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A única coisa boa do Maranhão é o presídio de Pedrinhas, diz Bolsonaro

Bruna Borges e Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

11/02/2014 18h02Atualizada em 11/02/2014 19h43

A ameaça do PP em indicar Jair Bolsonaro à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados levou um grupo de mulheres da UJS (União dos Jovens Socialistas) a promover um “beijaço” nos corredores da Casa na tarde desta terça-feira (11). Segundo elas, o ato serviu para pressionar os parlamentares a não entregarem a comissão nas mãos do deputado.

Conhecido pelas posições conservadoras e ataques a movimentos gays, Bolsonaro também circulava no local do protesto, perto da entrada da sala da Presidência da Casa, onde ocorria a reunião fechada de líderes dos partidos para definir a questão.

De forma exaltada, Bolsonaro disse, em entrevista a jornalistas, que via o presídio de Pedrinhas, onde ocorreram dezenas de mortes de presos desde o ano passado e reacendeu a discussão sobre o caos penitenciário, como “a única coisa boa do Maranhão”.

“A única coisa boa do Maranhão é o presídio de Pedrinhas. É só você não estuprar, não sequestrar, não praticar latrocínio que tu não vai para lá. Vai dar vida boa para aqueles canalhas?”, questionou aos brados.

O deputado aproveitou para sair em defesa das maiorias dizendo que o entendimento de que a associação de direitos humanos às minorias era equivocada. “Minha proposta é defender direitos da maioria e não da minoria. (...) Minoria tem que se calar, se curvar à maioria”, afirmou. “Quando eu falo em pena de morte é que uma minoria de marginais aterroriza a maioria de pessoas decentes", falou.

'Única coisa boa do MA é Pedrinhas'

Ele afirmou também que não pretende fazer distinção de raça para debater políticas públicas de inclusão. “Eu, caso seja presidente da comissão, serei daltônico, todos terão a mesma cor. (...) O que um negro está sofrendo agora para que a gente possa melhorar com projetos aqui? Por que um filho de nordestino deve ter menos direitos do que um afrodescendente?”

“Quando eu falo em pena de morte é que uma minoria de marginais aterroriza a maioria de pessoas decentes. Quando se fala em menor vagabundo, como esse que foi preso num poste no Rio de Janeiro, você tem que ter uma política para aprisionar esses caras, buscar a redução da maioridade penal e não defender esses marginais como se fossem excluídos da sociedade, são vagabundos.” 

O deputado disse ainda que pretende defender planejamento familiar, com a redução da idade mínima dos 25 anos para os 18 anos para fazer vasectomia ou laqueadura, entre outras propostas polêmicas. “Quero buscar uma maneira de falar para a sociedade que eles foram enganados com o Estatuto do Desarmamento, só desarmou os cidadãos de bem, os marginais continuam armados”, disse.

De acordo com Bolsonaro, o líder do PP vai apoiar seu nome para o comando da comissão, mas a eleição que escolhe quem vai presidir o colegiado depende da ordem de escolha entre os partidos. Atualmente, a Câmara tem 21 comissões permanentes --são nesses colegiados que os projetos temáticos são analisados primeiramente. As escolhas das comissões seguem o tamanho das bancadas. O PT, maior bancada, tem direito a três comissões, por exemplo.

Ato contra Bolsonaro

O protesto da UJS contou com cinco estudantes. Elas distribuíram panfletos e promoveram o beijo gay. As estudantes que participaram o chamaram de “Mais amor, menos Bolsonaro”. Segundo elas, havia 30 manifestantes na Câmara, mas a maioria dos integrantes foi barrada pelos seguranças da Casa.

“Viemos dizer aos líderes dessa Casa que não permitiremos que um representante da ditadura militar e do que há de mais conservador da política brasileira assuma a comissão”, disse Maria das Neves, estudante de história da UFAM (Universidade Federal do Amazonas).

As jovens conversaram com as lideranças dos partidos durante reunião com o presidente da Casa, deputado Henrique Alves (PMDB-RN). “Não somos gays, não somos heterossexuais. Somos livres. Esse ano será importante para a luta dos direitos humanos e não podemos permitir que um filhote da ditadura, um racista preconceituoso, um homofóbico presida a comissão”, defendeu a estudante.

“Pode se beijar à vontade. A minha briga nunca foi contra os homossexuais, foi contra o material escolar, nós não podemos estimular a criança a partir dos seis anos de idade a ser homossexual como o PT vem fazendo”, afirmou o deputado em entrevista ao saber pela imprensa que o “beijaço” havia acabado de acontecer.

“Se o homossexual foi violentado ou maltratado, a pena deve ser a mesma de que violentar ou maltratar um heterossexual, porque agora eles vão ter superpoderes? Eles são semideuses? (...) Não é porque o cara faz sexo com o seu órgão excretor que ele tem que ser melhor do que os outros.”

Marco Feliciano

O PSC presidiu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias durante o ano passado, sob a conturbada gestão do pastor deputado Marco Feliciano. “Comigo na comissão, vocês vão sentir falta do Feliciano. Ele ainda se importava com a opinião das pessoas, eu não”, defendeu Bolsonaro.

À frente da comissão, Feliciano defendeu uma proposta conhecida como “Cura gay”, um projeto de lei que pretende derrubar trechos de uma resolução do CFP (Conselho Federal de Psicologia) que proíbe que psicólogos ofereçam tratamento para a cura da homossexualidade, como se ela fosse uma doença.

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