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Denise Abreu critica 'armadilhas do PT' e prega governo conservador

Débora Melo

Do UOL, em São Paulo

11/06/2014 06h00

Pré-candidata à Presidência pelo PEN (Partido Ecológico Nacional), a advogada Denise Abreu afirma que sua candidatura representa “um risco” ao governo do PT, visto que ela conhece “profundamente a máquina administrativa federal”.

Denise foi diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ficou conhecida após o acidente com o avião da TAM que matou 199 pessoas no dia 17 de julho de 2007 no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Em abril deste ano, o Ministério Público Federal de São Paulo pediu pena de até 24 anos de prisão para Denise e para o então diretor de segurança de voo da TAM, Marco Aurélio Miranda.

Para o MPF, que pede condenação na modalidade dolosa (quando há intenção no crime), ambos assumiram o risco de expor a perigo os aviões que operavam em Congonhas.

A ex-diretora da Anac nega todas as acusações e afirma que foi vítima de um “assassinato de reputação”.

Denise afirma que está há seis anos preparando o lançamento de sua candidatura à Presidência e que se identifica com o pouco conhecido PEN por causa dos “valores conservadores da família e valores judaico-cristãos”. A confirmação de seu nome como candidata do PEN, contudo, ainda enfrenta resistência dentro do partido --as siglas têm até 30 de junho para realizar convenções e escolher nomes para as chapas e o prazo final para registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é 5 de julho. Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 6 mostra Denise Abreu com 1% das intenções de voto.

Em entrevista concedida ao UOL em sua casa no Butantã, na zona oeste de São Paulo, Denise listou as principais propostas de sua pré-candidatura, entre elas a criação de escritórios regionais da Presidência da República que sejam comandados por militares --classe que julga ter sido “muito desconsiderada”--; a “retirada da ideologia de esquerda das escolas e universidades”; a criação de uma Secretaria Nacional da Polícia Federal a fim de dar “mais independência” ao órgão; e o perdão das dívidas dos municípios com a União.

Embora afirme que não quer entrar na disputa pela Presidência para ameaçar qualquer candidato, Denise insiste que conhece muito bem o funcionamento interno do PT, partido bastante criticado por ela, bem como o modo de agir da presidente Dilma Rousseff, que deve se candidatar à reeleição.

“Você viu agora que a Dilma deu para me imitar?”, perguntou Denise à reportagem. “Ela trocou aqueles terninhos esquisitos por uma camisa igual a esta que eu estou usando e trocou o colar de pérolas por uma correntinha igual à minha”, disse.

Antes da diretoria da Anac, Denise assumiu, em 2003, um cargo na Casa Civil com o então ministro José Dirceu --de quem ela nega que seja amiga. Além disso, ela trabalhou durante 17 anos na Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e assumiu cargos no governo de Mário Covas (PSDB-SP).  

UOL entrevista candidatos à Presidência da República

UOL - O que sua candidatura pode oferecer de mudança?
Denise Abreu -
A sociedade brasileira perdeu ao longo desses 12 anos [de governo do PT] os vínculos com os valores conservadores da família. Nossas propostas são fundadas em uma visão conservadora da sociedade, pelo desenvolvimento do país e do ser humano. Na área da segurança, nós queremos implantar escritórios regionais da Presidência da República, que serão instalados em bases militares e serão comandados por militares da reserva. Na educação, nossa maior proposta é a retirada da ideologia de esquerda das escolas e universidades públicas e privadas, que vão formando uma geração que já chega ao mercado de produção com uma ideologia incrustada, que nada mais é do que a ideologia da não-produção.

Como isso seria feito na prática?
Nas cartilhas que vêm sendo distribuídas para as escolas públicas existe muita ideologia de esquerda. Nós pretendemos simplesmente retirar qualquer tipo de ideologia. Cabe à escola pública estimular o aluno a raciocinar. Ela tem que informar sobre qualquer tipo de ideologia, e, quando essa criança se transformar em um adulto, terá capacidade de escolher.

E quanto a colocar os militares para comandar esses escritórios. Qual o objetivo?
Os militares têm preparo e planejamento estratégico, algo que falta muito para os civis. Nesse sentido, nós vamos unir a ala militar com a ala civil para poder governar a nação. Tendo os militares ao nosso lado, nós estaremos garantindo que esses escritórios regionais não gerarão custos, porque as bases militares já existem, os militares já recebem seus soldos, e, mais do que isso, não será mais um foco de corrupção, como aconteceu aqui no escritório regional da Presidência da República em São Paulo.

Você trabalhou no governo do PT e agora faz críticas e apresenta propostas pra contrapor esse governo. Existe alguma decepção com o PT?
Eu participei apenas um ano e meio do governo Lula. Nos outros anos eu estive em um órgão de Estado, uma agência reguladora. Não é um órgão de governo. Eu fui indicada pelo Senado para estar na Anac. Porém, a minha vida pública é de 30 anos. No governo Mário Covas [do PSDB, em São Paulo] eu trabalhei oito anos, contra um ano e meio de governo Lula. Decepção em relação ao PT? Não, porque eu nunca tive esperança com relação ao PT.

