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Kátia Abreu toma posse na Agricultura e "declara amor" a ruralistas

A senadora Kátia Abreu, presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil), assumiu o Ministério da Agricultura - Alan Marques/Folhapress
A senadora Kátia Abreu, presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil), assumiu o Ministério da Agricultura Imagem: Alan Marques/Folhapress

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

05/01/2015 18h03Atualizada em 06/01/2015 09h50

A recém-empossada ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB), declarou “eterno amor” aos ruralistas durante a cerimônia de transmissão de cargo realizada nesta segunda-feira (5). “Quero declarar meu eterno amor a esta categoria, a este setor que ajudou a me criar e ajudou a formar todo o meu caráter, os meus princípios, junto com todos vocês de norte a sul deste país”, afirmou a ministra. Kátia é presidente licenciada da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), principal que representa agricultores e pecuaristas.

A cerimônia de transmissão de posse contou com a presença de ministros de Estado como Eduardo Braga (Minas e Energia), Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário) e Helder Barbalho (Pesca). 

As recentes declarações de Kátia Abreu em defesa dos ruralistas geraram reações entre entidades ligadas à defesa dos trabalhadores sem-terra. Kátia Abreu é senadora do PMDB pelo Tocantins. Ela foi a primeira mulher a comandar a CNA, uma das principais entidades que representa pecuaristas e agricultores. 

Em seu discurso de posse, Kátia chamou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, de "amiga íntima". "Quando eu digo pras pessoas que a ministra do Meio Ambiente é mais próxima e mais amiga íntima que outros ministros, ninguém acredita, porque sempre estivemos em pé de guerra com o MMA, mas a vinda da Izabella harmonizou e fez com que a pacificação fosse feita", disse.

Após discursar, a ministra afirmou a jornalistas que não aceitará “nenhuma provocação” durante seu comando no Ministério da Agricultura. A afirmação foi feita após ela ser questionada sobre sua relação com movimentos sociais como o MST e a reforma agrária. “Este será o ministério do diálogo, estamos prontos para trabalhar e ir para um bom combate. Nenhuma luta, nenhuma guerra que venha trazer conflitos e que possam puxar o país pra trás terá a minha participação. Não aceitarei nenhum tipo de provocação”, disse.

Nesta segunda, o jornal "Folha de S.Paulo" publicou uma entrevista com a ministra na qual ela disse que “não existe latifúndio” no Brasil e que a reforma agrária não precisa ser feita "em massa".

Questionada sobre a reforma agrária, Kátia disse que o tema não é sua responsabilidade. “O meu ministério não é o responsável pela RA [reforma agrária]. A RA é do MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário]. Nós temos competências e cada ministério e eu pretendo respeitar essa competência”, afirmou.

Após a entrevista à "Folha", movimentos sociais como MST e a CPT (Comissão Pastoral da Terra) criticaram as declarações de Kátia Abreu. Questionada sobre as críticas, Kátia Abreu não comentou o assunto.

A cerimônia de transmissão de cargo foi marcada por uma pequena confusão no final. Repórteres, ministros de Estado, diplomatas e demais convidados se aglomeraram sobre um pequeno palco armado em frente à entrada principal do Ministério da Agricultura. A segurança do evento teve de intervir e tirou a ministra do local alegando risco de acidente. Cercada por seguranças, Kátia concedeu uma breve entrevista coletiva e entrou, escoltada, no ministério. Os convidados tiveram de fazer uma fila do lado de fora do prédio para cumprimentar a nova ministra.

De oposição a Lula a governista com Dilma

Durante o governo Lula, a política, então no DEM, se notabilizou por suas críticas ao então presidente. Ao longo do primeiro governo Dilma, Kátia Abreu, já no PMDB, se aproximou da presidente e chegou, inclusive, a convidá-la para ser madrinha de seu casamento, em fevereiro deste ano.

Apesar de sua atuação junto à bancada ruralista, Kátia Abreu não é considerada uma unanimidade junto ao agronegócio. A JBS, maior grupo frigorífico do mundo e maior doador individual da campanha de Dilma Rousseff à reeleição, seria uma das empresas que se sentiram “desconfortáveis” com a indicação de Kátia Abreu, que já fez discursos contrários ao conglomerado.

A indicação de Kátia para a ministra também gerou atritos com movimentos sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra). Em reunião com a presidente Dilma, integrantes da entidade repudiaram a indicação da senadora para o ministério.

Kátia substitui Neri Geller no cargo. Geller nasceu no Rio Grande do Sul, mas fez carreira política e empresariam no interior de Mato Grosso. Ele é agricultor e tem uma empresa de combustíveis na região.

No final do ano passado, Geller viu seu nome e o de seus familiares envolvido em uma operação da Polícia Federal, ‘Terra Prometida’, que investiga fraude em assentamentos da reforma agrária.

Segundo a PF, seus irmãos, Odair e Milton Geller, participavam de uma quadrilha que falsificava documentos e expulsava assentados para que fazendeiros utilizassem as áreas. Odair e Milton foram presos, mas foram posteriormente liberados. Neri Geller negou participação no esquema que, segundo a PF, desviou R$ 1 bilhão. 

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