ainda que em primeiro turno, mostram que a legenda sai de 630 prefeitos eleitos em 2012 (a terceira força política naquele momento) para 256 (a décima posição) em 2016. O que poderia ter provocado esse tsunami na seara petista?

Sem negligenciar o desempenho à frente das gestões, o principal são os escândalos de corrupção que afetaram diretamente a imagem de sua maior liderança política e impulsionaram o impeachment de Dilma Rousseff. Nas eleições de 2012, o mensalão já tinha sido muito utilizado pela oposição como estratégia política, mas tal escândalo não tinha afetado diretamente a imagem de seu principal dirigente e Lula exerceu influencia positiva na decisão do voto dos eleitores.

É simbólico o fato de o PT, e a esquerda de forma geral, ter ficado, pela primeira vez, fora da disputa decisiva em Porto Alegre e São Bernardo do Campo, e ter sido derrotado em primeiro turno em São Paulo. Essas derrotas representam bem o desafio da esquerda brasileira de se reinventar e produzir novas lideranças que possam recolocar suas propostas na agenda pública brasileira. Com relação ao PT, não existe alternativa: ou parte para uma refundação e se renova ou então perde importância eleitoral.

O partido mais exitoso eleitoralmente nesse pleito foi o PSDB. Os tucanos viram, até o momento, o número de suas prefeituras avançar de 686 (2012) para 793. Em algumas grandes cidades onde o PT se enfraqueceu, os tucanos cresceram. A vitória no primeiro turno em São Paulo e as boas perspectivas que se desenham em Porto Alegre e São Bernardo do Campo não foram meras coincidências. Nessas duas últimas cidades os tucanos foram inexpressivos eleitoralmente nos últimos anos e agora se beneficiaram diretamente do desgaste dos petistas.

Todavia, é importante lembrar que o sucesso dos tucanos não se reflete como um ganho partidário no seu conjunto, dada as contendas internas entre os seus principais dirigentes. O tucano que sai vitorioso, até o presente momento, é Geraldo Alckmin. Criador da candidatura Doria num processo de prévias que rachou o partido, Alckmin terá em mãos mais instrumentos políticos para controlar o PSDB e se consagrar como seu candidato presidencial em 2018.

Resta saber como vão se comportar Serra e Aécio frente ao fortalecimento dele. Aécio Neves ainda pode se beneficiar de uma possível vitória de seu candidato em Belo Horizonte no segundo turno, mas José Serra perde capital político e se isola pelo fato de não ter entrado na campanha de João Dória.

Quanto ao PMDB, seu desempenho não difere muito do alcançado em 2012. Continua sendo o partido com o maior numero de prefeitos, mas perdeu sua principal cidade: o Rio de Janeiro. O PMDB não registra o surgimento de novas lideranças ou algum movimento que possa oxigená-lo.

Na prática, continua do mesmo jeito e onde sempre esteve: sem condição de lançar um candidato a presidente da República por não possuir nenhuma liderança capilarizada nacionalmente, mas segue indispensável para a governabilidade de qualquer governante –inclusive de Michel Temer que pertence aos quadros do partido, mas que ainda não é unanimidade na legenda e sequer se tornou uma grande liderança política nacional.

Por fim, cabe ainda destacar que algumas das promessas de 2012 não vingaram em 2016. O PSB, que havia sido a grande novidade, sem Eduardo Campos perdeu força nacional e tem sido visto, sobretudo em São Paulo, como uma legenda de apoio aos interesses do governador Geraldo Alckmin.

Eduardo Paes, antes visto como um possível presidenciável do PMDB para 2018, não levou seu candidato ao segundo turno no Rio de Janeiro e sai enfraquecido nessa pretensão. Num outro extremo, o DEM ganha fôlego e passa a contar com ACM Neto como sua principal liderança nacional após o prefeito de Salvador ser reeleito em primeiro turno, com mais de 70% dos votos válidos.

As eleições de 2016 sinalizam muitas possibilidades para 2018. Entretanto, fatores como situação econômica, Lava Jato e reformas a serem enviadas pelo governo federal vão falar muito mais para a conjuntura política e as possibilidades dos candidatos do que tomar somente os resultados dessas eleições municipais na configuração de cenários.  

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Marco Antonio Carvalho Teixeira

é cientista político e vice-coordenador da graduação em administração pública da FGV/EAESP

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