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Governo beneficia sites "progressistas" na distribuição de verbas

Do UOL, em São Paulo (SP)

03/07/2013 21h49

Pela primeira vez, o governo federal divulgou a lista dos 20 sites que mais receberam verbas publicitárias na internet brasileira em 2012. Os dados, publicados pelo blog Vi o Mundo, revelam que a audiência é o principal, mas está longe de ser o único critério para a distribuição de recursos.

A ministra Helena Chagas, responsável pela Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), afirmou que seguiu o critério da audiência para a alocação do dinheiro para publicidade das ações governamentais. A reportagem do UOL cruzou o total de recursos distribuído pelo governo com a audiência medida pelo Ibope durante o ano passado. O resultado está na tabela abaixo, que desmente esse argumento.
 

COMPARAÇÃO ENTRE VERBA DO GOVERNO E AUDIÊNCIA NA INTERNET

PORTAL/SITEVERBA PUBLICITÁRIA (2012)MÉDIA MENSAL DE AUDIÊNCIA (em page views)
TerraR$ 9.819.564,551.979.352.000
UOLR$ 9.734.216,464.612.599.000
MSNR$ 9.078.014,975.796.725.000
Globo.comR$ 7.752.803,123.027.912.000
IGR$ 5.738.331,761.872.384.000
YahooR$ 4.933.706,333.256.665.000
R7R$ 4.042.953,59819.949.000
FacebookR$ 3.394.960,9539.601.056.000
Viajeaqui OnlineR$ 1.770.665,583.778.000
Estadão.comR$ 1.498.298,1985.835.000
Casa.comR$ 1.375.235,6715.586.000
EBandR$ 1.316.163,9143.486.000
GoogleR$ 968.150,8112.844.913.000
Carta MaiorR$ 830.132,92808.000
HotwordsR$ 829.275,551.292.000
Folha OnlineR$ 780.359,55127.211.000
Conversa AfiadaR$ 628.806,144.038.000
Abril.comR$ 586.041,77251.798.000
Bolsa de MulherR$ 580.377,3811.405.000
Ópera MundiR$ 573.875,62514.000
  • Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e Ibope

Um exemplo extremo é o Facebook, líder disparado de audiência no Brasil, mas que está no oitavo lugar neste ranking da verba do governo, atrás do R7, mesmo tendo 48 vezes mais páginas visitadas que o portal ligado à TV Record.

Por outro lado, o portal Terra lidera a lista da verba estatal, mesmo estando em sétimo no ranking feito com dados de audiência divulgada pelo Ibope.

"Nosso interesse na audiência é levar a nossa mensagem a um número máximo de pessoas. Até hoje não surgiu um critério mais eficiente em relação a esse objetivo principal, que é dar acesso a todos os brasileiros a esta mensagem, do que o critério da mídia técnica", afirmou Chagas em entrevista ao “Vi o Mundo".

Em sua argumentação, a ministra só abriu uma exceção, quando diz que o critério regionalização é mais importante que a audiência. Um caso claro é o gasto com carros de som ou em rádios pequenas para divulgar campanhas de saúde em cidades distantes do Norte e Nordeste.

Mas um critério político parece também desequilibrar a balança com o dinheiro estatal. Páginas com viés ideológico de esquerda, como Carta Maior, Conversa Afiada e Ópera Mundi (este, parceiro de conteúdo do UOL), foram agraciadas com um dinheiro público que não corresponde a quantidade de pessoas que passam por seu conteúdo.

A Carta Maior, por exemplo, recebeu mais verba publicitária que a Folha, que tem 157 vezes mais páginas visitadas por mês. Já blog Conversa Afiada, que faz parte da autodenominada "blogosfera progressista", ganhou mais em propaganda estatal que o portal da Abril, que tem 62 vezes mais audiência que a página comandada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim.

A reportagem do UOL questionou a Secom sobre o assunto e recebeu a seguinte resposta:

"A audiência é, sim, o principal critério norteador da programação publicitária para qualquer veículo de comunicação, incluindo sites e blogs,  por parte do governo federal, administração direta, indireta e estatais. A relação dos veículos do meio internet com os maiores valores planejados para as ações publicitárias em 2012 segue este critério. Porém, esta lista pode também ser influenciada pelas especificidades e necessidades de comunicação de cada órgão do governo federal e do volume de recurso de cada órgão destinado às ações de publicidade do meio internet, o que interfere no ranking final. Não se espera de uma campanha destinada a estimular o aleitamento materno, por exemplo, o mesmo perfil de veiculação de uma campanha de estatal destinada a promover um tipo de óleo lubrificante.

Cabe esclarecer que a Secom, desde 2008, torna disponíveis em seu site todos os dados globais do planejamento dos investimentos de mídia publicitária (Fonte IAP) do governo federal, por meio e por órgão da administração direta.  A partir da implantação da Lei do Acesso à Informação esse processo de divulgação vem sendo aprofundado e  detalhado. Devido à grande quantidade de veículos e à necessidade de checagem e consolidação de dados, esse trabalho de divulgação vem sendo feito gradativamente."

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