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Descontraído, Padilha sela aliança 'maior que o Corcovado' com Maluf

Guilherme Balza

Do UOL, em São Paulo

30/05/2014 11h15

O ex-ministro da Saúde da presidente Dilma Rousseff e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, selou na manhã desta sexta-feira (30) a aliança com o PP de Paulo Maluf, agregando mais de um minuto no horário eleitoral gratuito. O evento foi realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo, zona sul da cidade.

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Padilha estava visivelmente mais à vontade do que o prefeito Fernando Haddad, que há dois anos demonstrou constrangimento ao dar  um aperto de mãos com Maluf para obter o apoio dele. Sorridente, o ex-ministro trocou elogios e conversas ao pé de ouvido com Maluf ao longo da cerimônia.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, e o estadual, Emídio de Souza, compareceram à cerimônia, que contou também com a presença do ministro das Cidades, Agnaldo Ribeiro (PP), o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, além de prefeitos e parlamentares dos dois partidos. Diferentemente do que aconteceu há dois anos com Haddad, desta vez o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apareceu. “O presidente Lula tinha outra agenda e nós estávamos suficientemente representados aqui por deputados, prefeitos, o presidente Emídio e eu próprio", afirmou Falcão.

Ao chegar ao evento, Maluf falou que a aliança entre os partidos será do "tamanho do Corcovado, abençoada por Deus, do tamanho do Pão de Açúcar”. Em seguida, ambos se deram as mãos, e um militante do PP gritou: "Salve Maluf, salve Padilha."

Ataques a Alckmin

Além da troca de afagos, Maluf e Padilha afinaram o discurso ao criticarem a gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Os temas prediletos de ambos foram a segurança pública, os problemas do Metrô e, claro, a escassez de água. 

Maluf fez um discurso de exaltação às principais figuras do PT, como Lula ("grande estadista" e "exemplo para todos os jovens"), Haddad ("vai sair glorificado daqui a três anos") e Dilma. "“Ela ganha [as eleições] no primeiro turno pelas suas qualidades. Me cobrem depois [se ela não for eleita]."

O deputado justificou o apoio a Padilha citando o programa Mais Médicos, implantado na gestão petista no Ministério da Saúde. “[Padilha] foi dos melhores ministros da saúde que o Brasil teve. Quando o interior de São Paulo e do Brasil não tinha médicos, ele não teve preconceito: foi à Espanha, a Portugal, aos Estados Unidos, à Inglaterra, a Cuba e trouxe médicos de outros países para atender a população mais carente.”

Em discurso que durou quase 40 minutos, Padilha lembrou do período que foi ministro das Relações Institucionais de Lula e qualificou Maluf como "um deputado extremamente fiel" ao ex-presidente.

O pré-candidato afirmou também que as relações entre PP e PT são antigas. "Essa aliança não se iniciou há dois anos na eleição de Haddad. Ela vem se construindo em anos de amadurecimento do PT e do PP."

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PAS x SUS

No discurso, Maluf citou o programa PAS (Plano de Atendimento à Saúde), implantado por ele na capital paulista na década de 90 para servir de contraponto ao SUS (Sistema Único de Saúde), historicamente associado ao PT.  “Quando fui prefeito, fiz o melhor plano de saúde do Brasil que foi o PAS.”

Nos tempos em que eram adversários do malufismo, petistas criticavam o PAS porque diziam que o sistema promovia o desmonte da saúde pública. Questionado sobre a declaração de Maluf, Padilha admitiu que há divergências entre PT e PP neste assunto.

“Há temas em que temos posicionamentos diferentes, mas hoje o PT governa junto com prefeitos do PP implantando o SUS. O PAS foi um programa que existiu no século passado, no comecinho dos anos 2000, foi superado aqui em São Paulo, inclusive por gestões do PSDB.”

Cargos e tempo de TV

Após a cerimônia, Padilha afirmou que não fez  cálculo de tempo ou negociou cargos para definir a aliança com Maluf. “Não fiz nem o cálculo do tempo e nem fizemos qualquer tipo de conversa sobre cargos. O PP tá vindo apoiar a pré-candidatura do PT pela parceria que já temos em várias cidades do Estado, pelo papel que quadros do Ministério das Cidades que são filiados ao PP e podem ser decisivos para o Estado de São Paulo.”

Para a campanha petista, os cerca de 1m15s que o PP agregará ao tempo de televisão de Padilha são preciosos porque a coligação deve passar a ter mais tempo de televisão do que a de governador Geraldo Alckmin (PSDB), que busca a reeleição. Até por estão razão, os tucanos também negociaram o apoio de Maluf, mas foram preteridos. Outro motivo que leva o PT a priorizar o tempo de TV é o fato de Padilha, a exemplo de Haddad, ser um desconhecido entre o eleitorado paulista.

A aliança deve trazer consequências. Uma delas é o descontentamento da militância petista e do conjunto do eleitorado, como ocorreu em 2012. Hoje, Padilha afirmou que a base do partido não irá se decepcionar com a nova aliança com Maluf. “A militância do PT quer ganhar o governo de São Paulo. A militância está junto em várias gestões municipais do PT junto com o PP. Quem não está gostando é a militância --se é que existe-- do PSDB.”

Ao final do evento, Rui Falcão disse que não é mais constrangimento tirar foto com Maluf. "A gente tira foto todo dia, ainda mais agora com selfies, com celulares. As fotos se popularizaram muito."

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