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Ministro das Cidades deixa o cargo e é o sétimo a cair por mau uso de verbas; PP mantém a pasta

Depois de se dizer "mais firme [no cargo] do que as pirâmides do Egito", Negromonte se tornou o sétimo membro do governo Dilma Rousseff a sair por denúncias de corrupção - Marcelo Camargo/Folhapress
Depois de se dizer "mais firme [no cargo] do que as pirâmides do Egito", Negromonte se tornou o sétimo membro do governo Dilma Rousseff a sair por denúncias de corrupção Imagem: Marcelo Camargo/Folhapress

Camila Campanerut e Maurício Savarese

Do UOL, em Brasília

02/02/2012 16h17Atualizada em 02/02/2012 19h14

Filiado ao PP, Mário Negromonte é o primeiro ministro a cair em 2012 após acusações de mau uso de verbas públicas. Ele oficializou sua saída da pasta das Cidades após reunião com a presidente Dilma Rousseff na tarde desta quinta-feira (2), em Brasília. Negromonte sai em meio a acusações de que membros de sua equipe negociaram com lobistas em um projeto de informática e de que obras ligadas à Copa do Mundo em Cuiabá teriam sofrido ingerência para ficarem mais caras.

O agora ex-ministro será substituído por seu correligionário Aguinaldo Ribeiro (PP), que era líder da legenda na Câmara dos Deputados. Em nota oficial entregue pela ministra-chefe de Comunicação Social, Helena Chagas, o governo anuncia a demissão do ministro: "O ministro das Cidades, deputado Mário Negromonte, entregou hoje sua carta de demissão à presidenta Dilma Rousseff. A presidenta da República agradece os serviços por ele prestados ao país à frente da pasta e lhe deseja boa sorte em seus novos projetos. Para substituí-lo a presidenta convidou o deputado Aguinaldo Ribeiro".

Depois de se dizer “mais firme [no cargo] do que as pirâmides do Egito”, Negromonte se tornou o sétimo membro do governo Dilma Rousseff a sair por denúncias de corrupção: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo), Orlando Silva (Esportes) e Carlos Lupi (Trabalho) o precederam. O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim também deixou o governo, mas por ter feito críticas públicas à gestão.

Dilma recebeu Negromente em reunião que durou cerca de 15 minutos. Logo depois da demissão, Dilma recebeu o presidente do PP, o senador Francisco Dornelles (RJ) --que anunciou a mudança na pasta antes do Planalto-- e o sucessor de Negromonte, Aguinaldo Ribeiro (PB). A transmissão de cargo será na próxima segunda-feira (6).

Negromonte afirmou que vai reassumir o mandato de deputado federal, cuja cadeira estava sendo ocupada por seu suplente, o ex-pugilista Acelino Popó Freitas.

Ele se fragilizou na pasta depois de o jornal “Folha de S.Paulo” informar que o chefe de seu gabinete, Cássio Peixoto, recebeu lobistas para contratar um sistema de informatização da pasta. Eles negam terem fechado qualquer acordo e a licitação ainda não foi feita.

No ano passado, o jornal “O Estado de S. Paulo” informou que obras de transporte em Cuiabá receberam uma nota técnica negativa no ministério e, mais tarde, esse parecer foi mudado de maneira suspeita, supostamente com interferência pessoal do ministro. Essa alteração aumentaria os custos da obra em R$ 700 milhões.

"Vítima de campanha difamante"

Negromonte foi ao Congresso para negar as denúncias e instaurou uma sindicância ainda não finalizada no Ministério das Cidades. Ele nunca esteve confortável no cargo, mesmo entre os colegas: muitos preferiam o retorno de Márcio Fortes, titular da pasta no governo Luiz Inácio Lula da Silva, ou eram críticos dos aliados que o ministro escolheu na Câmara e no Senado.

Em sua carta de demissão, Negromonte afirmou que "no âmbito das disputas políticas, vivenciamos uma experiência exaustiva". Ele disse que foi vítima de ataques constantes por parte de "adversários interessados em desestabilizar nossa permanência no Ministério das Cidades". O ex-ministro alegou ainda que "parte da mídia reproduziu denúncias vazias, de forma agressiva e insistente". "Fui vítima de uma campanha que se pretendeu difamante e que o tempo vem provando infundada, sem consistência, sem conteúdo. (...) Nenhuma ilegalidade foi encontrada, não respondo a nenhum processo."

Nascido em Recife, o advogado e empresário Negromonte, 61, fez carreira política na Bahia. Ele já foi filiado ao PMDB (1986-1988), ao PSDB (1988-2001) e entrou no PP em 2001 (na época o partido se chamava PPB). Foi deputado estadual entre 1991 e 1994, ano em que obteve o primeiro de seus cinco mandatos de deputado federal.

Foi líder do PP na Câmara ao longo do segundo mandato de Lula. Em meio à fritura, disse ser vítima de fogo amigo e afirmou ser vítima de preconceito contra nordestinos. Disse ainda que discriminação contra as mulheres torna alvos o governo Dilma e seus ministros. É casado com Vilma Negromonte, prefeita da cidade de Gloria (BA), e é pai de três filhos.

Veja as mudanças no governo de Dilma Rousseff

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Quem é o novo ministro

Deputado federal de primeiro mandato e líder do PP, o novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, da Paraíba, é formado em engenharia civil e administração de empresas, com especialização pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em gestão empresarial.

Em seu Estado, o parlamentar ocupou uma série de cargos públicos como o de secretário de Agricultura, Irrigação e Abastecimento. Ribeiro também foi titular da Secretaria de Ciência e Tecnologia de João Pessoa e da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Recursos Hídricos e Meio Ambiente do Estado.

Na Câmara dos Deputados, ele integrou as comissões de Finanças e Tributação e a de Minas e Energia. Ribeiro também foi suplente na Comissão Especial de Reforma Política. Ele é autor de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui o sistema distrital misto. O deputado também foi suplente do Conselho de Ética da Câmara.

Mas já há acusações contra o novo ministro. Reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo" divulgada hoje mostrou que Aguinaldo Ribeiro teria direcionado programas para beneficiar politicamente a família. Em maio do ano passado, ele enviou uma indicação para Negromonte incrementar o programa Minha Casa, Minha Vida em Pilar (PB), município administrado por sua mãe, Virgínia Maria Veloso Borges. O novo ministro teria ainda destinado cerca de R$ 800 mil em emendas para a cidade de Campina Grande (PB), onde sua irmã é pré-candidata à prefeitura neste ano.

(Com Agência Brasil)

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