Sua candidatura está aí, de alguma forma, para questionar a presidente Dilma em debates, por exemplo? Como você vê a disputa com a presidente?
Eu conheço profundamente a máquina administrativa federal e sei onde todas as armadilhas foram colocadas pelo PT para desmonte dessa máquina. Conheço muito bem a presidente Dilma Rousseff, como ela atua, qual é o pensamento dela, quais foram os seus equívocos. Estudei ao longo desses seis anos quais foram as reais intenções dos programas apresentados no governo Dilma Rousseff, e nesse sentido eu entendo que há uma importância muito grande para a nação brasileira de ter uma mulher com o conhecimento que eu tenho em um debate de TV.

Você se colocaria como uma candidata da direita?
Sem dúvida nenhuma. Se eu tiver que usar essa definição, que eu acho que hoje em dia nem cabe muito, não tem problema. Eu me intitulo uma conservadora porque eu defendo a liberdade de mercado, defendo o respeito aos valores conservadores da família e o respeito aos valores judaico-cristãos. E tudo isso é entendido como uma característica da direita.

Qual a sua opinião a respeito de aborto e drogas?
Eu sou absolutamente contra a legalização do aborto. Não entendo que o aborto legalizado seja uma alternativa de prevenção da gravidez, que é o que vai acontecer neste país com a legalização do aborto. Com relação à legalização das drogas, eu entendo que o Brasil tem tantos problemas a enfrentar. A população nas ruas clamou pela melhoria da saúde, da educação, dos transportes, da segurança. Não há que se discutir, a esta altura do campeonato, a legalização das drogas.

Quem vai financiar a sua campanha?
A minha candidatura é muito clara, ela é uma candidatura conservadora e é a única. Portanto, a ala conservadora tem interesse, sim, em ter um representante da nação que seja conservador, que traga de volta a possibilidade de produção, que nós passemos a crescer a partir da produção.

O seu vice seria o Romeu Tuma Jr.?
O Romeu Tuma Jr. foi convidado, já aceitou, estamos em negociação.

E qual é a afinidade de vocês?
O conservadorismo. Isso é o mais importante: ter, dentro do mesmo governo, diretrizes que não sejam conflitantes. E basta ter uma visão conservadora para que a gente saiba que não haverá conflito.

Vocês dois são ex-aliados do PT.
Então, não é aliado. Essa é uma terminologia de aparência. Nós somos dois técnicos que foram convidados a assumir cargos por falta de pessoas com qualificação técnica dentro do próprio PT para assumir esses cargos. Exclusivamente isso. Ele também conhece a máquina administrativa federal, e isso é muito bom.

E juntos vocês têm o objetivo de lançar uma candidatura de contraponto ao governo...
Não é só contraponto ao governo. Nós somos uma dupla que estará fazendo uma oposição verdadeira neste país, uma oposição que, ao invés de estar apenas tentando dar continuidade às propostas do governo do PT com algumas modificações, tem propostas exclusivas, únicas, inovadoras e inéditas.


Você ficou conhecida por motivos que não foram exatamente positivos. Como você pretende trabalhar sua imagem nesse sentido, para que as pessoas não te associem ao acidente da TAM?
As pessoas não me associam ao acidente, mesmo sendo isso que você disse, uma figura que acabou sendo conhecida em razão de ter tido a reputação assassinada por interesses privados e partidários do PT no envolvimento do Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, no caso Varig. Tudo nasce na Varig. Eclodiu com o acidente, que trouxe a visibilidade da mídia. O que o público conheceu foi a manobra para assassinar a minha reputação. De qualquer maneira, com tudo isso, nós entendemos que ter mais de 1,5 milhão de intenção de voto, demonstra que há um clamor público para que o meu nome seja colocado como um nome de candidata à Presidência da República.

Mas você mesma fala em um assassinato de reputação. De que forma pretende mudar isso?
Eu não tenho nenhum planejamento de mudança de imagem. Eu sou o que eu sou, me apresento para a nação verdadeiramente, as minhas ideias e as minhas propostas, e conforme eu te disse isso tem sido suficiente para as pessoas entenderem que aquilo tudo foi uma trama para assassinar uma reputação e tentar, tal qual o Marco Civil da internet, colocar uma mordaça na Denise Abreu que muito tem a dizer para este país.

Quem é Denise Abreu

  • Idade

    52 anos

  • Naturalidade

    São Paulo (SP)

  • Estado civil

    Divorciada; tem dois filhos

  • Profissão

    Advogada

  • Candidatura a presidente

    É a primeira vez que disputa

  • Experiência parlamentar

    Nenhuma