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Ex-diretor da Petrobras diverge de Graça Foster sobre valor de refinaria

Bruna Borges

Do UOL, em Brasília

16/04/2014 12h41Atualizada em 25/04/2014 19h04

Um dos pivôs da crise da Petrobras, o ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró disse nesta quarta-feira (16) que a aquisição da refinaria em Pasadena, no Texas (EUA), custou US$ 1,23 bilhão. A presidente da estatal, Graça Foster, afirmou ontem no Senado que o valor foi US$ 1,25 bilhão.

Cerveró presta esclarecimentos na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados sobre a compra da refinaria americana.

Por suspeita de ter representado um prejuízo milionário, a aquisição da unidade pela Petrobras tem sido alvo de investigações em diferentes órgãos, como o Ministério Público e a Polícia Federal.

De acordo com Cerveró, desse total de US$ 1,23 bilhão, US$ 555 milhões referem-se à refinaria em si. A aquisição da comercializadora, incluindo estoques de combustíveis, representou US$ 343 milhões. A Petrobras também teve gastos com juros e garantias bancárias.

Valor da compra da refinaria de Pasadena

  • 2005

    A empresa de origem belga Astra Oil compra a refinaria por US$ 42,5 milhões. O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, diz que o valor foi US$ 326 milhões. Já a atual dirigente, Graça Foster, afirma que pagou "pelo menos" US$ 360 milhões

  • 2006

    A Petrobras paga R$ 360 milhões à Astra por 50% da refinaria e parte dos estoques de petróleo

  • 2012

    A Astra, após se desentender com a Petrobras, aciona a Justiça e exige que a estatal compre o restante. A Petrobras paga, então, mais US$ 820,5 milhões por estoques de petróleo, juros, multas e honorários

  • Valor total

    O total pago pela Petrobras pela refinaria foi de US$ 1,18 bilhões. O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, sustenta que o valor foi US$ 486 milhões, enquanto Foster diz que foi US$ 1,25 bilhão. Já o ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró chegou ao valor de US$ 1,23 bilhão

Ao defender o negócio  Cerveró afirmou que, mesmo assim, o custo medido pela capacidade de refino ficou muito abaixo da média de outras refinarias em valores de mercado da época.
 

Ainda segundo Cerveró, já em 2006, a intenção da Petrobras era ampliar a capacidade da refinaria de 70 mil barris por dia para 200 mil barris por dia. Ele afirmou que a diretoria executiva da estatal aprovou naquele ano este planejamento.

O ex-diretor também declarou que a Astra se recusou a participar do processo de ampliação da produção da refinaria. "Chegamos à conclusão que seria impossível continuar com essa sociedade", disse o ex-diretor.

Ao justificar seu voto pela compra da refinaria, a presidente Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil e presidente do conselho da estatal, disse que se baseou em um resumo "incompleto" e técnica e juridicamente "falho", elaborado por Cerveró. Afirmou ainda que, se soubesse de todas as cláusulas, que acabaram obrigando a Petrobras a comprar a outra parte da unidade, não teria aprovado a transação.

Apesar do parecer "falho", Cerveró não exonerado à época -- virou diretor financeiro da BR Distribuidora e só foi demitido no último dia 21 de março deste ano, após a repercussão negativa do caso.

No Congresso, o escândalo motivou a mobilização da oposição para tentar instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias.

Ontem (15), o Congresso abriu duas CPIs para apurar o caso da Petrobras. No entanto, a definição sobre foco das comissões --só a Petrobras ou o Porto de Suape e o cartel do Metrô de São Paulo-- ficará a cargo do STF (Supremo Tribunal Federal).

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